A derrota do FC Porto frente ao Casa Pia reduziu a distância para o líder de dez para nove pontos, um cenário que, teoricamente, permitiria reabrir a discussão sobre o título. Contudo, a resposta à pergunta não se encontra na matemática, mas sim na realidade exibicional e na consistência competitiva. A resposta é não. O Benfica está afastado da luta pelo 39.º título da Primeira Liga e alimentar o contrário é apenas adiar o inevitável.
O momento em que o Benfica deixou de ser um candidato credível tem uma data precisa e foi no empate (2-2) frente ao Braga. Foi nesse jogo que a desvantagem cresceu para sete pontos, cavando um fosso psicológico e pontual irrecuperável. Curiosamente, o Benfica vive um paradoxo estatístico único na Europa, pois é o único clube nos principais campeonatos do ranking da UEFA (top 8) que ainda não perdeu, somando 13 vitórias e sete empates.
No entanto, esta invencibilidade é enganadora. Ao empatar sete vezes, a equipa desperdiçou 14 pontos, incompatível com quem quer ser campeão. O recente empate em Tondela, dias após a vitória épica contra o Real Madrid, foi a prova final dessa incapacidade crónica de manter o foco.
Para sonhar com o título, o Benfica precisaria de um percurso imaculado até ao fim, vencer as 12 jornadas restantes para atingir os 86 pontos. Além disso, estaria dependente de uma conjugação improvável de resultados de terceiros, incluindo vitórias do Braga sobre os rivais e uma quebra abrupta de rendimento de quem vai à frente. Num campeonato onde o nível médio é baixo e os grandes raramente perdem pontos, esperar que Sporting e FC Porto colapsem simultaneamente é um cenário de ficção. A equipa de José Mourinho, apesar de combativa, não demonstrou a regularidade necessária para vencer todos os jogos que lhe restam.


Com o primeiro lugar entregue à utopia, a luta do Benfica resume-se agora a tentar apanhar o Sporting. A distância para o segundo classificado é de cinco pontos, uma margem recuperável, mas perigosa. Garantir o segundo lugar e a entrada direta na Champions League é imperativo para a saúde financeira e para a expansão da marca. Falhar este objetivo transformaria uma época má numa catástrofe desportiva e financeira.
Face a este cenário, a responsabilidade de Rui Costa é clara. Mais do que fazer contas, é urgente assumir que a época falhou nos seus objetivos principais. O Benfica ocupa um dececionante terceiro lugar e está fora das Taças. A estrutura deve começar imediatamente a preparar a temporada 26/27, definindo o plantel e as lacunas a preencher, para garantir que no próximo ano o Benfica entra em campo para liderar desde o primeiro dia, e não para correr atrás do prejuízo com uma calculadora na mão.

