

Depois de um arranque marcado pelo infortúnio, a Seleção Nacional escreveu as páginas mais bonitas da sua participação em Konya nos últimos dias. Iúri Leitão sagrou-se Campeão da Europa de Omnium – um feito inédito em disciplinas olímpicas de elite – e juntou-se a Diogo Narciso para conquistar a prata no Madison. Portugal sai da Turquia com a certeza que pertence à elite mundial.
Se os primeiros três dias do Europeus de Pista foram um teste à resistência mental da equipa das quinas, os dias quatro e cinco foram a recompensa. O velódromo de Konya, que parecia amaldiçoado pelas quedas e avarias iniciais, transformou-se no palco de consagração de Iúri Leitão, o ciclista de Viana do Castelo que sai desta competição com duas medalhas no peito e um lugar reforçado na história do ciclismo nacional.
Dia 4: O Imperador do Omnium
A glória chegou na quarta-feira. Iúri Leitão entrou no exigente programa de Omnium com a autoridade de um campeão do mundo e saiu de lá com o seu sexto título europeu – mas este com um sabor especial: foi o primeiro da história da Seleção Nacional em disciplinas olímpicas na categoria de elite.
O português entrou a todo o gás, vencendo de forma categórica as duas primeiras provas (Scratch e Corrida Tempo). O cenário perfeitos foi abalado na Eliminação, onde Iúri ficou sem espaço numa fase de transição e foi eliminado precocemente em 15º lugar. Este deslize fez com que entrasse na decisão final no segundo posto, com 92 pontos, a dez do líder neerlandês Yanne Dorenbos.
Na hora da verdade, na Corrida por Pontos, viu-se a fibra de campeão. Sob um calor intenso, Iúri Leitão dobrou o pelotão, venceu três sprints e controlou as operações com mestria. Enquanto Dorenbos e o alemão Roger Kluge lutavam pelos restantes lugares do pódio, a vitória já tiha dono. Leitão fechou com 140 pontos, contra 131 de Dorenbos e 126 de Kluge.
O dia teve ainda um momento de enorme simbolismo e descanso para o ciclismo nacional: Miguel Salgueiro, que recebera alta hospitalar nesse mesmo dia após as fraturas sofridas no domingo, marcou presença no velódromo para festejar o ouro junto da Seleção Nacional. No setor feminino, Daniela Campos foi 17ª na Corrida por Pontos, numa prova ganha pela belga Lotte Kopecky, que recuperou de uma desvantagem inicial para vencer no sprint final.
Destaques internacionais do dia 4: A pista de Konya assistiu a um “choque de titãs” na final do Sprint Masculino. Matthew Richardson (Grã-Bretanha) bateu o “rei” Harrie Lavreysen (Países Baixos) num duelo decidido na última curva, com o britânico a atacar na linha de meta. Na Perseguição Individual feminina, a britânica Josie Knight venceu com novo recorde (4:22.353) batendo a italiana Frederica Venturelli.
Dia 5: Dupla de Prata no Madison
No último dia de competição (quinta-feira), a fome de vencer manteve-se igual. Iúri Leitão voltou à pista, desta vez fazendo dupla com Diogo Narciso no Madison. Depois do bronze conquistado no ano passado pelos irmãos Oliveira, Portugal subiu um degrau no pódio.
A dupla lusa realizou uma exibição de luxo, sendo uma das únicas equipas a dobrar o pelotão. Com uma coordenação perfeita, Portugal somou 55 pontos, garantindo a medalha de prata. O ouro foi para a inalcançável Alemanha (85 pontos), enquanto a Bélgica ficou com o bronze (38 pontos).
O Fecho das contas internacionais: O último dia confirmou a supremacia britânica na velocidade, com Matthew Richardson a fazer a “dobradinha” ao vencer também a disciplina de Keirin, deixando novamente Harrie Lavreysen com a prata e o belga Lowie Nulens com o bronze. No Keirin feminino, a vitória sorriu a Alina Lysenko, com Mathilde Gros (França) em segundo.
No Madison feminino, a Bélgica (Lotte Kopecky e Shari Bossuyt) levou o ouro para casa, superando a Grã-Bretanha (prata) e a Itália (bronze).
Balanço Final: Uma seleção de aço
Portugal sai de Konya, com duas medalhas (Ouro e Prata) e a certeza de que, quando o azar bate à porta – como aconteceu nos primeiros dias, a qualidade e a resistência desta geração de ciclistas são inabaláveis. Iúri Leitão confirmou o estatuto de estrela planetária e Diogo Narciso provou ser um ciclista à altura dos grandes palcos.

