Alvalade. Luz. Avião para a Alemanha. Moreirense e Estugarda no Dragão. Braga.
Depois de uma primeira volta quase perfeita, o FC Porto vai enfrentar uma das sequências mais diabólicas que o futebol português viu nos últimos anos. E nunca o fado foi tão italiano – quis o destino que a equipa que vai ter de passar por este mês horribilis fosse a turma de Francesco Farioli, que no ano passado viu o título do Ajax a fugir, cruelmente, na reta final do campeonato.
A epopeia que se avizinha não é apropriada para cardíacos, e o Porto vai mesmo ter de fazer das tripas coração. Parece o auto da barca do Dragão: os azuis-e-brancos estão num limbo de tudo ou nada. Será que este mês os Dragões tocam o céu ou vivem um inferno?
Trinta e um
Março tem trinta e um dias. E nunca trinta e um dias foram tão longos para o Dragão.
Trinta e um é o número que não sai da cabeça do FC Porto. A ambição que André Villas-Boas tem de conquistar o trigésimo primeiro arco triunfal da história dos Dragões passará muito por este mês de março. Para além da tal primeira volta de sonho, o FC Porto foi cirurgicamente ao mercado fechar Seko Fofana e Terem Moffi para ajudar na profundidade. Três anos sem ir aos Aliados é demasiado tempo para a dimensão do FC Porto, e os azuis-e-brancos estão claramente em modo maratona.
Dúvidas sobrassem que a prioridade está no trinta e um, Farioli já deu o pontapé de saída deste mês em Alvalade e apresentou um onze com poupanças. Como quem já só pensa no fim-de-semana. É que se perder com o Benfica, isto pode mesmo virar um grande trinta e um.
Desdramatizar Alvalade
O FC Porto pressionante e autoritário não subiu ao tapete de Alvalade. A atitude comedida e calculista dos Dragões demonstraram que o objetivo foi sempre levar a decisão para a segunda mão.
Deixou no banco os (agora) habitualmente titulares Froholdt, Deniz Gül, Pietuszewski, Kiwior, Gabri Veiga, Zaidu numa decisão técnica que soa a poupança para a ida à Luz, já este domingo.
Perder 1-0 com o Sporting foi um mal menor. A derrota pela margem mínima deixa tudo em aberto e permite ao FC Porto levar a luta pelo Jamor para o Dragão, onde o historial joga a seu favor. É que desde a inauguração, o Sporting só venceu no reduto azul-e-branco três vezes, e a pior fase do FC Porto, nessa altura, já terá passado.
No fim fazem-se as contas, mas a estratégia compreende-se.


O caminho laranja
O sorteio da Liga Europa podia ter sido bem mais risonho para o FC Porto, mas os azuis-e-brancos ficaram no orange path da competição. O caminho laranja, que é também o mais difícil para a final, em Istambul.
O primeiro a sair na rifa foi o Estugarda. Os alemães foram o carrasco do Celtic Glasgow no play-off e estão a fazer uma temporada muito consistente. Ocupam o 4.º lugar da Bundesliga, posição que dá direito a acesso direto à Champions League da próxima temporada. Outra maneira de se qualificar diretamente seria, evidentemente, vencer a Liga Europa. Pelo que não estarão para abdicar da competição.
Assumindo a futurologia e que o FC Porto ultrapassa os alemães, o desafio não fica mais fácil daí em diante. É provável que a seguir estejam à espera duas mãos contra o Nottingham Forrest nos quartos-de-final. E depois? Provavelmente o super Aston Villa de Unai Emery.
São dores de cabeça que é preciso antecipar, porque a mentalidade azul-e-branca não vai querer entrar em campo para resultados piores que a conquista da quinta competição europeia da história.
Abril jogos mil?
Por agora, o início de abril dos Dragões tem calendarizada a receção ao Famalicão e a ida ao Estoril-Praia. Mas o sucesso europeu dos Dragões poderá significar duas mãos dos quartos-de-final também jogadas neste mês, e ainda fechar o mês com uma eventual primeira mão das meias-finais.
Antes de tudo, é preciso que o FC Porto saía triunfante destes trinta e um dias. E confesso que a metáfora do limbo não é perfeita. Porque para esta temporada tocar o céu, o FC Porto depende apenas de si, e o Mister Farioli tem o seu destino nas suas próprias mãos.

