Como João Henriques surpreendeu o Leão em Alvalade | Sporting 3-2 AVS SAD

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O futebol não é olhar para as duas equipas, ver quem é mais forte e interiorizar que é a que vai ganhar. Ao mesmo tempo, é verdade que ganhou a equipa mais forte, mas seria mentira dizer que havia muita gente que esperava uma vitória mais confortável por parte do Sporting? Tendo em conta que jogava em casa contra o último classificado que, à data, não venceu um jogo na Primeira Liga e leva apenas cinco pontos à jornada 20. Numa realidade onde se olha mais para a equipa com maior dimensão, olhemos mais ao pormenor para a exibição do AVS SAD.

No fundo, o AVS SAD entrou com um plano sólido por parte do treinador João Henriques, ao dificultar a construção interior do Sporting em ataque organizado. Sem bola, oscilavam entre a linha de quatro e a linha de cinco, partindo de uma espécie de 4-1-4-1, com posicionamentos especiais de Roni (sobretudo) e de Ángel Algobia. Consoante onde estivesse a bola, um desses jogadores, que partiam à frente da defesa, descia para cobrir o espaço entre o central e o lateral. Uma vez que o Sporting apresenta muitas dinâmicas nessas zonas, com vários jogadores entre-linhas, o objetivo passava por tentar anular isso e ser o mais compacto possível. João Henriques explicou ao Bola na Rede em conferência de imprensa.

Fonte: Ana Beles / Bola na Rede

«Quando o Roni saísse e a bola estivesse do lado contrário, seria o Algobia a fazer o mesmo desse lado. Assim estávamos sempre montados a cinco, com os dois médios a conseguirem fechar esse espaço entre lateral e central, e serem os laterais a baterem no jogador mais aberto. Correu bem, no geral», referiu. Atendendo a essa estratégia, o Sporting melhora quando faz a troca posicional entre Francisco Trincão e Luís Guilherme e junta o internacional português a Daniel Bragança, onde ganharam superioridade sobre Roni.

Com bola, o AVS SAD teve como prioridade ser vertical com um ataque rápido e com largura. Em certos momentos, a equipa de João Henriques conseguiu subir e, apesar de se notar, por vezes, alguma ansiedade na tomada de decisão dos jogadores (o que é normal dado o contexto), fizeram 11 remates e seis deles foram à baliza. Já no prolongamento, o AVS SAD não teve capacidade física para disputar a eliminatória e há também um aspeto fundamental: a diferença nos bancos. O Sporting, que chegou a ter várias oportunidades ao longo do tempo regulamentar, dominou por completo o prolongamento e acabou por chegar ao golo, através de um belo momento de Geny Catamo.

No geral, o AVS SAD foi bem melhor do que porventura muitas pessoas esperavam, tendo em conta não só a classificação, o fator fora de casa e como também o que aconteceu na primeira volta há cerca de um mês e meio (goleada de 6-0 em Alvalade). Apesar de haver aspetos por melhorar (como em todas as equipas), mantendo este tipo de exibição, seguramente merecem mais na tabela classificativa da Primeira Liga.

BnR em Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Olhando, sobretudo, para a primeira parte, a sua equipa fez com que o Sporting tivesse dificuldades em criar por dentro em ataque organizado. Uma das dinâmicas que saltou à vista foi o posicionamento defensivo do Roni, que se posicionou tanto entre a linha defensiva e a linha do meio-campo, como numa linha de cinco, mas quase sempre a ocupar o espaço entre central e lateral. Qual foi a intenção do mister ao colocar o Roni nessa posição e com essa função?

João Henriques: Aquilo que nós tínhamos preparado era exatamente que o Sporting coloca muitos jogadores entrelinhas e tenta descobrir aquele espaço entre central e lateral, com muitas dinâmicas ali. Tentámos não exagerar, mas, por vezes, ainda errámos nisso e púnhamos uma linha de seis, mas não era essa a intenção. Queríamos só pôr uma linha de cinco. Quando o Roni saísse e a bola estivesse do lado contrário, seria o Algobia a fazer o mesmo desse lado. Assim estávamos sempre montados a cinco, com os dois médios a conseguirem fechar esse espaço entre lateral e central, e serem os laterais a baterem no jogador mais aberto. Correu bem, no geral. Houve ali alguns ajustes que tivemos de fazer. Tínhamos preparado, também, a questão dos três homens que entraram. Tivemos que os fazer descansar um pouco porque qualquer um deles vinha de muitos jogos acumulados, e era a estreia também do Antoine [Baroan], para depois nós podermos saltar com mais agressividade na transição. Também correu bem nesse aspeto. Agora, claro, nós sofremos o primeiro golo, na minha opinião – e eu aceito que haja outras -, com uma falta sobre o Paulo Vítor, que depois desencadeia a transição e dá o primeiro golo do Sporting. Uma situação que nós tínhamos falado era que o Sporting muitas vezes baixa ligeiramente as linhas e convida o adversário a ter bola, a ir no engodo, para depois, no erro de um passe, sair em transição. Com espaço, são letais, como foram…e fizeram o golo. Sabíamos que era umas das coisas que nós não podíamos facilitar, e facilitámos nesse primeiro golo. Depois, uma jogada típica do Sporting Clube de Portugal no 2-0. Tentaram muitas vezes por dentro, a maior parte das vezes com pouco êxito porque nós fechámos bem os espaços por dentro, e tiveram que recorrer mais aos espaços exteriores para depois chegarem à área, e aí os nossos jogadores estiveram muito bem a fechar a maior parte das situações. O Sporting é só a equipa que tem os melhores números ofensivos do nosso campeonato, e nós sabíamos que tínhamos de sofrer em alguns momentos e que tínhamos de saber defender muito bem. Mas penso que fizemos um jogo muito competente nesse momento defensivo, em termos gerais. Não fomos perfeitos porque sofremos dois golos, mas também salientar aquilo que nós depois fizemos em termos ofensivos. Nós conseguimos explanar e esticar a equipa da forma que queríamos. Criámos algumas oportunidades. Seis remates à baliza aqui em Alvalade e 11 remates no total é algo assinalável, com uns golos esperados de cerca de dois ponto qualquer coisa. Penso que é muito positivo. Acho que é o caminho. Este é o caminho que nós queremos. Queremos uma equipa com muito mais chegada, a defender bem, organizada, mas também com capacidade para ter bola. Num jogo destes não era o principal objetivo, era sermos mais verticais, contundentes na transição e com gente na chegada para podermos finalizar. Depois, claro, fomos competentes na bola parada. O Sporting costuma ser muito forte e defendemos geralmente bem. Foi um jogo competente no geral, pena que não tivéssemos a capacidade física para continuar a discutir da mesma forma no prolongamento. Tínhamos muitos jogadores muito castigados fisicamente, mas mesmo assim tiveram uma entrega incrível. Tivemos de ajustar, tivemos de passar o Tunde para trás porque o Rivas era um dos jogadores que vinha com algumas queixas musculares já durante a semana. Estava a 100% para o jogo – senão não o tinha jogado -, mas, com a acumulação da fadiga, chegou a uma altura em que já não conseguia. Ele e o Pedro Lima foram os principais jogadores [a apresentarem queixas físicas]. O Pedro Lima é um jogador que tem sido utilizado 90 sobre 90 minutos. Jogou na segunda e tive a dúvida entre tirar o Algobia ou o Pedro Lima, mas o Pedro Lima tem esta capacidade de carregar jogo e empurrar a equipa para a frente com. Foi essa a opção, mas, depois, chegou ao limite.

Diogo Lagos Reis
Diogo Lagos Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto lhe corre nas veias. Foi jogador de futsal, futebol e mais tarde tornou-se um dos poucos atletas de Futebol Freestyle, alcançando oficialmente o Top 8 de Portugal. Depois de ter estudado na Universidade Católica e tirado mestrado em Barcelona, o Diogo está a seguir uma carreira na área do jornalismo desportivo, sendo o futebol a sua verdadeira paixão.

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