Num jogo que se previa difícil para o campeão em título, o Sporting goleou por 3-0 o Estoril de Ian Cathro, uma das equipas que melhor futebol pratica na liga portuguesa, na 23.ª jornada, e aproxima-se do Porto na corrida pelo título.
Alvalade preparava-se para uma boa noite de futebol, com direito a estrelas de Hollywood na bancada, e a primeira parte da equipa verde e branca foi digna de cinema. O Sporting entrou com intenções claras de explorar as debilidades defensivas de um Estoril que gosta de pressionar alto, que nunca se acobarda perante os ditos três grandes e que se compromete a debater de igual para igual. Perante este contexto, o primeiro golo surge logo aos 6’, por intermédio de Luis Suárez, após um belíssimo passe de Francisco Trincão nas costas da defensiva canarinha, que deixou o avançado colombiano sem marcação.
Apenas dez minutos tinham passado e já o colombiano festejava mais um golo, o 22.º no campeonato, assumindo o pódio de melhores marcadores, à frente de Pavlidis. O segundo golo repetiu a fórmula do primeiro, passe de Hjulmand nas costas da defesa do Estoril. Suárez domina de pé esquerdo, finaliza com o direito, um golo cheio de classe, como tem sido já habitual.


Em pouco mais de quinze minutos, o Sporting engolia o Estoril, completamente apático, que tentava iniciar os ataques por intermédio de Rafik Guitane, o mágico da Amoreira que se sentia desinspirado. As perdas de bola foram várias, colocando a equipa de Ian Cathro em sobressalto.
No meio-campo, o Sporting era soberano. Em máxima força, Hjulmand e Morita jogaram com requinte e com outro perfume. O dinamarquês coroou a boa exibição com uma assistência e revelou-se imperial no controlo da profundidade, nos desarmes e no comando do meio-campo. Já Morita mostrou que ainda consegue ajudar a formação de Rui Borges, apesar da sua saída anunciada. Foi um ótimo jogo do japonês, que ajudou tanto no processo defensivo como no ofensivo, com lançamentos longos de encher os olhos. No ataque, a equipa de Rui Borges manteve a sua identidade, com muita variabilidade ofensiva e pouca rigidez no posicionamento, com Maxi Araújo e Luis Guilherme, ora por dentro, ora a dar largura. Os leões optaram por atrair a pressão alta do Estoril para, logo em seguida, privilegiar o passe longo e o jogo direto, com Gonçalo Inácio e Morita a destacarem-se nesse capítulo.
Na segunda parte, Ian Cathro mexeu na equipa, reforçou o meio-campo, fechou espaços interiores, limitando a ação dos médios do Sporting. Guitane, com um remate cruzado aos 60’ , causou um calafrio aos adeptos sportinguistas, valeu Rui Silva, atento às investidas estorilistas. Begraoui também tentou a sua sorte com um remate ligeiramente ao lado. O Estoril mostrou personalidade na segunda parte, com um Sporting a gerir jogo, confortável com o resultado. Em contraponto com a primeira parte, a equipa da casa sentiu desconforto e dificuldades na construção inicial, com alguns passes mal calculados, o que beneficiou o Estoril, coincidindo com a melhor fase da equipa no jogo.


As substituições de Ian Cathro deram frutos, Tsoungi foi o destaque com dois cortes importantíssimos, um deles em cima da linha de golo. O central fechou bem a ofensiva leonina e mostrou-se em ótimo plano, juntamente com Ferro, muito seguro nas ações defensivas.
Apesar do ascendente do Estoril na segunda parte, foi a formação leonina que dilatou o resultado com um ataque iniciado por Nuno Santos na esquerda e finalizado por Daniel Bragança com um excelente pormenor, ambos recém-entrados. O médio português encontra-se num bom momento de forma, a mostrar maior chegada à área com dois golos após a recuperação de uma lesão complicada.
O Sporting manteve o bom momento com uma vitória confortável frente a um adversário difícil, a equipa de Rui Borges joga com dinâmicas bem definidas, muita fluidez no ataque e conta um Luis Suárez goleador, a demonstrar que já lá vão os tempos de Viktor Gyokeres, o leão tem novo matador.
Já o Estoril, mesmo com um jogo menos conseguido, corrigiu os erros da primeira parte e nunca deixou de competir. Sofre três golos, mas muito se deve à sua vontade de querer competir. O campeonato português agradece equipas como o Estoril de Ian Cathro com um futebol vistoso e competitivo.

