Leonardo Jardim analisou o triunfo do Flamengo sobre o Vitória no Taça do Brasil, destacando a importância de «criar um jogo ofensivo».
Durante a madrugada desta quinta-feira, o Flamengo alcançou o sexto triunfo consecutivo sob o comando de Leonardo Jardim, batendo o Vitória por 2-1 nos 16 avos de final da Taça do Brasil. Após o encontro, o técnico português começou por destacar a importância de um esquema ofensivo bem montado:
«Minha experiência no futebol diz que quando criamos um número de situações, como foi o caso desses últimos dois jogos, e não concretizamos tanto, o futuro será promissor porque vai haver um momento em que as bolas vão começar a entrar. Fico preocupado quando não criarmos. Gosto que minhas equipes criem. Porque vai haver um momento que as coisas vão correr bem. Por isso, é importante criar. Para uma equipe da dimensão do Flamengo, é importante criar um jogo ofensivo. E um jogo ofensivo é isso. Criamos 20 finalizações contra cinco do adversário. O adversário, em cinco, fez um gol. E, em 20, nós fizemos dois. O aproveitamento do adversário foi muito bom. Mas as coisas acontecem quando você cria. Um jogo ou outro, vamos criar menos números e talvez fazer mais golos».
De seguida, reforçou a importância do apoio dos adeptos nos jogos em casa:
«Costumo a dizer aos meus jogadores nas equipes que trabalho, o jogo fora de casa e dentro de casa o que difere é o apoio do público, mas lá dentro temos que continuar a desenvolver nossas formas de jogar e nossas competências. Por isso, a ideia de desenvolver um jogo em casa ou fora de casa não vai mudar. Assim como fomos jogar contra o Botafogo, ou outros jogos, a ideia do coletivo fora de casa e em casa tem que ser semelhante. No Flamengo temos uma coisa boa, temos sempre nossos adeptos conosco, e isso vai permitir sempre estarmos em casa. Os adeptos, pelo que eu senti quando estava em outro clube, o Flamengo arrasta sempre muitas pessoas. Em casa ou fora, temos que ser Flamengo».
Leonardo Jardim abordou também a qualidade e profundidade do plantel do Flamengo:
«Às vezes os plantéis são pelas necessidades. Nesse campeonato, onde o Flamengo pode fazer 70, 80 jogos, existe uma necessidade de termos um elenco com opções para todas as posições, porque vem as lesões. Os jogadores não podem jogar os 80 jogos, não são super-homens, são humanos. Nossa equipe tem uma especificidade maior ainda, porque não somos uma equipe jovem. Vocês verificaram pelo menos em duas situações que eu tive que carregar mais o Jorginho e o Alex (Sandro), eles acabaram tendo contraturas e ficando de fora. Se fosse um jovem, talvez não acontecia. O Evertton teve a mesma carga, mas está na flor da idade. Por isso temos que ter um cuidado muito grande com nossos atletas para manter nossa equipe saudável e sempre com soluções. Quando faltar, temos as outras opções. Falei com o Arrasca antes do jogo. Eu disse “Arrasca, neste momento, o Paquetá e o Carrascal, que são os meias que fazem aquela posição, te deixaram sozinho” (risos). Por isso, temos que fazer uma gestão nesse jogo. Talvez na segunda parte você joga porque já vou precisar de ti logo a seguir e não vai dar tempo para descansar. Por isso que um clube, com as responsabilidades do Flamengo, inserido no Brasil, com esse número de jogos, é uma necessidade vital ter um elenco com pelos menos dois jogadores por posição».
Relativamente às expulsões, referiu:
«Já falamos sobre isso, sobre o controle emocional, em jogos de alto nível é importante. A gente não pode ter esses comportamentos para não perdermos jogadores ao longo da temporada. Em relação aos dois lances, eu não os revi, por isso não vou dizer. Acho que é lance de futebol. Apesar de não ter visto ainda, não é uma cotovelada que dá no outro nem nada, lance de futebol. As vezes acontece, os jogadores perdem a posição e veem o adversário passar e abrem o braço para bloquear, mas não para agredir. Uma coisa é fazer um movimento de agressão, outra coisa é colocar o braço na frente para cortar a trajetória. Eu sou da opinião que é importante o controle emocional nas situações que nós tivemos no passado recente».
Questionado sobre a recuperação de Pedro, o técnico falou sobre a satisfação que sente quando os seus jogadores são chamados às respetivas seleções:
« Acho que qualquer jogador do Flamengo que tem um papel ativo na equipe pode jogar em qualquer seleção. Pode ser no Brasil, como é o caso do Pedro, do Léo, do Alex, do Danilo. São jogadores que podem ter a porta aberta na seleção, alguns deles têm sido convocados com regularidade. É uma satisfação, não é o caso específico do Pedro. Mas eu tenho uma satisfação quando os jogadores rendem com o meu trabalho. Isso, para o treinador, é sempre um dos objetivos, além dos títulos e vitórias. É que os jogadores rendam com nossos métodos e nossa forma de gestão, com certeza isso é gratificante. Estou falando isso do Pedro como de outros jogadores do elenco, que têm conseguido um upgrade em relação ao rendimento. No fim das contas, para o público o que interessa para o treinador é ganhar jogos (risos)».
Leonardo Jardim abordou ainda os dois golos nos primeiros 11 minutos de jogo:
«Os jogos tem 90 minutos, jogos como hoje que são muito picotados a gente joga 50, 60 minutos. Eu digo aos nossos jogadores que não podemos dar vantagem ao nosso adversário, não podemos perder tempo. O futebol nos reserva cerca de 60 minutos, por isso temos que entrar com intensidade e procurar o gol, porque o jogo de futebol, a beleza do jogo é o gol. Se for preciso na segunda parte tirar dois no intervalo e colocar quem está no banco para entrar, vamos fazer como fizemos hoje. Não podemos perder tempo, entrar 20 minutos vendo no que vai dar e depois no fim, faz falta. Nossa ideia de jogo é se preocupar em entrar forte no jogo dentro das nossas ideias de jogar e tentar impor o ritmo. Eu falei no jogo contra o Santos, com o treinador, ele falou: “porra, vocês correram tanto, que na segunda etapa estávamos mortos”. Se não ditassemos o ritmo do jogo, o Santos faria 90 minutos tranquilos e ia nos criar mais dificuldade. Isso que pretendemos. Um jogo ofensivo e desgastar o oponente. O Vitória hoje saiu com uns quatro, cinco jogadores sair de maca, era mais pra perder tempo do que físico, mas deixo a dúvida no ar».
O treinador português refletiu sobre a importância de obter resultados desde cedo, fazendo referência ao despedimento de Liam Rosenior no Chelsea:
«Já acompanho o Flamengo há muitos anos, já disse isso. Uma equipe como o Flamengo não tem tempo, o treinador tem que chegar e fazer acontecer. Não só no Flamengo. Agora um treinador foi despedido do Chelsea. Chegou, mudou, não fez acontecer e já saiu. O futebol é assim. Quando treinamos grandes equipes, temos que fazer as coisas acontecer. Com os jogadores, porque são eles os intervenientes, os artistas e são eles que decidem os jogos. Temos que tentar imbuir eles com um espírito e estratégia coletiva para que a equipe chegue ao maior número de vitórias. O meu trabalho é dar seguimento e buscar dia após dia progredirmos. Vamos jogar mais vezes dentro da mesma estratégia. Acredito que podemos ser ainda mais competentes. Falei da finalização antes, acho que isso é situação de nível de confiança. Quando jogamos juntos, quando temos precisão do colega, de como faz o passe, essas coisas podem definir uma melhor finalização. Eu acredito sempre numa progressão e essa é nossa ideia».
Por fim, falou sobre a série de vitórias:
«O que eu vejo em relação a isso, no mês que vamos entrar é que, nesse mês já existia dificuldades com os jogos em três em três dias, as equipes que participam das provas internacionais ainda vão ter mais dificuldade no próximo mês, e aquelas que não conseguirem gerir o elenco vão aumentar o número de lesões na equipe e a intensidade do jogo vai diminuir. Porque estes dois meses são, não vou dizer que é de louco, mas é uns números de jogos muito grande. Temos que ter alguma atenção. Por isso eu já comecei a gerir os jogadores desde o início do mês, que é para não chegar em maio com mais problemas do que aqueles que eu tenho».

