A importância tática dos laterais no FC Porto de Francesco Farioli

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O FC Porto carimbou a passagem aos oitavos de final da Europa League depois de receber e vencer o Rangers por 3-1, na passada quinta-feira, no Estádio do Dragão. Os dragões terminaram a fase de grupos no 5.º lugar da prova, com 17 pontos, fruto de cinco vitórias (Salzburgo, Estrela Vermelha, Nice, Malmo e Rangers), dois empates (Utrecht e Viktoria Plzen) e apenas uma derrota, frente ao Nottingham Forest.

Perante um Rangers organizado num 5-4-1, com clara intenção de fechar o corredor central e impedir que jogadores como Rodrigo Mora ou Samu Aghehowa recebessem entrelinhas, ganharam especial relevância os movimentos dos laterais, em particular Francisco Moura. E é precisamente a partir deste contexto que se torna pertinente analisar a importância tática dos laterais no FC Porto de Francesco Farioli, tendo em conta a fase consistente da equipa e o sucesso alcançado até ao momento na temporada.

Desde logo na construção, são os defesas centrais os principais responsáveis por iniciar os ataques e definir os timings da ação. No entanto, ao contrário de uma ideia mais tradicional, em que os laterais assumem a largura, os laterais do FC Porto posicionam-se frequentemente por dentro. Esta dinâmica permite à equipa estar mais equilibrada defensivamente e, ao mesmo tempo, oferece mais soluções de passe em zonas interiores.

jogadores FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

A ocupação racional dos espaços, a criação de triângulos e a curta distância entre os jogadores são aspetos fundamentais no modelo de Francesco Farioli. Nesse sentido, o treinador utiliza o médio defensivo (Pablo Rosário/Alan Varela) como um verdadeiro pêndulo da equipa, facilitando a circulação de bola. Os laterais têm aqui um papel-chave, permitindo que a bola chegue ao médio defensivo através de combinações entre central, lateral e o 6, potenciando a progressão e a construção ofensiva dos dragões.

Esta opção por laterais interiores oferece ainda uma vantagem clara em momento de perda. Como a equipa arrisca mais passes para o corredor central, a proximidade entre os jogadores reduz a distância até ao portador da bola adversário e facilita a reação à perda. Caso estivessem projetados na largura, essa recuperação seria muito mais difícil. Naturalmente, esta dinâmica faz com que sejam os extremos como Borja Sainz, William Gomes e Pepê a assumir a largura do jogo ofensivo.

Para além disso, os laterais são determinantes para que os médios interiores recebam bola em condições favoráveis. Os movimentos de lateralização e os timings associados são claramente trabalhados ao detalhe pelo técnico italiano. Em vários momentos da construção, vemos os laterais a ocupar espaços interiores, enquanto jogadores como Gabri Veiga ou Victor Froholdt surgem na largura para receber com espaço e, consequentemente, confundir as marcações das equipas adversárias.

Rodrigo Mora FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Com o avançar da temporada, as equipas adversárias começaram a tentar anular o médio defensivo do FC Porto, muitas vezes com uma pressão a dois, procurando fechar simultaneamente os centrais e o ‘6’. Como resposta, temos visto uma maior mobilidade dos médios interiores e, consequentemente, também dos laterais, com especial destaque para Francisco Moura no corredor esquerdo. Atualmente, um dos laterais, ou ambos, dependendo do jogo e do perfil escolhido, assume-se frequentemente como mais um elemento na última linha ofensiva. Esta presença acrescenta imprevisibilidade, dificulta as marcações e permite ao FC Porto chegar com mais gente ao último terço. O golo de Francisco Moura frente ao Rangers é um exemplo claro disso, surgindo nas costas da defesa adversária. Além dos médios interiores, também os laterais podem atacar a última linha do adversário com diagonais e movimentos temporizados.

Com os extremos a garantirem a largura, os laterais adversários ficam mais fixos, sobretudo contra equipas que pressionam o FC Porto de forma agressiva, homem a homem e a todo o campo. Esse comportamento abre espaço entre o central e o lateral, zona onde os médios interiores do FC Porto procuram aparecer com frequência. Nos últimos jogos, Samu Aghehowa tem sido uma referência importante no jogo apoiado. Sempre que o avançado baixa para receber, arrasta consigo um dos centrais, criando o espaço ideal para o contra-movimento de jogadores como Victor Froholdt, Rodrigo Mora ou Gabri Veiga, que atacam precisamente esse espaço entre central e lateral e dar continuidade à dinâmica ofensiva da equipa.

Tendo em conta que as equipas adversárias começam a perceber o padrão do FC Porto com os movimentos dos médios interiores, uma possibilidade seria envolver os extremos nesses movimentos com maior frequência. Em coordenação com os laterais, e sempre mantendo um deles na largura para gerar dúvida na defesa adversária, os extremos dos dragões poderiam surgir também em diagonais, tornando os movimentos ainda mais imprevisíveis. Aliado à capacidade dos centrais do FC Porto em colocar bolas longas, esta maior mobilidade e diversidade de soluções poderia tornar o ataque ainda mais difícil de prever. Em comparação com o início da temporada, são evidentes as melhorias no modelo de jogo de Francesco Farioli, sobretudo nas dinâmicas ofensivas, e isso explica grande parte do sucesso da equipa até agora na temporada 2025/26.

Francesco Farioli FC Porto
Fonte: Pedro Barrelas / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Rangers apresentou- se com uma postura muito agressiva num 5-4-1 a defender e a tentar fechar o corredor central para que jogadores como Samu e Mora não recebessem a bola. Gostaria de lhe perguntar como é que procurou explorar os corredores laterais, sobretudo o esquerdo, e de que forma é que o Francisco Moura foi importante nesse sentido.

Francesco Farioli: Sim, eles vieram aqui com um comportamento diferente comparativamente com os últimos jogos, com uma postura distinta. Foram mais agressivos na primeira fase da nossa construção e, defensivamente, utilizaram um 5-4-1, como referiste, com um avançado alto para tentar explorar possibilidades no contra-ataque. Acho que gerimos muito bem, porque tivemos três ou quatro situações contra essa pressão alta do adversário, uma delas que deu o golo do Rodrigo Mora, e outras que não foram convertidas em golos, mas resultaram em boas oportunidades. Além disso, penso que atacámos muito bem, mesmo com o adversário em bloco baixo. Mencionaste o golo do Francisco: ele teve um timing perfeito para atacar a linha e, na mesma ação, tivemos três ou quatro movimentos diferentes para esticar a última linha do Rangers. No momento certo, surgiu um belo passe do Jan Bednarek e um bom movimento do Francisco Moura, que deu o golo. Hoje, um dos grandes pontos do jogo foi a forma como conseguimos jogar vários tipos de jogo no mesmo jogo, e penso que a equipa mostrou muita maturidade nessa parte. Portanto, fico feliz por isso.

Bola na Rede: O Rangers tentou fechar o corredor central com um 5-4-1, mas o FC Porto começou a explorar o corredor direito do Rangers. De que forma tentou contrariar essa situação e, por outro lado, porque é decidiu colocar o Max Aarons no lado esquerdo na segunda parte?

Danny Rohl: Sim, acho que, no geral, quando vemos o FC Porto a punir os adversários, isso resulta de uma decisão clara da nossa parte em pressionar alto. Mesmo quando o guarda-redes tinha a bola, tentámos pressionar alto e homem a homem. Penso que não tiveram muitas oportunidades para jogar pela zona central, estivemos compactos, mas não fomos pragmáticos nas transições e, em dois ou três momentos em que tivemos a bola no meio-campo adversário, acabámos por a perder demasiado rápido. Em relação à segunda parte da sua pergunta, movemos o Max da direita para a esquerda para dar descanso ao Jayden Meghoma para o próximo jogo. Tenho algum receio de não ter laterais disponíveis; ele não está disponível neste momento, mas para a próxima semana já deverá estar, e foi essa a razão.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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