Frederico Varandas e Bruno Sá realizam o debate para as eleições do Sporting. Dois candidatos discutem presidência dos leões.
Frederico Varandas e Bruno Sá são os únicos candidatos à presidência do Sporting e realizam o único debate na corrida pelo lugar de dirigente dos leões. O confronto de ideias realiza-se na Sporting TV.
As eleições para a presidência do Sporting estão marcadas para o dia 14 de março. Frederico Varandas, atual presidente leonino e recandidato, e Bruno Sá são os únicos candidatos.
As intervenções devem ser lidas de baixo para cima, onde se apresentam as mais recentes cronologicamente.
Eis o debate na íntegra:
Bruno Sá: Tivemos problemas nos votos de correspondência, importante abrir o voto, talvez nos núcleos. Quem não ganhar, que seja vigilante.
Frederico Varandas: Um apelo ao voto. Quem cuida do Sporting são os sócios. O momento mais importante de cuidar o clube é vir votar.
Bruno Sá: Mensagem final: O debate era esclarecer e apresentar propostas, não temos oportunidade de debater. O Sporting tornou-se um clube fechado. Ganhe o doutor Frederico Varandas ou eu, é importante não dar carta branca à direção. O importante é o presente. Há muitos sócios tristes. O doutor Frederco Varandas quer um clube de clientes, eu de sócios, quer altivez, eu sou humilde. Acredito que posso ganhar, espero tomar posse segunda-feira e terça-feira dar a volta contra o Bodo/Glimt e dar um abraço a todos os sócios.
Frederico Varandas: Mensagem final: Falo para quem vive o Sporting como eu e o Bruno. Durante décadas fomos o terceiro, o Sporting era achincalhado e o amiguinho. Hoje o Sporting é o alvo número 1 dos rivais, em nenhum caso de tribunal ou suspeição. Desde que chegámos, ninguém ganhou mais que o Sporting. Éramos o terceiro e somos o primeiro. Isso é que envergonha os nossos vizinhos, os rivais lá de cima. Não há maior orgulho que no Sporting a lutar pelo bicampeonato, pelos tops da Champions League. Fiquei traumatizado com campeonatos a 18 e 19 anos. Agora são três em cinco anos. Não vamos ganhar sempre, mas estranham se não competirmos e não lutarmos. Estávamos habituados a perder, agora estávamos a ganhar.
Frederico Varandas: A direção inverteu um ciclo de décadas de lapidação e venda de património. Não só não vendemos património, como recuperámos património. Aquisição do Alvaláxia, comprámos a empresa com 10 milhões de euros, valor total de 17 milhões de euros. Conseguimos negociar o pagamento a prazo. Comprámos a sociedade que detinha o imóvel. Vai ser extraordinário para a experiência do sócio e do adepto. Ninguém gostava do estádio, azulejo por fora, fosso, mau relvado, pinturas a amarelo e verde-alface. Hoje está reorganizado, mas custou muito dinheiro. A nascente está terminada, caminhamos para a poente e no verão caminhamos para as superiores. Faltam casas de banho e bares, vai ser feito até 2028, não conseguimos mudar tudo do dia para o outro. Também o investimento na academia. Vamos manter a academia, continuar a requalificá-la. O Sporting revolucionou a forma de comunicar, no canal do Youtube, vários programas, os rivais vieram atrás, a FPF também. Damos a conhecer o atleta ao adepto, criámos a Loja Verde online, o sistema gameback, onde abrimos o mercado secundário. Queremos uma aplicação nova, podemos revender o lugar de bilhetes de jogos que não foi. 80% das gameboxes eram pagas presencialmente, hoje 80% são via online, no conforto de casa. Venda de bilhetes para jogos fora, eram obrigatoriamente na bilheteira física, pessoas de madrugada para comprar bilhete, sócios a ultrapassar pessoas. O site ainda não é o site que queremos, há muita sobreutilização que rebenta o site. São sistemas informáticos com 20 anos, temos de ir mudando de forma upgrade. Estamos a fazer o investimento. A Loja Verde online é exemplo do sucesso e vamos mudar para uma plataforma universal, mais eficiente.
Bruno Sá: Foi apoiar o Zicky depois desta campanha? Património, gostava de explicar a Alvaláxia e questionar como jornalista. Já falei do meu plano. Transparência é essencial, investir nas modalidades, o site é essencial, a aplicação é essencial. Não faz sentido termos nove camisolas, isto é um clube de futebol, não uma Zara. É importante merchandising nos núcleos, desenvolver Sporting TV, canais de diálogo e debates. A questão do Alvaláxia gostava que esclarecesse e a questão do parque também? 35 anos, seis milhões de euros, falta de transparência.
Frederico Varandas: São três títulos. Temos de ter uma base da formação. Tenho de defender a sustentabilidade do Sporting. Depois do futebol profissional, o futebol feminino é a modalidade que o Sporting mais investe. Não é por investirem o dobro que vou atrás. Para mim era fácil meter dinheiro, contratar miúdas sem nada a ver com o Sporting e ganhar. O futebol feminino está muito longe de ser sustentável, a procura de patrocínios está muito aquém, o mercado é irrisório e temos de ir com calma e prudência. Não vou investir de forma irracional, pondo em risco a estrutura da SAD ou do clube, no voleibol e no futsal, só para dizer que tenho ou para ganhar. Não cedo à pressão nem ao populismo. O presidente do Sporting, quando o jogo acaba, vai embora. Quando ganha, quando perde, não quero estar nos holofotes nem no meio da quadra. Acha que ser presidente do Sporting é estar na tribuna a ver jogos, mas é dar apoio aos treinadores e jogadores. Dou o apoio quando precisam, quando perdem.
Bruno Sá: Estava nas Assembleias da SAD, 15 pessoas no máximo. Fui a algumas e já o conhecia. O seu ordenado é 100 mil, 200 mil euros. Se calhar dava para ser campeão europeu de andebol ou premiar as modalidades. O primeiro autoaumento foi feito depois de um despedimento coletivo. O futebol feminino tem de ser estruturado. Passámos de pioneiros para ter um título, ontem mais um resultado que não nos orgulha. Deixámos de ser pioneiros, temos de apostar na formação e captar apoios. Acabou com o futsal feminino. O meu plano é captar investimento, voltar a estruturar e apostar na formação e no scouting. Não há cabeça para estruturar o plano. Éramos pioneiros e temos um título.
Frederico Varandas: São mais de 140 títulos na modalidade. Ganhámos 3 Champions League no hóquei e um do mundo, Futsal temos 2 Champions League. Batemos o recorde de praticantes no multidesportivo, com mais de 7 mil atletas, recorde na história do Sporting. Coordenadores, diretores têm tudo contrato de trabalho. O financiamento das modalidades é alavancado pela quotização. Hoje são 18 milhões. Permitiu este investimento nas modalidades, qualquer modalidade por si só não é sustentável. Quanto aos auto-aumentos, está mal informados. Os órgãos sociais não se auto-aumentaram seis vezes. Há uma comissão de remunerações da SAD do Sporting com três pessoas. Em 2018 fizeram um ajuste salarial à prática de clubes da dimensão do Sporting. No final do segundo mandato, contrataram uma consultora especialista em remunerações, com um estudo exaustivo. Hoje, a Sporting SAD tem um processo transparente e clarinho, não há mais claro em Portugal, com exemplos de clubes e empresas da dimensão do Sporting e um sistema remuneratório fixo e variável. Se eu arriscar 200 milhões de euros para ganhar a Champions League e o clube não der lucro, não há prémio variável para ninguém. Anualmente vai a AG da SAD, passa pelos acionistas. O Sporting tem um processo transparente, tudo clarinho. Os rivais não têm este processo, deve orgulhá-lo e agradecer. Sobre o auto-aumento, eu se quisesse tinha-me auto-aumentado e aceitado um convite para ganhar 15X o que ganho.
Bruno Sá: É óbvio que nas modalidades, e falar disso com ele, quando raramente lá aparece. É esta a postura nas modalidades, sempre a fazer um frete. O ano passado no andebol, o Rui Borges presente e o doutor Varandas a dar de frostes. Temos de liderar pela presença e de dar um salto, investir no departamento comercial, premiar os títulos, investir numa academia de modalidades. Será desenvolvido um apoio constante aos pais, à formação, aos atletas. Em casas, o Sporting gasta mais de 500 mil euros, 800 mil euros, a cinco anos dava para construir uma academia. Não posso revelar [contactos com casas], mas se o doutor não quiser fechar o clube ao comercial, mas não pode ter medo das pessoas quererem ser presidentes do Sporting. Temos de investir muito no departamento comercial, abrir o clube.
Frederico Varandas: Trocámos oito relvados, mudámos este ano novamente os relvados, requalificámos os quartos dos miúdos, a ala profissional, transformámos um sintético não usado num ginásio open-space. Para além dos 43 jogadores na A, foram mais de 230 milhões em jogadores da academia. O projeto é formar jogadores para a equipa A.
Bruno Sá: Essencial investir em infraestrutura. Os jogadores têm de estar no Sporting. No Mundial Sub-17 estava um jogador do Sporting. Os sub-16 treinam em meio-campo. Que investimento fez?
Frederico Varandas: Aurélio Pereira que apoiou a direção e esteve na academia como consultor até à sua morte.
Bruno Sá: O Nuno Mendes foi no primeiro ano que o Ruben Amorim chegou ao Sporting. Os jogadores crescem a perder. Temos de avaliar o modelo. Prefiro o modelo Aurélio, mais livre.
Frederico Varandas: É difícil assim. Não o perdemos, temos mais campos, mais campos que o Benfica, mais tempo. Vai começar um investimento de três milhões de euros para aumentar o que temos. Futebol de formação, desde que temos a academia do Sporting, 88 jogadores formados na academia chegaram à equipa A. 43 foram em sete anos. Este é o grande objetivo. Dos 43, muitos chegaram à equipa A, tiveram rendimento e foram vendidos. Acho que há um João Simões, um Quenda, um Blopa, um Nuno Mendes. Quer que continue?
Bruno Sá: Estava lá sozinho e hoje está lá o Benfica.
Frederico Varandas: Mentira. Isto não é um debate. É um debate estratosférico. Vamos por perguntas então, é a sua veia jornalística. Polo universitário, o Sporting tinha determinadas condições. Hoje temos mais campos e mais utilização, vamos iniciar uma obra de requalificação. O polo não é nosso. De quem é o polo universitário.
Bruno Sá: O Sporting perdeu o polo para o Benfica.
Frederico Varandas: O Sporting faz jogos-treino contra todas as equipas.
Bruno Sá: Sub-15 fazem jogos treino no Seixal?
Frederico Varandas: Treinam na pequena área, em meio-campo e campo inteiro, depende do que o treinador entenda.
Bruno Sá: Sub-16 treinam a meio-campo? Sub-15 fazem jogos treino no Seixal?
Frederico Varandas: É mentira.
Bruno Sá: Você é que é o médico, está tudo bem. Queria reforçar já o clube neste mercado de inverno. Conversar com o treinador e reforçar para a próxima época. Falando na formação, uma bandeira do doutor Frederico Varandas, temos de avaliar as infraestruturas. Frederico Varandas ri-se e chama nomes às pessoas. Os sub-16 treinam em meio-campo? Perdeu o polo da universidade?
Frederico Varandas: É profundamente ignorante em termos clínicos. Qual foi a lesão do Nuno Santos. Não demorou mais.
Bruno Sá: O Ioannidis e o Debast voltaram e lesionaram-se, o Nuno Santos demorou o dobro.
Frederico Varandas: Isto é sobre o projeto desportivo. O Sporting tem um treinador chamado Rui Borges, mudou o sistema, é bicampeão, a lutar pelo tricampeonato, na meia-final da Taça de Portugal, sétima equipa na Europa. É o projeto desportivo. A decisão sobre Rui Borges está tomada e não vou usar na campanha eleitoral, como fazem noutros clubes. Nunca o fiz e não o faço. Não prometo títulos nem venho com nomes de jogadores e treinadores. De quatro em quatro anos, os adeptos do Sporting são convidados a escolher o rumo do clube. Das lesões, nove são traumáticas. Não há prevenção. Veja como está o Athletic, o Manchester City, o Real Madrid. As grandes equipas europeias têm muitas lesões pela intensidade que há. O Sporting joga contra as melhores equipas do mundo, quase sempre duas vezes por lesão. As lesões a prevenir são as musculares. Teve o Diomande na Supertaça, o Pote e o Ricardo Mangas. As restantes são traumáticas, do contacto físico. Conseguimos sempre dar resposta. Que venham mais cinco épocas assim, se calhar conseguimos ser penta.
Bruno Sá: Você é um sonhador. Disse aos jogadores que daqui a três anos estão num grande clube. Diz isso ao Ruben Amorim. Tem tudo menos sonhador. Desculpe lá, mas autista é você.
Frederico Varandas: Está em versão autista a repetir a frase da cassete que meteu em repetição. Os resultados falam pelo rumo e resultado desportivo. O treinador mudou a tática, o Sporting está na luta pelo tricampeonato. Cresci com os outros a fazerem pentas e tetras, o Sporting está na luta pelo tri.
Bruno Sá: Sabia que o Rui Borges ia mudar a tática e não se preparou. Você não tem rumo no pós-Amorim.
Frederico Varandas: Vamos a factos. Desde 2018 a hoje, o Sporting investiu 440 milhões de euros em jogadores e vendemos 750 milhões, 310 milhões de lucro. Além do sucesso desportivo, sucesso financeiro. Não conheço nenhum clube com assertividade 100%. O Sporting não acerta, mas são poucos os clubes com a percentagem de sucesso do Sporting. O Ruben Amorim não escolhia um jogador. Era parte do sucesso. Diretor desportivo, diretor de scouting, treinador. Apresentam uma lista e o treinador diz qual prefere. Foi feito assim e o sucesso está à vista. Qual o lugar do Sporting o ano passado? Campeão. Quantos titulares perdeu? Um titular, o Gyokeres. O Sporting é campeão, perdeu um jogador e quem foi buscar? Um titular para substituir um titular.
Bruno Sá: No verão foram dois avançados referenciados pelo Ruben Amorim. Janeiro passado o Biel e o Rui Silva, esta ano o Luís Guilherme e o Faye.
Frederico Varandas: Vou explicar o processo. Primeira pessoa: treinador, diz o que precisa, jogador da posição e com as características. Depois o diretor de scouting.
Bruno Sá: Até o Suárez foi escolhido pelo Amorim.
Frederico Varandas: O modelo foi centrado em 2019. Isto não é um debate, é um sócio que veio esclarecer dúvidas. Sabe quem é Francisco Tavares? Coordenador da unidade de performance, convidado para ser diretor de um clube de top-4 da Premier League, não digo o nome para não ser elegante. Pedro Araújo, diretor do departamento clínico, convite para ir para clubes da Arábia Saudita. Tenha orgulho nos seus colaboradores. O top-5 da Premier League quer o meu head phisio, o diretor clínico e diretor da unidade de performance. Tenha orgulho. Seja Ruben Amorim, seja Rui Borges, nenhum treinador escolhe coordenadores da formação ou do staff do Sporting. A função do treinador do Sporting não é escolher. Não escolhem no Sporting. Diz que não há estratégia e que não dou as mesmas condições a Ruben Amorim e Rui Borges. Aqui dou razão. O Rui Borges teve o maior investimento da história do Sporting, são 100 milhões de euros esta época, o maior. O Ruben Amorim não teve estas condições. Os sócios têm de saber o trabalho e os resultados. Somos bicampeões e temos a dobradinha, ainda não há títulos em novembro. São nove títulos em futebol profissional, a mais titulada em 120 anos de história do Sporting. Pela primeira vez na história, o Sporting está abaixo do número 20 do Ranking UEFA, estamos em 18.º. O Sporting tem o plantel mais valioso pelo segundo ano consecutivo nas ligas a seguir ao top-5 europeu. Quem escolheu Ruben Amorim? Foi o Bruno, o adepto que me disse ao ouvido. Desde que o Ruben Amorim saiu, o que aconteceu? Fomos bicampeões, ganhámos a Taça de Portugal.
Bruno Sá: Treinador da equipa B era amigo, diretor-desportivo invisível era amigo, tática da formação escolheu.
Frederico Varandas: Hoje é fácil dizer que o Sporting ganha e que os dois primeiros anos foram um desastre. Ponto de partida em 2018, nas eleições mais concorridas de sempre. O estado do Sporting era crítico. Achavam que era possível um clube sem ganhar campeonatos há 17 anos começar a ganhar títulos do nada. Falam como se fosse possível ganhar logo. Parece que Ruben Amorim me ligou a dizer que queria treinar o Sporting. Foi contratado contra a opinião de 99% dos adeptos do Sporting. Dizer bem do Ruben Amorim é dizer bem da minha direção. É um dos melhores treinadores da história do Sporting e quem o contratou? Falam de um all-in. Quando terminámos em quarto lugar, investimos 44 milhões de euros. A seguir, um all-in de 38 milhões de euros. É essa a dificuldade, traçar um caminho. O problemático não é perder, mas mudar de rumo quando se perde. Investimos menos no ano do quarto lugar. Eu rio-me com o all-in. Treinadores desastre? Sabe quem foram os mais bem sucedidos? Ruben Amorim, nomeado por esta direção, Rui Borges, esta direção, Paulo Bento, Miguel Ribeiro Teles. 4.º treinador? Essa desgraça chamada Marcel Keizer, conquistou mais títulos que nos anos anteriores. Dos quatro treinadores mais bem sucedidos, três foram com esta direção. Como ei de sentir o fim de ciclo? O Sporting é bicampeão nacional. Quem conquistou? Rui Borges. Dobradinha? Rui Borges. À data de hoje, temos mais três pontos que na época anterior. Meia-final da Taça de Portugal. Estamos nas 16 melhores equipas da Europa, nas seis épocas são quatro na Champions League e duas nas 16 melhores equipas da Europa. Orgulho-me de ter escolhido Ruben Amorim, um treinador na história do Sporting. Vai ser recordado para sempre. Quem ele trouxe ao Sporting?
Bruno Sá: Fui a favor. Disse que estávamos com problemas de tesouraria, mas estranhei. Analisando…
Frederico Varandas: A fotografia é do tempo em que era diretor clínico. Os jogadores faziam exames de borla. Eu era diretor clínico do Sporting, abri as clínicas em 2015 e até 2019 tinham condições melhores. Faziam lá os exames de borla. 0 euros pagos do Sporting às clínicas. Fui eleito em 2018, em setembro, e nos primeiros meses reorganizei o departamento médico e não foram precisos recursos externos, tirando o grupo CUF com quem temos parceria. O departamento clínico hoje tem Raio-X, ecografias. Entre 2002 e 2018 foi 0 investimento. Eu, no meu caso, como diretor clínico, usavam a clínica de borla. O Sporting tem condições de luxo. Vamos falar do futebol. Apresenta-se sem dizer um único nome. Tocou no assunto Ruben Amorim. Meto a primeira questão: como aparece Ruben Amorim? Já estava no Sporting? Fiquei quietinho a usufruir das suas vitórias? Foi contratado por esta direção. Vamos recordar o processo da sua contratação. Foi a favor dos 10 milhões?
Bruno Sá: Tenho uma foto do tempo do Jesé, não sei se é verdade. Continua a ser fora do clube.
Frederico Varandas: A última pessoa que disse isso está no tribunal.
Bruno Sá: Você é o maior populista que esteve no Sporting. É com este senhor que aqui está. Mandou toda a gente embora e não arranjou alternativa. Os GOA fazem parte da história do clube, tem de haver diálogo. Não se pode ganhar sempre, mesmo quando ganha o senhor não quer falar, imagine quando não ganharmos. Não há diálogo com os GOA, com as pessoas. Saem todos, tiram-se as salas. Só pensa em negócio, não quer saber das pessoas. O grande mentor do projeto de futebol do Frederico Varandas foi Ruben Amorim. Há um pré e há um pós. Recordo-me que o presidente disse há dois anos que não era obrigatório ganhar ao Marselha ou à Atalanta. É normal perder com o Bodo/Glimt. Há um pré Ruben Amorim, com muitos treinadores, depois entregou a academia. Depois do pós Amorim houve o desastre João Pereira, o Rui Borges é muito humilde, não se queixou, mas a corda vai partir. Já se houve os cartilheiros. O ano passado no mercado tivemos o Rui Silva e o Biel com 12 lesionados, este ano no verão substituímos dois grandes jogadores, o Harder e o Gyokeres, por dois jogadores da lista do Amorim, o Suárez e o Ioannidis. Mais um mercado vergonhoso em dezembro, em três frentes e há uma ausência de rumo. O Sporting tem de ter um modelo do clube, o treinador só mais uma pessoa. Temos de ter scouting de excelência, investir na formação, investir em infraestruturas e instalações. O Doutor Frederico Varandas avisou que íamos investir num departamento médico. Queremos ganhar mais e tratar melhor as pessoas. O modelo não pode estar sempre nas mãos do treinador. Rui Borges? Tendo em conta o que o doutor Frederico Varandas dá ao Rui Borges e o que ele nos deu, já teria renovado. Eu chegando, teria de analisar e ver os resultados, nunca disse que entrava e renovava. Quando Ruben Amorim saiu, não se percebe escolher o Rui Borges. Com 12 lesionados, se desse dois jogadores, teria de agradecer o carácter e o que ele conseguiu. É por lá que vai partir a corda, basta ouvir o que disseram as pessoas que trabalham com Frederico Varandas na televisão. Não vale a pena fazer leilão de nomes com diretor desportivo, não está a trabalhar, mas começará quando for eleito. As pessoas vivem muito no passado e estão a entender que não há um rumo. Estou preparado para entrar já, mas se não ganhar estarei vigilante. Nenhum presidente ou treinador terá carta branca. Os jogadores que vamos buscar em dezembro têm de conhecer o campeonato português e entrar no onze. Perdemos o Alisson e vieram jogadores que não sabemos o que vão dar. Estamos a ter as dificuldades que se previam. O ano passado 12 lesões, este ano 10. Bragança operado fora do clube, Trincão e Pote tratados fora dos clubes, Ioannidis, Debast, Nuno Santos lesionados. Temos de ir buscar os melhores profissionais. Não percebo se vamos recrutar serviços fora do Sporting. Quando entrar tenho de ir buscar profissionais de excelência e um departamento do Sporting, não como o Frederico Varandas fazia no início do mandato com a sua clínica.
Frederico Varandas: O candidato Bruno tem de me deixar falar, tem de se calar. A preocupação dos adeptos, não só nos preocupamos como sabemos o grau de satisfação. Fazemos todos os jogos um inquérito de satisfação. Havia quatro entradas e hoje há 16. O grau de satisfação é 8. Temos torniquetes de última geração, fosso fechado, pintámos cadeiras, tirámos azulejos. Existem inquéritos de grau de satisfação e sabemos os pontos fracos. Disse que me acho maior do Sporting. Estou no Sporting por missão e entregarei um Sporting muito melhor do que quando chegámos. Está 100X melhor. Quero lá saber do Frederico Varandas, quero é saber do futuro do Sporting. Não quero o meu nome em lado nenhum. O que interessa o Frederico Varandas? Quero títulos e que as gerações do meu filho continuem a ser Sporting. Respeito todos os adeptos, porque existe o Sporting. Estes grupos estão para servir o Sporting e não o contrário. O Sporting não tem problema com os GOA, não quer a extinção de nenhum. A nossa política é clara. Estes grupos de adeptos exigem porque existe o Sporting. GOA’s. O Sporting não tem problemas com os GOA. Só há um grupo que aceitou ser grupo oficial, a Brigada. O Diretivo, Juventude Leonina e Torcida não querem estar na zona dos adeptos, não há problema, pagam gamebox e estão na sua zona. O Sporting agradece porque foram fundamentais nos inúmeros títulos conquistados. O Sporting gostaria de lhes dar melhores condições. Visitámos o estádio do Dortmund, do Leipzig, procurámos informações sobre os safety stands. Eles recusam-se a ir para a zona de adeptos porque não querem ser identificados, mas todos os adeptos devem ser identificados. Querem ter uma safety stand, o Sporting quer fazer isso, mas têm de ir para a zona especial de adeptos, não pelo Sporting, mas pelas leis. O Sporting precisa do espaço, está em conversações com os Leões de Portugal porque precisa do espaço. A prioridade é o Sporting Clube de Portugal. O ténis de mesa está a treinar fora de Alvalade, uma modalidade que dá muito ao Sporting. O que tenho de fazer aos Leões de Portugal? Ou era o bilhar ou fechávamos o fosso. Populismo de que o presidente do Sporting não ia ao pavilhão.
Bruno Sá: O seu problema é falta de humildade, não é maior que o Sporting. Sabe que vai ganhar as eleições.
Frederico Varandas: O gratificante é que os sócios têm orgulho nos valores e nos títulos. Hoje chego à escola do meu filho e 2/3 dos miúdos são sportinguista. O Estádio tem 50 mil lugares e temos 120 mil sócios com as quotas em dia. Queria ter 120 mil lugares. Vendemos mais gameboxes hoje. Temos 30 mil gameboxes vendidas e 16 mil em espera porque gostam de ser maltratados e ir ao estádio perder campeonatos. Gostamos da família e dos sócios.
Bruno Sá: Você está sempre no camarote e olha as pessoas de cima. Acabou de chamar ignorantes aos sócios.
Frederico Varandas: Acho que basta agarrar nos factos. Em 2018, quando a direção tomou passe, havia 74 mil sócios com quotas em dia, hoje são 120 mil. O Bruno insiste na história de que o sócio é mal tratado. O sócio deve ser masoquista ou atrasado mental. São 120 mil sócios atuais e vivos. O Bruno acha que o sócio é masoquista e como o presidente o trata mal, vai fazer-se sócio. Há pessoas que se acham donas morais de amor ao clube. Eu tenho uma forma de ser como presidente, mas sou sócio e sportinguista. Há pessoas que não fazem noção do que é estar neste cargo, da pressão, do estofo que é preciso ter para aguentar a pressão diária. Fala no Sporting dos sócios, de ir ao pavilhão, de bater no peito e dizer Sporting. Isso não é ser presidente do Sporting. Sou sócio desde que nasci, o meu avô era dos sócios mais antigos do Sporting, o meu pai, o meu irmão, eu sócio desde que nasci. Atleta desde os três anos. A minha tia-avó trabalhou na ginástica, colega do professor Reis Pinto, a sobrinha era professora da ginástica, a minha prima a ginasta mais medalhada do Sporting. Não me ensina a ser Sporting. Sou sócio desde que nasci, atleta desde os três anos e sofri a minha vida toda a ver o Benfica e o FC Porto em cima. Sofri a ouvir a brincadeira de que chegávamos ao Natal, do terceiro lugar. O Bruno é da mesma geração que eu. Nunca usei isto nem estas coisas. Nestes 40 anos, sabe porque é que o sócio é feliz. Porque ganha e vê os nossos rivais abaixo, coisa que eu nunca vi. O meu pai com 71 anos nunca viu.
Bruno Sá: Gostava de debate de ideias. Não participam, vão votar e vão embora. Parece óbvio para toda a gente, menos para Frederico Varandas, que os sócios não têm direitos. Raramente vai ao pavilhão, há um desligar claro dos sócios. Disse que queria unir os sócios, que era das claques e que tinha membros das claques na direção. É estranho falar em sócios com estes critérios de bilhética. Raramente vai aos núcleos, marca jogos para horários que não permitem, o site está como está. Criou uma bancada para pessoas tirarem selfies. Este é o Sporting dos clientes, o meu é dos sócios. Prefere uma green list com gente de espera e obras apenas na central. Acho esta direção um bocado alérgica às pessoas. A parte comercial está criada, o ideal é um meio termo. Recorda-se de pessoas com bilhete de época e gamebox há mais de 20 anos e foram obrigadas a sair do sítio, acordo com uma claque para ir lá para cima. Na porta 10 não há revista, na porta 8 e 9 acontece o que acontece. Respeito o caminho, é o caminho da alergia às pessoas. Tem de haver uma reunião imediata com os núcleos, reunião com os GOA, proveniência dos sócios, rever os sites. Ninguém pode ficar de fora. Todos os sócios são importantes. Quem tinha lugar no estádio há mais de 20 anos não pode ser excluído. Tem de haver uma bancada para todos com bilhetes a 10 euros. O Sporting está muito virado para os corporate. Há 2.000 novos lugares destinados a instagramers e influencers. De que interessa ganhar, mas com a família lá fora.
Frederico Varandas: Vou tentar ser breve. É falso que tenha dito que o Chelsea entrasse no Sporting. No nosso plano estratégico a 10 anos, e foi dito em entrevistas, temos prevista a entrada numa proporção minoritária, de um parceiro estratégico que possa alavancar o Sporting e fazer o clube crescer. Não há nada em concreto. A maioria do capital da SAD deve manter-se no clube e vai-se manter. Como afirmámos em 2022 e antes, temos prevista a entrada de minoria de capital da SAD de um parceiro, mas tem de ser um parceiro que promova uma sinergia e o crescimento do clube. A decisão será sempre levada a AG, como também foi a compra do Alvaláxia. Não sei se o Bruno estava na AG. Sabe qual a média de participantes antes de chegarmos? 300 a 400 pessoas. A média hoje é de 6.000, mas ninguém quer participar, antigamente é que era bom, ser restrita a 300 eloquentes e notáveis. A AG devia ser por uma minoria que controlava o clube. Hoje as AG são abertas de manhã até ao horário do jogo, com pessoas a ir lá votar. Os sócios são burros. O Bruno é que gostava do modelo de AG para 200 pessoas. Existem dois períodos de questões a órgãos sociais do clube. A sua dificuldade é que os sócios estão muito contentes com o Sporting. Vamos ver se estão contentes.
Bruno Sá: Pelo mercado de dezembro, não quer ser campeão nacional. Já apresentei os meus responsáveis, Diogo Pinto Sousa, diretor financeiro da Microsoft Suécia. A minha preocupação, e o Frederico diz bem, as nossas AG’s não têm possibilidade de debater ideias. Exijo preocupação. Tenho receio de ser a Troika do Sporting. O Frederico faz-me lembrar uma pessoa que esteve no governo, empurrava tudo com a barriga e tivemos de chamar a Troika. Se contabilizarmos 28 anos a juros, falamos de um passivo de 900 milhões de euros. Continue a ofender-me, é a forma de fazer quando não tem razão. Não conseguiu justificar. Entrada de capital externo na SAD? Quero esclarecer, é a oportunidade de perguntar a Frederico Varandas, nas AG ninguém fala. Sobre capital estrangeiro, para mim é óbvio, tem de passar pelos sócios. Falou da possibilidade do Chelsea, não fala nem esclarece. Para mim é claro, nunca vender a maioria da SAD, entrada de capital minoritário, teria de passar pelos sócios. A decisão é dos sócios. Não esclarece, não é transparente, não desmente. A dívida é maior, quer dizer que vai entrar capital estrangeiro, não disse que era a maioria. Serei também presidente da SAD.
Frederico Varandas: Este debate vai ser típico e acho que vou falar 80% do tempo. Não ouço uma ideia, só perguntas. O candidato Bruno falou de várias coisas. Disse que o Sporting cresceu do ponto de vista comercial. Em 2018, as receitas de negócio do Sporting eram 42 milhões, hoje 75 milhões. Crescemos 78%, mas diz que comercialmente não estamos muito bem. Merchandising eram cinco milhões de euros, hoje 17 milhões. Loja verde online em 2018 eram 500 mil euros, hoje quatro milhões. Oito vezes mais. Por isso eu tenho de falar mais. Tenho todo o prazer e agradeço a sua candidatura por me permitir esclarecer. Isto é uma entrevista com um à esquerda e um à direita, mas devia estar mais bem preparado para as questões. A dívida aos fornecedores aumentou três vezes. Sabe porquê? Quando não se paga entra-se em incumprimento, como quando cheguei ao Sporting. A dívida aos fornecedores refere-se a compras de jogadores. Sabe o que mudou? Antes o volume de negócio do Sporting era 120 milhões, hoje é 260 milhões. Se fazia 120 milhões e agora faço 260 milhões, se calhar vou investir mais porque quero ser campeão nacional.
Bruno Sá: Não será a contrair empréstimos de 225 milhões. O Sporting fechou o clube a muita gente, temos de investir no departamento comercial. Queria falar de outras coisas. Foram seis vezes que o presidente se auto aumentou.
Frederico Varandas: Fizemos um plano a 10 anos. Existe uma plataforma da KMG, onde o Sporting foi destaque e referência a nível europeu do que era o exemplo da gestão económica, financeira e desportiva. Como sportinguista, isto devia orgulhá-lo. Existe muito desconhecimento da sua parte.
Bruno Sá: Exijo que quem lá está, e tem de tomar decisões, exijo transparência. Um dia teremos de pagar estas dívidas. Não contabilizei os juros a 28 anos. É bom investir, mas interessa-me a transparência e o futuro do Sporting, não empurrar com a barriga para a frente. Nem sabe se está cá no futuro.
Frederico Varandas: Disse que tínhamos um passivo de 200 milhões e agora é de 500 milhões de euros. Há um pormenor que o Bruno não percebe. Quando chegámos em 2018, o Sporting tinha 50 milhões em incumprimento, 40 milhões desses a clubes e jogadores fora do fair-play financeiro. Para o Bruno, dívida é só dívida. Existe dívida corrente, incumprida e a longo prazo. O Sporting tem uma dívida estruturada. O Bruno é um grande sportinguista, um grande empreender e tem noção das regras, mas quem faz este rating, as melhores agências do mundo, consideram o Sporting um projeto sólido. É de tremenda ignorância o que está a dizer. Não é igual. Houve um pedido de insolvência quando chegámos. O Sporting hoje tem 0 incumprimentos. O passivo duplicou para duplicarmos as receitas. Vamos às dívidas. Sabe quais os fornecedores de que estamos a falar? O aumento deve-se à compra de jogadores, a investimentos. Isto vai ser linguagem corriqueira. Sabe o que interessa no balanço da empresa? Ativo contra passivo. Estou a esclarecer os sócios. Passivo: aumentámos o passivo investindo. Sabe qual o valor do plantel do Sporting em 2018? 148 milhões de euros. Era o ativo do Sporting. Hoje é 470 milhões de euros, o plantel. Tenho de explicar os factos. O Sporting está confortável com este passivo, o ativo triplicou.
Bruno Sá: Só a forma como entrou no debate mostrou o respeito, com uma história falsa. O respeito não se apregoa, faz-se.
Frederico Varandas: Não é má intenção, mas é importante esclarecer. O Bruno disse que tínhamos 36 milhões de dívidas aos fornecedores.
Bruno Sá: Só soube da minha lista depois de a ver publicada pelos jornais. Não tenho explicação para isto. A minha lista saiu cinco minutos depois, a sua um mês. Não podemos ser profetas da verdade, estes são os factos. Em relação a factos [empréstimo]. Conheci Frederico Varandas numa AG quando ganhou as eleições. Mostraram preocupação no passivo de 200 milhões, a minha com 500 milhões é maior. A herança pesada era 35 milhões de euros de dívidas aos fornecedores, hoje é 119 milhões de euros. Gostava de saber como vai ser usado o investimento. Ele é muito bom, mas é importante saber quem paga. Investimento na academia? Há falta de relvados, os sub-16 jogam em meio campo. O polo universitário é dominado pelo Benfica. Preocupa-me passarmos de 36 milhões de euros em dívida para 119 milhões. É estranho continuar-se a autopremiar e a aumentar administradores, com passivo de 500 milhões de euros.
Frederico Varandas: Se vamos pelos apartes. Eu não faço ideia de como é o boletim de voto desta eleição, mas os responsáveis estão lá e podiam explicar-lhe tudo. É a minha terceira vez em eleições e nunca quis ver nenhum boletim. Confio neles. Os orgãos são independentes e distintos. A Mesa da AG organiza o ato eleitoral e só soube que seria lista B, do dia das eleições e do dia do debate.
Bruno Sá: A minha primeira grande dúvida, o investimento é louvável, mas a minha questão é: quem paga? Um aparte em relação aos sócios. Recebi de manhã uma carta. Tenho muitos amigos nas modalidades, vivo junto de jogadores de futebol. O Frederico tem experiência em eleições. Gostava que me esclarecessem que o boletim de voto tem um código que identifica em quem cada atleta vota. Mandaram-me isto hoje de manhã. É o respeito pelos sócios, saber em quem cada pessoa vota, falar com os atletas.
Frederico Varandas: O Bruno tocou em vários assuntos, falaremos em cada departamento. Em relação às finanças, mais um ano de resultados líquidos positivos, o quarto ano consecutivo. Compreendo a questão que o Bruno pôs. Acusou-me de autoelogio. O meu debate vai ser apresentar resultados do trabalho. São factos e resultados, se são elogiosos ou não, os sócios dirão. Daqui a umas horas, os sócios dirão de sua justiça. Mais um ano de resultados líquidos positivos, nas seis épocas preparadas do início ou fim, tivemos lucro em cinco. Não tivemos uma, nenhum clube teve, foi no ano da pandemia. Essa é a nossa linha. É importante garantir a sustentabilidade do Sporting, que não o possamos pôr em risco por uma conquista ou um título. Apresentámos lucro num valor acumulado de 82 milhões de euros. Não é fácil encontrar na Europa algo semelhante. No passivo, têm falado. O Sporting aumentou o passivo de forma estratégica. Era o momento de o fazer. Tínhamos duas vias para governar o Sporting. Nos 16 anos antes de chegarmos ao Sporting, não houve investimento no Sporting. Viu-se o resultado, não só desportivo, mas na degradação de património e infraestruturas. A partir de 2018, de forma comedida e possível, primeiro equilibrar as contas e depois investindo, investimos com capitais próprios na academia, no polo universitário e no Estádio. Os resultados estão à vista. O que foram 16 anos sem investimento e sete com investimento. Para o Sporting continuar a investir e a ser competitivo, ou continuávamos com capitais próprios – com receita para investir, receita operacional ou venda de jogadores – ou podíamos financiar-nos. O Sporting goza de uma credibilidade financeira, dita pelas agências de rating, altamente credível. Foi assim o acordo de 225 milhões de euros, um empréstimo onde lançámos dívida a 28 anos. Investimos para outra dimensão, era o momento cirúrgico para o fazer. O mercado deu razão ao Sporting. O Sporting teve procura 9X mais, de 2 mil milhões que quiseram investir no Sporting, investidores de referência. Fomos ao mercado, assessoria da JK Morgan, e o crédito de risco foi avaliado e significa que o Sporting é credível e os investidores queriam mais dívida. Apresentámos um plano estratégico com mais de 100 páginas. Com este investimento, o Sporting dobrará as suas receitas em 10 anos. Com o Alvaláxia, hoje a receita é 0. Fizemos a aquisição do espaço. Vamos promover um espaço chamado José Alvalade, que vai pôr o Sporting noutro patamar, com Alvaláxia, espaços de restauração, lojas físicas, museu de outra geração e toda uma interação. Vão ser detalhados brevemente. Estes 225 milhões de euros são confortáveis. A receita que vai ser gerada pelos investimentos vai pagar confortavelmente os custos do empréstimo.
Bruno Sá: Esclareço o debate. Na primeira vez que me desloquei ao estádio, falei com João Palma e perguntei se haveria debate. Não me responderam. Uns dias depois, não me responderam. Mais tarde fui contactado, no caso a minha mulher, mandatária, para dia 4. Tenho de me dar a conhecer aos núcleos, o presidente não passa por lá desde que foi eleito. Propus dia 12. Noto preocupação pelos votos correspondentes. Esse respeito que o doutor Frederico Varandas diz que tem pelos sócios, talvez estivesse na altura de descentralizar o voto. Tanto respeito pelos sócios, não se dignou em fazer entrevistas, falar com os sócios. Quis sempre fazer um debate. Tenho pena que venho cansado, mas era a única data disponível, não me fazia sentido falar antes de me dar a conhecer. Não me candidato contra ninguém, mas pelos sócios, não pelos clientes. O Frederico Varandas quer um club entertainer, eu um clube voltado para as pessoas. O Sporting vive um grande distanciamento das pessoas, é difícil participar na vida ativa, as AG’s não têm pessoas. Estou aqui pela democracia e pelo debate. Há muita coisa a melhorar, não interessa só ganhar, mas ter as pessoas presentes. Não há plataforma nenhuma para discutir, aproveito então por estar aqui.
Frederico Varandas: Só uma nota antes de começar. Não tenho como demonstrar o meu incómodo de fazermos o debate 36 horas antes de abrirem as urnas, não por eu, enquanto candidato, ter chegado às 6h30 da manhã e ter pela frente um dia de trabalho, estou com uma direta em cima. Isso é o lado menor. Já 25 mil sócios puderam votar por correspondência. Houve uma falta de insensibilidade por não haver uma data. Era evitável e lamentável. Quanto à questão, os sócios do Sporting conhecem-nos e conhecem a minha equipa, e sobretudo o que foi feito desde 2018. Lançámos um documento com um plano estratégico a 10 anos, para lá deste mandato. Entendemos que é o caminho a seguir pelo Sporting. Neste debate poderemos olhar para as várias áreas em pormenor. A decisão da recandidatura pretende ser continuar o que começámos, sem esquecer o ponto de partida, um clube há 17 anos sem ser campeão nacional, frágil do ponto de vista financeiro e socialmente em conflito. Hoje o Sporting é como qualquer adepto quer ver o clube, que é liderar o desporto em Portugal. Desde 2018 ninguém ganhou mais campeonatos que nós no futebol, mais títulos nas modalidades, com equilíbrio financeiro e em respeito aos valores financeiros. Passámos de um gigante adormecido, o terceiro grande, para o número 1. São factos.

