Encaixes individuais, profundidade e a irreverência de Oskar Pietuszewski: Análise tática do Vitória SC x FC Porto

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O FC Porto teve de sofrer, mas acabou mesmo por vencer o Vitória SC por 1-0, no Estádio D. Afonso Henriques, no encontro que marcou o arranque da segunda volta da Primeira Liga.

Francesco Farioli foi obrigado a mexer no onze devido ao castigo de Pablo Rosário, com Alan Varela a regressar à posição de ‘6’. Na linha defensiva, o técnico italiano surpreendeu ao deixar Jan Bednarek no banco e apostou em Martim Fernandes à esquerda e Alberto Costa à direita, com Thiago Silva e Jakub Kiwior como dupla de centrais.

Do lado do Vitória SC, Luís Pinto promoveu várias alterações face ao último encontro: Alioune Ndoye ocupou o lugar do castigado Nélson Oliveira, Samu Silva entrou para o lugar de Diogo Sousa, Orest Lebedenko substituiu João Mendes e, na baliza, Juan Castillo foi a escolha para render Charles, herói recente na final da Taça da Liga frente ao Braga.

A equipa vimaranense apresentou-se fiel ao modelo habitual: 4-2-4 em organização defensiva e 4-2-3-1 em posse. Ainda assim, Luís Pinto introduziu ajustes na pressão e no posicionamento dos laterais, com especial destaque para Tony Strata. À semelhança do que se viu na final four da Taça da Liga frente a Sporting, o Vitória SC começou por condicionar a construção adversária, embora desta vez com uma pressão mais contida, acionada a partir de uma linha média e apenas quando um dos homens da frente dava o primeiro sinal. Uma abordagem prudente, muito em função da qualidade de passe de Kiwior e Diogo Costa, tanto curto como longo. O objetivo também passava por fechar o corredor central e obrigar o FC Porto a jogar pelos corredores laterais.

Thiago Silva FC Porto x Vitória SC
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Tony Strata foi, precisamente, uma das peças-chave no processo ofensivo dos conquistadores. Com bola, começou por dar largura no corredor direito, projetando-se com frequência, mas rapidamente passou a surgir também em zonas interiores. Essa mobilidade permitiu-lhe receber várias vezes sem oposição e progredir no terreno, seja através da condução, seja pelo passe vertical, baralhando em alguns momentos as referências do FC Porto. Tal como sublinhou Luís Pinto em resposta ao Bola na Rede, o lateral teve também um papel importante na pressão, assumindo uma função híbrida: garantir superioridade numérica no corredor quando a pressão era orientada para o lado direito. Do lado esquerdo, Lebendeko ou, por vezes, Samu Silva também assumiram esse papel, embora com menos preponderância que o lateral romeno do Vitória SC.

Num meio-campo a três de parte a parte, as marcações individuais foram determinantes, sobretudo na primeira parte, marcada por muitos duelos e pouco espaço para pensar e executar. O Vitória SC entrou melhor e explorou com sucesso os corredores laterais, com Noah Saviolo e Oumar Camará em evidência. Perante a velocidade e a capacidade técnica dos extremos vimaranenses, Martim Fernandes e Alberto Costa sentiram dificuldades para controlar a profundidade.

No FC Porto, Samu Aghehowa — que vinha a ser uma solução fiável no processo ofensivo, seja pelo primeiro toque, seja a enquadrar os médios de frente — acabou por revelar maiores dificuldades nesse quesito. Os dragões tiveram mais problemas em ligar o jogo por dentro e acabaram por recorrer com maior frequência aos corredores laterais, como no lance entre Pepê e Alberto Costa que originou a grande penalidade. Com Samu Aghehowa menos influente, tornou-se também mais complicado explorar os arrastamentos de marcação para libertar Gabri Veiga em movimentos de rutura. Ainda assim, foi Samu Aghehowa quem dispôs da melhor oportunidade da primeira parte, na conversão de um penálti, com a bola a embater na barra da baliza de Charles, mantendo o nulo ao intervalo.

Beni Mukendi e Thiago Silva Vitória SC x FC Porto
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Na segunda parte, o FC Porto apresentou-se mais dinâmico. Os médios, sobretudo após a entrada de Rodrigo Mora, mostraram maior mobilidade — fator decisivo para quebrar os encaixes individuais — e Samu Aghehowa revelou-se mais eficaz ao baixar no terreno e ligar o jogo. Num desses momentos, combinou com Alan Varela, que isolou Borja Sainz, mas novamente a bola encontrou os ferros da baliza de Charles.

Do lado do Vitória SC, a melhor ocasião pertenceu a Lebedenko, após uma jogada pelo corredor direito e um cruzamento perigoso, mas Diogo Costa respondeu na baliza. Numa equipa de Francesco Farioli marcada pelo rigor defensivo, importa destacar o papel do internacional português, novamente decisivo em momentos-chave para salvar o FC Porto.

O momento do jogo acabou por surgir com a entrada de Oskar Pietuszewski, que revolucionou o corredor esquerdo dos dragões. Se Borja Sainz teve uma exibição discreta, o jovem extremo trouxe agressividade e irreverência, destacando-se tanto sem bola como no 1×1 ofensivo. Foi dele a jogada que resultou na grande penalidade, ao ser derrubado por Telmo Arcanjo, depois de um excelente movimento de Martim Fernandes a atacar a última linha do Vitória SC por dentro e a criar espaço para que o extremo polaco recebesse a bola sem marcação.

jogadores FC Porto
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Alan Varela, novamente titular na posição de ‘6’ após a ascensão de Pablo Rosário nas últimas jornadas, assumiu a responsabilidade da marca dos onze metros e não vacilou. Para além do golo, o argentino deixou uma nota positiva pela forma como, sendo um médio mais posicional, conseguiu oferecer linhas de passe, sobretudo através dos centrais, mesmo com Samu Silva em marcação individual — uma clara evolução face a jogos recentes. Destaque também para os médios, defesas centrais e Samu Aghehowa pela forma como foram descobrindo o médio argentino ao longo do jogo.

Até ao apito final, o resultado não mais se alterou e o FC Porto somou mais três pontos. Continua a impressionar a solidez defensiva da equipa de Francesco Farioli, que soma apenas quatro golos sofridos no campeonato. Já o Vitória SC mantém uma trajetória muito positiva, sendo justo destacar o trabalho de Luís Pinto, sobretudo após a conquista da Taça da Liga e numa época que começou sob forte contestação dos adeptos.

Victor Froholdt e Samu Silva FC Porto x Vitória SC
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Tony Strata acabou por assumir hoje um papel muito móvel, onde procurou muitas vezes a largura como também apareceu várias vezes por dentro, recebendo com espaço para progredir. Que importância teve esse papel do Toni Strata no processo ofensivo do Vitória?

Luís Pinto: O Tony teve o papel mediante aquilo que era a pressão do Porto, que o Porto pressiona sempre com um ponta de lança e um extremo a sair ao central, mediante a pressão e o lado onde eles pressionassem, o Tony poderia explorar diferentes espaços. Felizmente, conseguiu fazê-lo com muita qualidade, a equipa também o conseguiu descobrir com qualidade. E tinha um papel híbrido que era criar a vantagem numérica no corredor, caso eles fizessem a pressão por esse lado e eles fizeram, alteraram, fizeram por um lado e fizeram pelo outro. No lado esquerdo, estava a ser também criada pelo Samu ou pelo Lebedenko também para poder fazer esse mesmo papel, mas no lado direito o Tony tinha esse papel e conseguiu realizá-lo muito bem.

Bola na Rede: Já se antevia um jogo com muitos duelos, mediante a capacidade das duas equipas para pressionar o adversário. Nesse contexto, quão importante foi a mobilidade dos médios interiores do FC Porto, tendo em conta as marcações individuais no meio campo? Por outro lado, o que procurou corrigir ao intervalo para impedir que o Vitória SC explorasse os corredores, sobretudo o direito, como aconteceu na primeira parte?

Francesco Farioli: Sobre o intervalo, exatamente o que eu disse, ser paciente e ser um pouco mais eficaz nas situações de 50-50, ter a capacidade de trazer a bola para o nosso lado e acalmar um pouco o ritmo que na primeira parte penso ter sido um dos mais altos da época, devido ao físico do Vitória SC. E depois, acho que na primeira parte tivemos alguns maus toques, falhamos três ou quatro passes finais que nos podiam levar a grandes oportunidades. Na segunda parte, penso que melhorámos um pouco no toque da bola, o Samu ligou duas ou três vezes muito bem e entrámos muito bem. Tenho em mente uma ação de Gabri Veiga e uma ação do Borja Sainz, a ação do poste, mas também chegamos mais vezes para isolar o um-contra-um no flanco. Penso que na segunda parte aumentámos um pouco a qualidade do nosso jogo, à exceção de alguns momentos em que tivemos de sofrer. Penso que, de um modo geral, o jogo foi bem disputado e, depois de um campo tão difícil, nunca é fácil conquistar os três pontos. Como já disse, fazer 30 pontos em 10 jogos fora de casa é algo realmente notável.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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