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Nelson Évora: «Dava todas as minhas medalhas, para poder voltar atrás e poder repetir tudo com o Pedro Pichardo»

David Monteiro · 3 min

Nelson Évora
Foto: Federação Portuguesa de Atletismo

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Em entrevista ao jornal Expresso, Nelson Évora abordou o fim da relação com o Benfica e com o treinador João Ganso. O atleta do triplo salto também falou sobre a sua relação conturbada com Pedro Pichardo.

Nelson Évora falou sobre o momento mais difícil que teve na sua carreira. o antigo medalha de ouro olímpico revelou que tudo aconteceu enquanto representava o Benfica e acusou as águias e o seu antigo treinador, João Ganso, de lhe virarem as costas:

«Foi em 2016, em que o clube do meu coração vira-me as costas e o meu treinador de toda a vida também. Vira-me as costas, abandona-me. Num momento que já era de crise, sou obrigado a emigrar. Temos sempre alguma culpa em tudo o que nos acontece. Hoje, com a experiência que tenho, a única culpa que tive foi o facto de ter permitido que isso me afetasse tanto. O Benfica era a minha vida, o professor Ganso era como um pai e o carinho que sentia por parte de todos, vi-o tão frágil. Foi muito difícil ter de passar por tudo isso e realmente sentir que não valia de nada. Uma simples manipulação de retóricas, e de pontos de vista, tornou-me numa pessoa tão desagradável, tão má… Foi um momento muito difícil, porque poucos meses depois perdi a minha mãe, depois de já ter perdido o meu pai em 2011. Fui vítima quase de tentativa de “assassinato”, não sei qual o termo jurídico que se usa, pelo qual passei nesse período e aí, sim, bati no fundo. Tive realmente de pedir ajuda psicológica, já estando em Espanha. E foi melhor coisa que fiz», revelou o campeão olimpico.

Já em relação à sua relação mais atribulada com Pedro Pichardo, Nelson Évora deu o seu ponto de vista sobre a rivalidade:

«Essa rivalidade não fui eu que a criei, não fui eu que a alimentei, simplesmente quis dar um ponto de vista de realmente aquilo que é mais valioso: que é ser português, que é viver em Portugal, que é integrar-se na nossa realidade. Todas as pessoas que vêm de fora têm de o fazer. Para a minha família, graças a Deus, não foi difícil, porque são de origem cabo-verdiana. Os cabo-verdianos vivem e comemoram as mesmas datas religiosas. A cultura é muito parecida com a portuguesa. Sem dúvida o Pichardo é um talento enorme, é dos melhores triplo saltadores da história, conquistou tudo aquilo que eu conquistei e mais algumas coisas. Com as minhas palavras quero dizer que, em termos desportivos, tiro o chapéu a tudo aquilo que ele é como desportista. Agora, acho que institucionalmente cometemos o erro de achar que vale tudo a troco de medalhas no imediato. Porque depois essas medalhas vão traduzir-se em quê? Que profundidade podemos dar a essas medalhas para os nossos jovens? O que dizemos para as próximas gerações? Absolutamente nada. Porque as pessoas que me conhecem sabem que o que mais desejei em toda a minha carreira era um Pedro Pichardo em Portugal. Sempre me queixei de ser único. Do ponto de vista desportivo, dava todas as minhas medalhas, todas, para poder voltar atrás e poder repetir tudo com o Pedro Pichardo cá, porque não iria conquistar o que eu conquistei, eu iria conquistar muito mais. Sempre ansiei por rivalidade. É o oposto. Sempre desejei que houvesse 10 Pedro Pichardos aqui em Portugal. Porque a única forma de crescermos é estarmos fora da nossa zona de conforto e sermos constantemente postos à prova», confessou o triplo saltador português.

Nelson Évora anunciou o final da sua carreira em 2025, após ter sido um dos atletas mais influentes de Portugal nos últimos anos.

David Monteiro

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