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E tudo o Adrien mudou

Ricardo Gonçalves Dias · 3 min

E tudo o Adrien mudou

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No fundo, todos pensámos que o destino cumpriu-se inevitavelmente, ficar sem o Capitão consumou-se, digamos que apenas mudou o modo: não saiu no mercado de transferências, mas teve a vacação obrigatória, aquela que ainda dói mais. É certo que foram apenas alguns jogos, o que sempre é menor do que o perder de vez, mas o azar tem saído caro. Devem sempre existir os estudiosos da táctica, tal como se deve dar o espaço legítimo de actuação aos analistas mais emotivos, aqueles que triam a falta do espírito e do esforço. Estas semanas têm sido, por isso, produtivas para os segundos.

Vejamos: Elias, por exemplo, é um grande jogador, e pessoalmente não o imagino a aprender nesta fase da carreira os movimentos ou funções tácticas que o melhorem muito mais. O seu próprio nome acabou por servir de anti-depressivo, tanto no começo da época, quando a saída de Adrien era hipótese, como no momento da sua lesão, já que existia um substituto lógico. Porém, a Artéria Aorta do motor Sportinguista não passa pela qualidade do Elias, que existe, mas sim pela ausência de tudo o que existe no Adrien (parêntesis final para arrebatar este parágrafo: o Elias não me saiu, como se diz na gíria, na rifa. Quis apenas o autor usar a figura da comparação para enaltecer a personagem principal do texto, mesmo correndo o risco de ser injusto).

O regresso de Adrien é uma optima noticia  Fonte: Facebook Oficial de Adrien
O regresso de Adrien é uma optima noticia
Fonte: Facebook Oficial de Adrien

Numa dessas entrevistas rápidas depois dos jogos, um jogador do Sporting disse que o Adrien, acima de tudo, era importante para dizer o caminho aos colegas da equipa. Duplica-se a interpretação. Apesar de a afirmação pressupor metaforicamente a filosofia de balneário, não é difícil de imaginar o Adrien a dizer o caminho aos colegas de equipa também dentro de campo. Esse estilo mitológico de saber jogar à Sporting é capaz de influenciar em todos os gestos. Agora, junte-se isso à inteligência de um Futebolista no auge da sua carreira, impermeável na tarefa defensiva, acutilante no desenvolvimento atacante e frio, de braçadeira amarela, perto da marca dos 11 metros. As coincidências existem, são da vida como qualquer outra coisa, mas não se pode pedir a um Sportinguista que extinga a hipótese de a quebra do nosso futebol estar relacionada com a ausência do Capitão.

É que os planos alteram-se. Sem Adrien em campo, Bryan Ruiz não é o mesmo no acompanhamento da segunda linha. Sem Adrien em campo, temos um William mais instável, que até fica obrigado a marcar penáltis. Sem Adrien em campo não temos a mesma qualidade de jogo nessa coisa difícil de entender e de que os especialista tanto falam: as entrelinhas. Sem Adrien em campo, não temos o nosso Capitão, e não ter o Capitão, às vezes, lá está, sai caro. Passemos então para o último estágio textual e justifiquemos a tese. O Sporting fez um bom jogo em Dortmund, num trabalho táctico notável de Jorge Jesus. Mas se não for pedir muito, e querendo eu deixar os Sportinguistas com água na boca para a sorte que aí vem, vejam a diferença após a entrada de Adrien em campo. Vejam, e digam-me se não houve alguma coisa quase indecifrável, mas óbvia, naqueles minutos que se seguiram e que nos levaram a pensar que o Adrien tudo mudou.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

 Texto revisto por: Carlos Valente

Ricardo Gonçalves Dias

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