O FC Porto e o Sporting mediram forças com a ambição de vencer e reabrir um campeonato que, até então, parecia quase decidido. No entanto, nenhuma das equipas fez o suficiente para ganhar um clássico que podia ter fechado a luta pelo título ou, pelo contrário, reabri-la por completo.
O empate a uma bola manteve a diferença de quatro pontos e deixou tudo praticamente na mesma. Ainda assim, houve um claro destaque individual: Morten Hjulmand, capitão do Sporting.
Depois de alguns jogos abaixo do seu melhor nível, o médio dinamarquês voltou a mostrar porque é um dos jogadores mais importantes do campeonato e um dos médios mais valorizados do futebol europeu.
Hjulmand foi, a par de Gonçalo Inácio e Fresneda, o jogador do Sporting com mais ações com bola, somando 72 toques e uma eficácia de 85% no passe, segundo o Flashscore. Ganhou oito dos 12 duelos que disputou e registou ainda nove recuperações de posse, números que ajudam a explicar a superioridade leonina na posse de bola, que rondou os 60%.
A importância de Hjulmand é inquestionável e, caso a sua saída se confirme no próximo mercado, o Sporting sentirá essa ausência de forma muito mais profunda do que sentiu a de Viktor Gyokeres. A chegada de Luis Suárez tem mostrado que, até ao momento, o clube conseguiu colmatar a saída do avançado sueco sem grande impacto no rendimento da equipa.
Enquanto capitão, o impacto de Hjulmand vai muito além do que se passa em campo. É um jogador que lê o jogo com inteligência, ocupa os espaços com critério e simplifica processos. Fora das quatro linhas, o respeito que merece por parte dos colegas é evidente em cada intervenção pública.


Apesar dos episódios das últimas semanas e das provocações vindas das bancadas do Dragão, ficou claro que Hjulmand não está desmotivado nem afetado por tudo o que o rodeia. É um profissional de topo e tudo indica que assim continuará até ao final da temporada.
Num clássico marcado pelo equilíbrio, Morten Hjulmand destacou-se pela consistência exibicional e pela influência permanente no jogo. Sem necessidade de grandes momentos de brilho, foi determinante na forma como o Sporting controlou os ritmos da partida e manteve a sua identidade competitiva. Num encontro sem vencedores no resultado, acabou por ser, na minha leitura, o jogador mais influente em campo.

