Primeira Liga 25-26, 31.ª Jornada. Sábado, 25 de Abril, 18h.
A ANTEVISÃO: ENCARNADOS TENTAM METER PRESSÃO NOS LEÕES, MOREIRENSE TENTA RECUPERAR ÍNDICES ANÍMICOS
Mourinho chegou cedo à conferência de antevisão do Benfica x Moreirense. Bem-disposto, ancorou os óculos na ponta do nariz e meteu-se ao telemóvel, a scrollar despreocupadamente. Quando Gonçalo Guimarães se pôs com ideias de começar, dando os gritos de partida para toda a sala, o treinador interrompeu-o, sem tirar os olhos do pequeno ecrã: «Deixa-me ver as notícias, pá!»
Assim mesmo, à portuguesa. E que melhor resumo poderemos tirar da semana encarnada? Depois de ganhar o derby, o Benfica remeteu-se para segundo plano. Passaram-se as peripécias da Taça de Portugal, acertaram-se calendários em Inglaterra, Espanha, França e Holanda, e as águias caladinhas, num papel que não costuma ser o seu, mas que é o que mais lhe convém: passar despercebidas e manter a concentração, não dependendo só de si a boa sorte a curto prazo.
Quando lá decidiu acabar com o sketch, Mourinho escondeu o sorriso matreiro e falou abertamente de tudo, muito descomplexado. Às notícias que davam conta duma suposta quebra de relação entre ele e o presidente Rui Costa, Mourinho assegurou que chatice só uma – por ninguém lhe ter entregue o emblema de 25 anos de sócio; Aos falatórios sobre a possibilidade de Otamendi despedir-se dos relvados ao serviço do River Plate, remeteu toda e qualquer responsabilidade para o central, que diz ser uma daquelas pessoas «que tem o direito de escolher o seu futuro por tudo aquilo que construíram no futebol»; Quando indiciado a comentar sobre a quebra de forma de Pavlidis e a consequente titularidade de Ivanovic no derby, foi revelador do bom estado anímico e da relação que já construiu com o plantel: «Não tive conversa nenhuma porque o Pavlidis é uma pessoa inteligente. Conhece-me bem, consegue ler-me. Cedo percebeu que não ia ser titular contra o Sporting em função de uma estratégia diferente» rematou, sublinhando que o grego se mantém merecedor da sua «total confiança», apesar de um golo nos últimos 12 jogos.
Bruma regressa aos disponíveis e o único de baixa é Tomás Araújo, e por isso é praticamente na máxima força que o Benfica se tenta colocar novamente de perna cruzada, descansadinho da vida a ver as notícias. Por isso, ganhar e convencer, é o que todos pretendem na Luz.
E ganhar a alguém que, apesar dumas conturbadas últimas semanas, regressou aos sucessos no fim de semana transacto, ao vencer o Estoril em casa por 1-0. Vasco Botelho da Costa, à conta do acumulado competitivo próprio do derradeiro mês da época, tem-se visto aflito com tanta lesão e castigo. As dificuldades em construir um onze só são superadas em encontrar gente para compor o banco de suplentes, mas mesmo assim o Moreirense lá se foi mantendo à tona. Respirou de alívio há uma semana.
«Fomos perdendo alguma qualidade no nosso jogo, nem sempre de forma consentida. Claro que queremos sempre jogar bem, mas muitas vezes tivemos de meter características diferentes porque eram os jogadores que tínhamos disponíveis, para fazer coisas que se calhar não assim tão bons… que é algo que eu não defendo – eu gosto de viver uma máxima que é: não pedir a um jogador aquilo que ele não me pode dar»
Valendo-se da polivalência dos mais capacitados, como Travassos e Alanzinho, o Moreirense manteve-se na parte superior da tabela apesar dos 63 dias que esteve sem vitórias (o mesmo que dizer sete jogos).
«Acabar o mais acima da tabela possível. Mas não vamos pensar nos três jogos seguintes, porque o foco para já passa por fazer o melhor possível contra o Benfica. Considero importante, tendo em conta a competitividade, existir equilíbrio no seio da equipa. Pela primeira vez vou deixar jogadores de fora por opção. São oportunidades de crescimento, uma bagagem importante que nos vai preparar.»
Se contra o Estoril se registaram as importantes ausências de Maracás, Kiko Domingues e Nile John, voltam agora os três com porta escancarada para a titularidade, o que permite ao treinador não apenas sobreviver, agarrando-se à limitada criatividade no encaixe das peças, mas encarar o último confronto com um dos Grandes do campeonato para conseguir o inédito: vencer um dos quatro primeiros da tabela. Ou, no mínimo, somar pontos. E será insensível quem ouse afirmar que isso tenha a ver com alguma eventual falta de lucidez ou franqueza na comunicação de Botelho da Costa:
«Será muito difícil, sabemos que vamos ter de passar muito tempo a defender e a sermos solidários.»
Travassos na primeira linha ou a extremo, à frente do experiente Fabiano? A imprevisibilidade de Landerson ou a experiência de Kiko Bondoso à frente de Kiko Domingues? Alanzinho vagabundo como último homem ou entre-linhas, no apoio a alguém mais fixo? Boas dores de cabeça!
10 DADOS RÁPIDOS
- 37 jogos no total entre as duas equipas, com clara vantagem para os encarnados (26 vitórias); Na Luz, o Moreirense ganhou apenas uma vez (2018-19) em 16 oportunidades
- Os de Moreira de Cónegos perderam metade dos 16 jogos que cumpriram fora-de-casa esta época, com apenas quatro vitórias – três delas com clean sheet, no entanto.
- Nunca o Moreirense conseguiu mais que 37% de posse na casa de um dos quatro primeiros: Alvalade (28%), Dragão (33%) e o valor máximo, conseguido na Pedreira. Aliás, o último jogo em que o Moreirense se superiorizou na posse foi na visita ao Casa Pia, na jornada 24. Estávamos a 1 de Março
- Os 27 pontos da 1.ª volta possibilitam os 12 da segunda. Muito próximos os 40 conseguidos em todo o campeonato passado.
- Por isso, tranquilidade máxima – a seguir do Benfica, o Moreirense termina o campeonato contra três dos últimos quatro classificados (Estrela, AFS e Tondela, esta a única deslocação)
- O goleador da equipa, Schettine, com nove golos, saiu em Janeiro. Quem mais lhe aproxima é Travassos, com quatro golos. Maracás, líder da defesa, tem três
- Em presenças, os líderes são Alanzinho (30 jogos, 2528 minutos) e Stejpanovic (30, 2276’). Só mais três jogadores ultrapassam a barreira do segundo milhar – Maracás (2414’), Travassos (2166’) e Dinis Pinto (2103’)
- Cinco integrantes do plantel cónego têm passado benfiquista: André Ferreira (2012-17), Mika (2011-13), Leandro Santos (2018-26), Francisco Domingues (2010-25) e Luís Hemir Semedo (2011-23)
- Cinco dos nove empates do Benfica registaram-se no Estádio da Luz.
- Iancu Vasilica não apita num jogo do Moreirense para a Liga desde 2022-23 (vitória por 4-1 frente ao B SAD) – no cômputo geral, são dez jogos com apenas três derrotas; Em relação ao Benfica, já esteve presente em 2025-26, na vitória na Choupana (1-2), sendo a terceira vitória em três jogos em termos absolutos
JOGADORES A TER EM CONTA


Richard Ríos – Acumulam-se as notícias do interesse de meia Europa nos serviços do colombiano, às quais se sobrepõem as garantias da intransigência dos encarnados em não baixar a guarda e ver cumprido o talento do atleta, segurando-o em Lisboa para 2026-27: ora, a ser esse o caso, terá Ríos de assumir responsabilidades e dar mais de si – podendo ou não, tendo capacidades para isso ou não – para precaver a impaciência do Terceiro Anel, que nunca teve pejo de meter carreiras em causa, munindo-se da mais pesada exigência. Em Alvalade, o colectivo funcionou, e pareceu Ríos ter feito bem o seu papel: mas na estatística há sempre algo a repreender na sua prestação, que, a ver bem, nunca foi totalmente positiva nem digna de louvores. As circunstâncias não tornam provável a titularidade (talvez prefira Mourinho alguém mais atrevido atrás de Pavlidis…) mas terá certamente a sua oportunidade.


Alanzinho – O tanto de talento de que dispõe sobra-lhe para ser também falso 9, colmatando assim as infindáveis ausências pelas quais Botelho da Costa e a equipa vêm sendo afligidos: e o rendimento do brasileiro, já superlativo como organizador, não se alterou como homem mais adiantado, como prova o golo que deu a Ian Cathro a quarta derrota seguida e o fim do jejum em Moreira de Cónegos. Naturalmente, surgem também as notícias do interesse crescente no seu futebol, com nomes que muito o elogiam – Cruzeiro e Grémio de Porto Alegre – e impõem esclarecimentos aos departamentos de scouting em Portugal.
XI´s PROVÁVEIS
Benfica: Trubin; Dedic, António Silva, Otamendi e Dahl; Aursnes e Barreiro; Prestianni, Rafa e Schjelderup; Pavlidis
Treinador: José Mourinho
«Moreirense obrigou-nos a treinar bem porque é uma equipa que tem complexidade na sua organização de jogo e joga bem. É uma equipa que te obriga a defender bem e tem condições para nos criar problemas. Faltam quatro jogos e só ganhando os quatro é que podemos ter esperança de melhorar a nossa classificação, e o Moreirense é o primeiro desses quatro jogos. Temos de ir com tudo e tentar ganhar».
Moreirense: André Ferreira; Fabiano, Gilberto Batista, Maracás e Francisco Domingues; Stjepanovic e Nile John; Travassos, Rodri e Kiko Bondoso; Alanzinho
Treinador: Vasco Botelho da Costa
«Os clubes que lutam por títulos estão sempre habituados a lidar com a pressão. Estamos a falar de uma equipa com um plantel com muita capacidade, extremos que jogam por dentro, laterais que se projetam, médios que desequilibram. José Mourinho tem jogadores com qualidade que lhes permite fazer de tudo».
PREVISÃO DE RESULTADO: Benfica 3-0 Moreirense

