João Nuno Fonseca descreve experiência no Leixões: «Há uma ânsia muito grande dos adeptos e direção de querer lutar para subir de divisão»

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Em exclusivo ao Bola na Rede, João Nuno Fonseca refletiu sobre a sua primeira experiência como treinador principal no Leixões.

João Nuno Fonseca concedeu uma entrevista exclusiva ao Bola na Rede. O técnico de 36 anos relembrou a sua primeira oportunidade como treinador principal ao serviço do Leixões, onde alcançou cinco vitórias, um empate e seis derrotas, começando por descrever a pressão do sonho do regresso à Primeira Liga:

«Não consegues construir do dia para a noite. Agora, tens é a condicionante de ter os adeptos que querem a subida da divisão. Tens os adeptos que sonham há 14 anos com o Leixões de volta à Primeira Liga. Essa ânsia misturada com frustração, porque são tantos anos a perder, que será que tu ganhas o primeiro jogo 3-0 e já é sinónimo de que vais subir? Foi o que acabou por acontecer. Fizemos um jogo extremamente competente na primeira jornada, ganhamos 3-0. Fomos ao Benfica empatar 1-1 nos últimos minutos, o Benfica marca de canto. Depois ganhamos 3-2. E, portanto, tudo isto cria uma expectativa muito grande. Agora, há que saber dosear esta expectativa. E esta expectativa só é doseada quando toda a gente está consciente daquilo que é possível de fazer. Agora, eu sou apologista que numa Segunda Liga não se pode criar uma expectativa desmedida para aquilo que é a realidade do clube. Tu tens um Leixões que se reestruturou naquilo que foram os departamentos, naquilo que foi a entrada dos investidores, houve uma reestruturação profunda no clube. Essa reestruturação, tu só consegues que uma casa seja eficiente quando dás tempo para as coisas começarem a funcionar entre elas. Não me permitiram que isso acontecesse. Decidiram tomar essa decisão. Somos humanos, as pessoas têm diferentes visões e acabo por sair numa altura em que estávamos a seis pontos de subida e hoje em dia tu vês as equipas que estão para subir divisão e a diferença é extremamente competitiva. Não há muito para onde se fugir nisso»

De seguida, João Nuno Fonseca reforçou que essa foi a principal razão do seu despedimento ao fim de 12 jogos:

«Não tenho dúvidas. Não tenho dúvidas. Há uma ânsia muito grande de várias entidades, seja adeptos, seja a direção, de querer efetivamente ser uma equipa que vai lutar para subir de divisão. Mas para seres uma equipa que vai lutar para subir divisão, precisas ter as fundações bem solidificadas. Tu não consegues, do dia para a noite, mudar uma casa e dizer assim, esta casa agora é eficiente. Não consegues. Por muito que queiras. Vê o Arteta no Arsenal. O que o Arsenal era após Wenger e o que é o Arsenal após a entrada do Arteta. Há aqui um espaço de tempo que tu tens que saber ser coerente. Certo. Quando não és coerente, andam em oscilações. O culpado será sempre o treinador. Nunca há outra hipótese. O treinador saiu, passado um mês saíram diretores. E aconteceu isso comigo. O treinador saiu e depois saíram diretores. Eu respeito muito as pessoas e agradeço muita oportunidade na altura que me deram. Agora, se precisava de mais tempo? Completamente. Toda a gente sentiu isso, se tu perguntares hoje aos jogadores, eles respondem-te.Mas eu já o disse em outras entrevistas. O adepto leixonense vive com o coração na boca. Quando tu vives com o coração na boca, muito facilmente criticas sem conhecer. Sonhas sem perceber efetivamente o que é que existe na realidade. Eu para sonhar e eu para fazer crer aos adeptos que é possível uma subida de divisão, eu podia tê-lo dito na primeira conferência que fiz. Não o disse e sempre disse uma coisa: Nós vamos jogo após jogo construindo a nossa maratona. Agora, o facto de termos ganho 3-0 na primeira jornada criou um impacto nas pessoas. E isso fez com que nós andássemos nesta criação de expectativa que foi depois catapultada para: ‘Epá, já estamos cá em baixo na classificação, temos que mudar’. E estávamos a seis pontos da subida, e com as eliminatórias ganhas na Taça de Portugal. Há uma série de fatores. Repara, eu termino 4 jogos em 10 com menos um jogador. Há coisas que tu não consegues controlar. Eu digo sempre, nós conseguimos controlar aquilo que é a nossa equipa. Os fatores externos, alguém que está a arbitrar um jogo, não consegues controlar isso. Controla os teus jogadores, controla aquilo que é possível fazer. Eu tive um jogador que entra no Feirense, o (Morufdeen) Moshood, na segunda parte, ao minuto 60. Ao minuto 62 já estava fora com o duplo do cartão amarelo. E estávamos na quarta jornada. Portanto, é tudo muito rápido no futebol».

O técnico refletiu ainda sobre as aprendizagens que acumulou com esta primeira experiência:

« Sim, tu aprendes… Houve momentos, agora com reflexão minha, sobretudo naquilo que é a vinda de determinados jogadores, a forma como houve um planeamento curto daquilo que seria à época, porque a entrada dos investidores aconteceu ao mesmo tempo em que eu entrei também no clube. Portanto, diferentes visões. Se calhar, obviamente, teria tomado outro tipo de decisão nesse aspecto em concreto. Eu acho que todos nós aprendemos com isto que acaba por acontecer. Eu aprendi bastante com esta experiência. Acho que me tornei um treinador mais consciente face àquilo que é a dimensão de um clube como o Leixões. Com uma massa associativa muito grande, muito aguerrida, muito a querer. Eu dou-te um exemplo concreto. Eu gosto de um guarda-redes que tenha protagonismo numa organização ofensiva. E quando tu vês um lateral a jogar para o central e o central a jogar para o guarda-redes, no Estádio do Mar, isso é sinónimo de assobios, porque estás a jogar para trás. Portanto, isso se calhar é algo que para mim foi uma aprendizagem. Para mim foi, e mesmo essa ânsia dos adeptos de querer, de querer, de querer, bola para a frente, bola nas costas, bola no espaço, bola longa. Muitas vezes, não é compreendida por parte dos adeptos. Porque eu também, como eles, quero ter sucesso e quero ganhar. Se eu entrasse no Leixões para perder, nem ia. Entrei com um objetivo, estava feliz no momento, mesmo no momento em que nós estávamos, quando saí, eu estava feliz. Estava feliz porque sabia que aquilo fazia parte daquilo que nós estávamos a construir. Agora, houve uma necessidade de mudança e eu tive que respeitar essa necessidade de mudança por parte da direção. Não sou mais do que ninguém para impedir que isso acontecesse. Agora, sem dúvida que havia muito para se fazer, mas muito mesmo, face àquilo que é a qualidade do plantel do Leixões»

João Nuno Fonseca, Leixões
Fonte: Leixões

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