Clássico escaldante embala Sporting CP para o tricampeonato | FC Porto 30 – 33 Sporting CP

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O que se viveu no Dragão Arena foi muito mais do que a 1ª jornada da fase decisiva do campeonato. Foi um clássico carregado de tensão, polémica e intensidade, daqueles que deixam marcas, dentro e fora de campo.

O clássico entre FC Porto e Sporting começou com 20 (!) minutos de atraso. Um odor “intenso” e “tóxico” (assim descrito pelos responsáveis do Sporting) fez com que Christian Moga e o técnico principal Ricardo Costa tivessem de ser assistidos no local, sendo que ambos não deram o seu contributo à equipa, num caso que certamente irá fazer correr muita tinta e gerará muita polémica, num momento em que a tensão entre ambos os clubes começa a alastrar-se para todas as modalidades.

Já dentro do período de aquecimento, uma altercação entre alguns adeptos do FC Porto e os jogadores do Sporting Salvador Salvador e Martim Costa, incendiou ainda mais o ambiente, obrigando a intervenção policial.


Esse incidente fez com que os jogadores do Sporting tivessem de se equipar nos corredores de acesso ao balneário, enquanto a direcção do FC Porto agilizava a ida do Sporting do balneário 4 (onde o Bola na Rede esteve presente, e pôde detectar um cheiro bastante intenso e desconfortável quatro horas depois), para o balneário 3, esse já em perfeitas condições. 

Em declarações ao Bola na Rede, Mário Santos (o director geral para as modalidades do FC Porto), negou peremptoriamente as acusações do Sporting, afirmando o seguinte: Sem prejuízo do que foi a inspecção feita ao local é lamentável todo o ruído que se gerou do assunto sem qualquer tipo de fundamento e é cansativo assistir a este tipo de episódios e passar ao lado da agressão de Martim Costa a um adepto do FC Porto, que será devidamente identificado. Há imagens que provam que ele se dirigiu a um adepto e o terá empurrado durante a fase de aquecimento. Entrou pela bancada e empurrou um adepto. Estamos no âmbito de eventos desportivos. Existe um enquadramento legal para que essas coisas não aconteçam e, havendo indícios, os agentes responsáveis têm de instaurar os devidos processos. O jogador ir à bancada empurrar um adepto no meu entender é uma situação muito grave, além de que uma equipa chegar aqui e alegar que lhe envenenaram o balneário, e que estão todos a precisar de ir ao hospital e que dois tiveram de ser assistidos, também não me parece que seja uma atitude muito correta. O FC Porto recebeu o Sporting com toda a dignidade e dentro das regras para uma competição justa, nobre e leal. Não queremos ganhar fora, nem alinhar em teatros. “

E foi nesse contexto que o jogo se iniciou e emergiram os protagonistas. Foi um Sporting a jogar sob protesto que começou muito melhor o jogo. O lateral-direito Francisco Costa (talvez ainda mais motivado por tudo o que aconteceu previamente com o seu pai Ricardo Costa), esteve em altíssimo nível. O jogo começou com um grande golo do seu irmão Martim Costa, tendo ambos entrado com uma intensidade absurda, sangue nos olhos, e com muita fome de vencer.

Os manos Costa (apesar da sua juventude) assumiram o jogo com uma personalidade impressionante. Se havia dúvida sobre a capacidade de resposta emocional desta equipa, ficou dissipada em poucos minutos.

Kiko Costa, absolutamente demolidor na primeira parte, terminou os primeiros 30 minutos com sete golos, e sem necessidade de obter esse registo goleador fruto da marcação de livres de sete metros. Mas não foi apenas a quantidade, foi a forma. Velocidade, leitura, execução. Um jogador de outro nível.

Ao seu lado, Martim Costa foi igualmente determinante, com um impacto constante no jogo ofensivo leonino e uma presença que nunca permitiu ao Sporting perder o controlo emocional da partida.

E depois há o ponta-esquerdo islandês Orri Thorkelsson. Frio. Eficaz. Decisivo. Com 11 golos, foi o melhor marcador do encontro e uma das grandes razões pelas quais o Sporting nunca deixou escapar o jogo.

Do lado portista, houve dois momentos distintos. Na primeira parte, destacou-se Rui Silva, com uma exibição de grande qualidade, assumindo responsabilidade ofensiva e mantendo o FC Porto dentro do jogo quando tudo parecia fugir. 

A sua irrepreensível visão de jogo e capacidade para gerir os tempos de jogo, é fundamental nesta equipa portista, tendo sido de estranhar que não tenha jogado os últimos vinte de minutos de um duelo desta importância, e o próprio técnico Magnus Andersson assumiu em declarações ao Bola na Rede que provavelmente iria continuar a pensar nessa decisão quando chegasse a casa, consciente da influência do central internacional português.

Na segunda parte, foi o central espanhol Pol Valera a elevar o nível, com uma prestação muito consistente e um papel fulcral na recuperação portista. Mas nem tudo foram sinais positivos.

Há casos que merecem reflexão. E Gilberto Duarte é um deles. De regresso a casa após dez anos, esperava-se um jogador determinante, capaz de assumir o jogo ofensivo portista. Mas a realidade tem sido bem diferente. É uma mudança de perfil que levanta questões.
E, acima de tudo, limita o potencial ofensivo do FC Porto.

Hoje, Gilberto é um jogador cada vez mais utilizado em tarefas defensivas, e aí, não consegue ter o mesmo impacto de outrora. Falta-lhe a capacidade de decisão, a intensidade e a influência que já o tornaram uma referência ofensiva. Sem o contributo do pivô internacional português Daymaro Salina (expulso justamente aos 18 minutos da primeira parte, fruto de uma falta antidesportiva a Francisco Costa), ainda mais exposta ficou a defesa portista.

Apesar da boa resposta portista no início da segunda parte, que levou o jogo para o 20-20 e mais tarde para um 26-26 equilibrado, houve sempre a sensação de que o Sporting tinha mais soluções. Mais opções.  Mais critério.  Mais clarividência. E quando o jogo entrou nos minutos decisivos, isso fez toda a diferença.

A partir do 28-28, os leões subiram de nível. Mais eficácia. Menos erráticos. Mais clareza nas decisões. Um parcial de 5-0 que conduziu o marcador para um irrecuperável 33-28, resolvendo definitivamente o clássico.

O Sporting não ganhou apenas um jogo. Ganhou num ambiente hostil. Ganhou num jogo emocionalmente carregado. Ganhou com autoridade nos momentos decisivos.

E isso, nesta fase da época, vale muito mais do que dois pontos. Com um percurso absolutamente irrepreensível (22 vitórias em 22 jogos na primeira fase) e uma equipa cada vez mais madura, este Sporting começa a mostrar algo que define os campeões: capacidade de decidir quando tudo está em equilíbrio.

O FC Porto mostrou qualidade, reagiu, lutou e teve momentos positivos. Mas o Sporting foi mais equipa. Mais consistente. Mais equilibrado. Mais preparado.

E quando assim é… os títulos começam a deixar de ser uma hipótese para passar a ser um destino. Porque depois de um clássico escaldante, há uma ideia que fica cada vez mais clara:  este Sporting não corre atrás do tricampeonato, vai embalado para ele.

O Bola na Rede esteve presente no Dragão Arena e teve a oportunidade de fazer uma questão a Magnus Andersson, técnico do FC Porto. Do lado do Sporting, não houve declarações de Ricardo Candeias (treinador-adjunto que comandou a equipa leonina devido ao acontecimento narrado no início desta crónica).

Bola na Rede: Qual é a sua explicação para que a sua equipa tenha melhorado de rendimento na segunda parte, apesar de praticamente não ter contado com o Rui Silva durante toda a etapa suplementar?

Magnus Andersson: A nossa equipa foi mais agressiva defensivamente, e conseguiu controlar mais os movimentos ofensivos da equipa do Sporting. Exploramos melhor os contra-ataques e conseguimos inclusive passar para a frente do marcador. Mas depois cometemos alguns erros pouco aceitáveis e fomos ingénuos em alguns momentos, o que nos custou a possibilidade de conseguirmos uma vitória que seria imensamente importante. O Rui Silva tinha cometido dois erros seguidos, e eu considerei que o Pol Valera deveria entrar naquele momento, e o facto é que o Pol jogou muitíssimo bem e teve grande impacto na equipa, mas também não deixa de ser verdade que talvez devesse ter tido o Rui Silva nos minutos finais da partida, para gerir melhor os tempos de jogo. É certamente algo que irei ficar a pensar quando estiver em casa.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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