Na Pedreira não há Floresta que cresça: Minhotos nunca controlaram mas acabaram por triunfar | Braga 1-0 Nottingham Forest

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O Braga passou um teste difícil na passada quinta-feira, ao bater o Nottingham Forest por uma bola a zero. O ruído das eliminações nas taças foi, assim, um pouco abatido e o caminho para as eliminatórias está cada vez mais perto de se confirmar. Ambas as equipas alinharam com onzes pouco habituais, algo que afetou principalmente os ingleses pela falta de avançado, com as lesões de Igor Jesus e Chris Wood. Este foi um fator que mudou por completo o estilo de jogo da equipa de Sean Dyche, como o próprio referiu após a partida. Dan Ndoye foi o homem escolhido para ocupar o eixo do ataque, e a falta de poderio físico e experiência na posição facilitou o trabalho do trio defensivo bracarense.

Do outro lado, Carlos Vicens surpreendeu com as escolhas de Gabri Martínez e Diego Rodrigues para o flanco esquerdo. As dinâmicas entre estes elementos confundiram as marcações adversárias, principalmente através de movimentos interiores por parte do brasileiro, surgindo muitas vezes na mesma linha que Gorby Baptiste e Florian Grillitsch. O espanhol oferecia sempre largura e foi em várias ocasiões o desequilibrador, através de arranques no 1v1 contra Nicolò Savona.

O lateral italiano do Forest esteve na origem de vários ataques na primeira parte, criando várias ocasiões em triangulações com James McAtee e um terceiro elemento. Muitas das vezes esse terceiro elemento foi Morgan Gibbs-White, que foi um dos destaques da partida, mostrando todo o seu talento e o quão completo o seu jogo é. Apesar do penálti falhado, o inglês foi crucial no ataque visitante, aparecendo em zonas mais recuadas na fase de construção, e depois com um posicionamento muito livre no espaço entre-linhas, onde tomou proveito da sua capacidade técnica e de drible em espaços curtos.

Morgan Gibbs-White Nottingham Forest
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Não se poderia falar neste jogo sem mencionar o guarda-redes do momento: Lukas Hornicek. O checo de 23 anos voltou a brilhar, primeiramente com um voo impressionante para defender o livre de James McAtee ainda nos primeiros dez minutos, e depois a enorme defesa que consegue fazer no penálti de Morgan Gibbs-White. Esta solidez na baliza oferece um conforto enorme a um Braga que ainda não conseguiu mostrar a consistência defensiva necessária para ir longe na Europa League, e alcançar o quarto lugar na Primeira Liga.

Desta forma, num jogo muito partido, no qual ambas as equipas demonstraram dificuldades para tomar controlo do jogo e ditar a velocidade do mesmo. Os treinadores viram isso mesmo e fizeram várias substituíçõesque visavam contrariar essa tendência. Sean Dyche trocou os quatro jogadores do meio campo antes dos 75 minutos e Carlos Vicens apostou na leitura de jogo do experiente João Moutinho.

Algo que foi claramente um ponto de mudança na segunda parte foi a forma como o Braga contrariou a pressão do Nottingham na primeira fase de construção. Os ingleses alinharam muitas vezes num 4-2-4 sem bola, criando situações muito complicadas para os defesas-centrais bracarenses, sendo que Bright Arrey-Mbi foi claramente o elemento que mostrou mais dificuldades neste momento de jogo. Com a infeliz lesão de Sikou Niakaté e a consequente entrada de Vítor Carvalho, os minhotos foram capazes de sair de forma controlada em mais ocasiões, utilizando muitas vezes os apoios de Diego Rodrigues na zona central, criando superioridade numéricas em contas interiores.

Diego Rodrigues Dilane Bakwa Braga Nottingham Forest
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Sean Dyche é conhecido pela solidez defensiva e pelo carácter físico das suas equipas, e a dupla de defesas-centrais nesta partida fez jus a isso mesmo. Nikola Milenkovic e o ex-Benfica Morato anularam Fran Navarro por completo e mostraram muita qualidade na saída de bola, seja curta ou longa. O avançado espanhol terminou a partida sem um único remate e não foi capaz de encontrar os espaços para apoios frontais, limitando as combinações do ataque do Braga.

Porém, com a entrada de Pau Víctor para o seu lugar, as dinâmicas ofensivas dos minhotos melhoraram quase instantaneamente. Num dos primeiros toques na bola, rematou forte ao poste e quase que confirmou a vitória um pouco mais cedo. Com apenas 24 anos, o avançado tem demonstrado uma enorme qualidade esta temporada, levando já oito golos e duas assistências em 34 jogos. Sendo que esta é a primeira temporada na qual tem sido titular numa liga de alto nível, o seu desempenho tem impressionado muito e é cada vez mais visível a margem de progressão que ainda tem.

Assim, o Braga sobreviveu num jogo difícil no qual nenhuma das equipas assumiu o controlo durante o jogo. Esta vitória não só é importante relativamente às contas para o apuramento direto para as eliminatórias da Europa League, como também para a moral do grupo e dos adeptos, que ainda não esqueceram as derrotas diante do Vitória SC e do Fafe.

Braga Jogadores
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Diego Rodrigues esteve muito móvel durante todo o jogo, oferecendo apoios pelo meio como terceiro médio, com Gabri Martinez sempre esticado na largura. Quão importante foi esse movimento no processo ofensivo do Braga nesta vitória?

Carlos Vicens: Sabíamos que era muito importante jogar com personalidade. Isso significa que para os nossos médios era importante ter personalidade. Não era uma partida para correr riscos. Tínhamos de ter opções com bola, se não tivesses o controlo do jogo durante muitos minutos, se não te impões perante equipas com esta qualidade, vais sofrer. Eles são uma equipa com uma qualidades individual impressionante. Só estando juntos e trabalhando bem é que se consegue, o Diego foi importante e foi uma parte da personalidade que precisávamos no meio campo

Bola na Rede: Taticamente, que aspetos defensivos pensa que ajudaram o Braga a terminar a partida sem golos sofridos? E acha que, na segunda parte, o Nottingham Forest podia ter beneficiado de mais combinações pelo flanco direito, como vimos na primeira parte?

Sean Dyche: Obviamente que do nosso lado o facto de não termos um avançado de raiz acabou por afetar o nosso jogo. O Ndoye não está habituado a jogar naquela posição mas deu tudo o que podia. Relativamente às combinações, essas variam muito durante o próprio jogo, não podemos focar o jogo inteiro apenas num dos flancos, têm de existir mais variações. E acho que começamos bem na segunda parte, mais pressão e mais poder no jogo e conseguimos o penálti. Porém, não marcamos, sofremos logo a seguir e não soubemos reagir a isso. Há alguma sorte envolvida mas não vou ‘chorar’ por isso, são coisas que acontecem. A nossa resposta não foi à altura. O Ndoye não é um avançado de raiz e pedimos-lhe muito. Ele trabalhou de forma árdua mas não conseguimos encontrar o caminho para o golo. Marcar mais golos é um objetivo que tenho desde que cheguei ao clube e vamos continuar a trabalhar para isso.

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