Decorria o minuto 48 do jogo do campeonato português entre Alverca e Sporting no Ribatejo quando, num lance de ataque leonino, o avançado colombiano Luis Suárez entra na área em disputa com o guarda-redes André Gomes e cai na área.
O arbitro do encontro do encontro, o internacional João Pinheiro, assinala grande penalidade num lance que parecia óbvio. O choque clássico entre guarda-redes e avançado produzira mais um penálti para uma das equipas.
Eis senão quando o ponta de lança leonino Luis Suárez se dirige ao árbitro, num gesto muito pouco visto nos relvados nacionais e internacionais, e diz que o lance é limpo e não é penálti.


Toda a gente no estádio e em casa, incluindo eu, confesso que fiquei surpreendido com o gesto de “fair play” de Suárez. Seria-lhe muito mais fácil e conveniente ficar no chão e aceitar a grande penalidade que favorecia a sua equipa.
Mas não, seguiu as regras mais exemplares de desportivismo e alertou o árbitro do seu erro. Fiquei surpreendido, mas, ao mesmo tempo, agradavelmente surpreendido por haver no topo do futebol profissional que gera tantos milhões haver um jogador capaz de tal atitude.
Podem-me dizer que na altura do lance o Sporting já estava na frente do marcador, mas isso, a meu ver, não tira a nobreza do gesto do colombiano digno de um cartão branco.
O árbitro João Pinheiro, talvez um pouco admirado com o gesto do avançado leonino, consulta o VAR da partida e acaba por ir ver o lance ao monitor fora do campo.
Tomada a decisão, regressa ao terreno de jogo e anuncia a decisão ao público presente no estádio e em casa. Decisão final, simulação de Luis Suárez e cartão amarelo ao respetivo jogador. E é a partir desta, na minha opinião, errada decisão que está a razão de ser do meu artigo de opinião.
Se é verdade que o lance não é penálti, também não me parece ter havido simulação. O jogador acaba por cair na decorrência de um desequilíbrio na sequência do lance. E depois ainda por cima recebe uma advertência.


O treinador Jorge Jesus disse em tempos sobre outro tipo de lance, o “fair-play” é uma treta e, neste caso, essa situação aplica-se completamente. Um jogador profissional admite perante o árbitro que um lance era limpo e a sua atitude foi “premiada” com um cartão amarelo por uma situação que não ocorreu por simulação.
Mas a razão principal que me levou a escrever este texto são razões eminentemente pedagógicas. Falo para as crianças e jovens que jogam futebol nas camadas jovens por todo o país continental e ilhas ao verem esta situação inusitada de um jogo de futebol.
Que pensarão essas crianças e jovens que lhes são ensinadas desde cedo, e muito bem, as regras de “fair-play” e de respeito para com todos os intervenientes do jogo e depois veem esta situação onde um jogador segue essas mesmas regras e depois é punido por isso.
Provavelmente ficarão a pensar que o crime compensa e mais vale enganar o árbitro, tirar vantagem disso e assim não são castigados.
Penso que o árbitro João Pinheiro prestou um mau serviço ao futebol nesta decisão que tomou porque acaba por dar uma ideia errada aos jovens deste país.
Admito que a atitude de Luis Suárez foi surpreendente para todos e desde já lhe dou os meus parabéns pela decisão que tomou. Porém, o árbitro deveria revelar mais bom senso e ao invés de premiar o jogador, preferiu puni-lo indo contra todas as regras de desportivismo que deviam reger o futebol em qualquer lugar do mundo.

