O antigo selecionador Fernando Santos revelou que acredita que Portugal pode vencer o Mundial 2026, apesar de enfrentar seleções de grande qualidade.
Fernando Santos manifestou o seu desejo de ver Portugal levantar o troféu do Mundial 2026, durante uma iniciativa denominada Universitários em Torre de Moncorvo, organizada pelo padre Sérgio Pêra. Em declarações à agência Lusa, o ex-selecionador nacional destacou a qualidade do plantel português e relembrou algumas memórias da sua carreira, incluindo a conquista do Euro 2016.
O técnico começou por declarar a sua confiança na seleção portuguesa:
«Mal de nós se não acreditássemos. Temos condições para isso, naturalmente. Já temos há uns anos, que perseguimos esse sonho, mas sabemos que os outros também. Tenho a certeza que os nossos jogadores vão fazer tudo para que isso possa acontecer, e eu e todos os portugueses estamos obviamente confiantes. Agora, ninguém tem certeza do que vai acontecer, mas acreditamos que é possível, sim».
De seguida, referiu que Portugal é um dos favoritos à conquista do troféu:
«São sempre as mesmas (seleções). O Campeonato do Mundo é um pouco diferente, está exposto também àquelas duas ou três que não pertencem à Europa, mas a maioria são as equipas principais da Europa, sim. Entre elas está Portugal».
Fernando Santos abordou o impacto da fé em Deus na sua vida, especificamente nos momentos da decisão de colocar Éder em campo e quando venceu o Euro 2016:
«Deus não se preocupa com essas coisas. Foi claramente uma questão tática. Pareceu-me importante termos alguém na frente com a capacidade de segurar a bola e permitir à equipa respirar. Deus ajudou-me muito, mas foi ao nível emocional. Deu-me calma, tranquilidade, não me deixou nunca ir abaixo. Quando nos criticavam por só empatarmos foi muito importante porque me deu a tranquilidade necessária. (…) se fosse assim, o Vaticano era sempre campeão. Púnhamos os padres a jogar, o Papa era o treinador e eram sempre campeões».
Relembrou também um momento que antecedeu a vitória na final diante de França:
«Nesse dia fui à missa de manhã e, no Evangelho, havia uma frase que dizia: ser simples como as pombas e, por dentro, sermos como as serpentes. Pensei que estava ali a chave do jogo e, na palestra, foi o que disse aos jogadores. Ajudou-me a passar a mensagem que eu queria passar».
O técnico falou ainda sobre um momento particular com Cristiano Ronaldo em 2003, quando ainda era treinador do Sporting.
«Infelizmente para mim pu-lo a jogar na inauguração do estádio e ele foi embora. Lembro-me de lhe dizer que com a capacidade e determinação que tinha iria ser o melhor do mundo. Para mim foi um orgulho enorme, passados uns anos, ele ser o melhor do mundo».
Por fim, não quis escolher entre o capitão da seleção portuguesa e Lionel Messi, dizendo:
«Os génios não são comparáveis. Gostas mais de Beethoven ou do Mozart? São génios por natureza. Podes gostar mais do estilo do Messi ou mais do Ronaldo. Quando é assim, só podemos ir por um lado, que é ver o que fizeram em termos de títulos. E aí ganha o Cristiano».

