Há campeonatos disputados até à última jornada e há campeonatos que se resolvem muito antes de o calendário chegar ao fim. E quando ainda estão na mesa 24 pontos possíveis, já é seguro dizer para entregarem a Meisterschale ao Bayern.
A diferença de largos pontos para o segundo lugar, onde vigora o Borussia Dortmund, que por acaso também tem uma larga distância para o terceiro classificado, faz com que não restem muitas dúvidas sobre quem será o campeão alemão desta época.
O verdadeiro desafio está na incerteza de quem ainda sobe ao pódio, ou de quem leva apenas a menção honrosa. O Hoffenheim tem mantido o lugar algo seguro, mas atenção… porque nada poderia ser assim tão simples na Bundesliga, o Stuttgart, o Leverkusen e o RB Leipzig ainda lutam pelo acesso direto à Liga dos Campeões.
Portanto, apesar do título estar entregue, ainda há muito para acontecer nas últimas sete jornadas. Mas olhemos para o clube que merece o verdadeiro destaque: Bayern de Munique.


O Bayern não está apenas na frente da classificação, está vários passos à frente de toda a concorrência. A equipa bávara voltou a demonstrar algo que, nos últimos anos, se tornou quase uma marca registada, uma capacidade impressionante para transformar uma liga competitiva numa corrida onde os rivais ficam, gradualmente, para trás.
Há algo de inevitável neste cenário. Quando o Bayern encontra estabilidade, qualidade no plantel e um goleador implacável na frente, o resto das equipas passa grande parte da época a correr atrás de uma sombra. E nesta temporada, essa sombra tem novamente o rosto de Harry Kane. O avançado inglês não trouxe apenas golos; trouxe também a sensação de que o Bayern tem sempre uma solução para desbloquear jogos complicados.


Com 32 anos, e um passado na Premier League, Harry Kane é o nome que os alemães ou amam ou detestam. Quem o vê chegar à pequena área, já sabe que o desfecho será um: a bola a bater nas redes. Os adeptos do Bayern ficam na expectativa de gritar golo, e os adeptos adversários já tapam os olhos em ansiedade.
Mas, apesar do goleador inevitável (e não único neste Bayern), do outro lado, os rivais tentaram acompanhar. O Borussia Dortmund, por exemplo, voltou a mostrar momentos de qualidade, enquanto o RB Leipzig procurou manter-se na perseguição. Mas competir com o Bayern exige algo que raramente se consegue manter durante nove meses…perfeição.
E é aqui que reside o verdadeiro problema, ou entusiasmo, da Bundesliga. Não é que falte qualidade ou emoção, é que quando o Bayern engrena e decide que está a jogar para ganhar não só o jogo como a liga, a margem de erro para os outros desaparece. Um empate aqui, uma derrota ali, e a distância transforma-se rapidamente num abismo.


Por isso, mesmo que o título ainda não esteja minuciosamente decidido, a sensação é clara de que o Bayern já colocou as mãos na Meisterschale. Falta apenas o momento oficial da consagração.
E, olhando para a história recente da Bundesliga, há algo que já não surpreende ninguém é que quando o Bayern quer realmente ser campeão, normalmente é. E que bom é voltar a ver o gigante da Alemanha a reerguer-se.

