De regresso ao trilho dos triunfos | Académico Viseu 3-0 Feirense

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Houve, de facto, equilíbrio em alguns momentos, sobretudo na forma como o Feirense tentou fechar espaços e condicionar a construção do Académico. As duas derrotas consecutivas na Segunda Liga serviam de cautela à confiança dos viseenses perante o adversário que matematicamente ainda pode subir ou descer de divisão.

A grande diferença esteve onde tantas vezes estes jogos se decidem: na eficácia. Aquilo que podia ter sido mais um jogo de domínio inconsequente transformou-se, desta vez, numa exibição madura, objetiva e, acima de tudo, letal.

O Académico entrou com intenção de chegar ao reduto adversário e o primeiro golo foi essencial para dar sequência a esse propósito. A circulação foi mais dinâmica, os movimentos mais claros e, no último terço, apareceu finalmente a tal definição que tantas vezes tem faltado.

O primeiro golo trouxe tranquilidade. No entanto, o timing do segundo tento, logo a seguir ao regresso dos balneários, acabou por retirar o Feirense do jogo e expôs fragilidades do adversário. Os visitantes tinham de ter mais bola e estarem mais próximos da baliza adversária e a defesa fogaceira ficou exposta ao ataque letal viseense.

O terceiro já apareceu com o Feirense em quebra, incapaz de reagir. Tratou-se de uma demonstração da qualidade das bolas paradas da formação treinada por Sérgio Fonseca. Kahraman dá poder de fogo, na execução das bolas paradas e premiou o capitão Luís Silva com o primeiro golo marcado ao serviço do Académico.

Do lado visitante, o plano até nem começou por ser mal-executado. Organização defensiva, linhas juntas, espera pelo erro adversário. Mas há jogos em que sofrer primeiro muda tudo — e este foi um deles. A partir daí, o Feirense perdeu alguma coesão, arriscou mais do que queria e acabou por abrir espaços que o Académico soube explorar com inteligência.

Mais do que o resultado, há um sinal importante nesta vitória: o Académico foi uma equipa completa. Não só teve mais bola, como soube o que fazer com ela. Não só criou, como concretizou. E isso, num campeonato onde muitas equipas vivem na margem do detalhe, pode fazer toda a diferença.

No fim, o 3-0 não é apenas um número redondo — é uma afirmação. De competência, de crescimento e, sobretudo, de ambição. Porque ganhar é importante, mas ganhar assim diz muito mais.

Na próxima jornada, o Académico Viseu, à procura de consolidar-se ainda mais no segundo lugar, desloca-se ao Algarve para defrontar o Farense, a lutar para se manter na Segunda Liga. Já o Feirense, à procura de garantir matematicamente a permanência, tal como o técnico Ricardo Costa assumiu na conferência, recebe o Torreense, um dos candidatos à subida à principal escalão.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académico Viseu

Bola na Rede: O Académico não sofreu qualquer golo, ao contrário da jornada anterior em que sofreu 4 em Penafiel [derrota por 4-3]. O que não funcionou no jogo em Penafiel que tentou alterar na organização defensiva frente ao Feirense?

Sérgio Fonseca: Acima de tudo, foram erros individuais no jogo em Penafiel. Nós cometemos alguns erros que normalmente a nossa equipa não costuma cometer e ao intervalo, tivemos de ir um pouco atrás daquilo que foi o prejuízo e a equipa voltou a dar uma resposta. A resposta foi muito boa.

Nós lá também não tivemos uma boa entrada durante a primeira parte, mas acima de tudo, foi retificar alguns aspetos, nomeadamente as questões defensivas. Hoje fomos mais eficazes, acima de tudo.

Bola na Rede: O Estádio do Fontelo contou com mais de 4800 espectadores. O que sente perante esta moldura humana?

Sérgio Fonseca: Nós não cansamos de agradecer. Eles têm sido fantásticos, o Público em geral e momentos difíceis que às vezes a equipa está a atravessar durante O Jogo. Eles continuam sempre a apoiar. Para nós são fundamentais e dedicamos a eles esta Vitória, como é óbvio.

Feirense

Bola na Rede: Como avalia a reação da equipa ao primeiro golo sofrido por alguma fase ainda muito inicial do jogo?

Ricardo Costa: Eu senti que a equipa continuou estável, tranquila, sabendo que, se o Viseu fizesse um golo no início da primeira parte ou no final da primeira parte ou no início da segunda, que iríamos continuar com o nosso estilo de jogo, com as nossas capacidades e com as nossas deficiências e tentar jogar de forma coletiva.

Eu penso que hoje a essência do jogo era se jogássemos coletivamente, se fossemos fortes coletivamente, iríamos criar problemas à equipa do Viseu. Este golo quebrou um pouco a nossa ideia, os nossos princípios, como tínhamos preparado tanto a pressão como uma bola parada.

O golo libertou um pouco a pressão também à equipa do Viseu. Eles deram-se mais ao jogo e complicou-se um bocadinho a nossa tarefa.

Tivemos de saber a conviver com as adversidades que é o golo sofrido e tentar procurar a vitória ou não conseguindo, o empate.

Bola na Rede: Matematicamente, o Feirense ainda tem possibilidades de chegar ao playoff de subida. É um objetivo realista?

Ricardo Costa: Neste momento nós falamos mais de que estamos a 9 pontos da linha do playoff de descida, porque acho que nós temos que ter os pés bem assentes no chão e saber que a nossa realidade é manutenção. Temos feito um excelente trabalho. A equipa está muito bem, todo o staff técnico, médico, toda a SAD. Em dezembro saíram peças importantes como o Leandro, o Nilo, o Gabi Costa, o Gabriel Costa. São peças que são importantes e nós estamos agora a lançar novos jogadores em que isso custa.

Vemos equipas feitas como o Viseu, com jogadores com anos de Primeira Liga, anos de Segunda Liga, jogadores com uma capacidade acima da média e notam-se as diferenças. Nós não podemos deixar de sonhar, deixar de lutar, deixar de meter sonhos atletas, mas temos de ser realistas e o nosso trabalho tem de ser reconhecido pelos 41 pontos que estamos a fazer pelos jogos que estamos a ter e o desempenho tanto individual como coletivo da equipa.

A nossa realidade é esta, é a manutenção, e dar uma prenda aos adeptos, no próximo jogo contra o Torreense, em nossa casa, de conseguirmos esse objetivo, com os três pontos.

Pedro Filipe
Pedro Filipehttp://www.bolanarede.pt
Curioso em múltiplas áreas, o desporto não podia escapar do seu campo de interesses. O seu desporto favorito é o futebol, mas desde miúdo, passava as tardes de domingo a ver jogos de basquetebol, andebol, futsal e hóquei nacionais.

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