«A ideia é não parar para que, no dia em que sairmos do clube, a mentalidade vencedora fique bem presente no futsal do Benfica» – Entrevista Bola na Rede a Afonso Jesus

Afonso Jesus é capitão do Benfica e, no passado fim-de-semana, conquistou a Taça de Portugal de Futsal. Com essa conquista como ponto de partida, o destaque das águias analisa e explica a evolução da equipa que permitiu a reaproximação aos títulos numa conversa com passagens pelo balneário, pelo futsal dentro de campo e pelo grande sonho de, um dia, ser presidente do Benfica. Uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede.

«Tivemos de perceber que tínhamos de fazer algo mais para ganhar e conquistar títulos».

Afonso Jesus
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Bola na Rede: Depois da conquista da Taça de Portugal, como defines o teu sentimento pessoal e o vivido no balneário?

Afonso Jesus: É um sentimento muito bom. Ainda não é de missão cumprida, porque nós traçámos como objetivo, depois da Taça da Liga, lutar pelos dois objetivos que nos faltavam: a Taça de Portugal e o campeonato. É um sentimento muito positivo, é o reconhecer do nosso trabalho e continuar deste projeto que se iniciou. Acreditamos muito naquilo que está a ser feito. Acima de tudo, entramos nestes jogos cada vez mais convictos de que é possível vencê-los.

Bola na Rede: Qual a análise que fazem da temporada até este momento?

Afonso Jesus: Tem sido uma temporada muito bem conseguida da nossa parte. Acima de tudo pelos resultados, pelas exibições, pela maneira como encaramos todas as partidas. Esquecendo um bocadinho os títulos e a Champions, que era um objetivo muito grande para nós, a verdade é que nos apresentámos a um nível muito alto. Níveis competitivos que não apresentámos anteriormente e que agora nos fazem acreditar que podemos vencer qualquer jogo onde entramos e qualquer competição. Vai ser dessa maneira que vamos encarar os playoffs também.

Bola na Rede: Onde mais sentes a diferença de mentalidade e qual a explicação que encontras?

Afonso Jesus: Acima de tudo, passámos, como se sabe, por uma fase relativamente difícil e sem títulos. Não significava que trabalhávamos pouco. Mudou-se acima de tudo a maneira de trabalhar e acima de tudo mudou-se a nossa mentalidade enquanto jogadores. Tivemos de perceber que tínhamos de fazer algo mais para ganhar e conquistar títulos. Foi um bocadinho isso que o treinador nos trouxe. Trouxe-nos a junção de duas coisas: sermos uma verdadeira equipa, que muitas vezes não o éramos, principalmente nos momentos em que as coisas ficavam difíceis para nós ou que não nos corriam tão bem, a equipa abalava muito. Hoje em dia é uma equipa muito mais sólida e muito mais consistente; e uma capacidade de superação, de trabalho e de crença que nós não tínhamos e temos vindo a crescer muito neste ano e meio.

«É uma coisa assustadora o que acontece diariamente nos pavilhões nos nossos treinos. Muitas vezes ultrapassa aquilo que se vive em jogos».

Afonso Jesus
Afonso Jesus Benfica
Fonte: André Eusébio / Bola na Rede

Bola na Rede: A comunicação para fora do Mister Cassiano é sempre muito focada na mentalidade e na importância da gestão emocional. Para dentro, também sentes o trabalho feito nesse ponto?

Afonso Jesus: Sem dúvida nenhuma. Mas diário. É uma coisa assustadora o que acontece diariamente nos pavilhões nos nossos treinos. Muitas vezes ultrapassa até aquilo que se vive em jogos. Acho que isso tem sido a chave do sucesso. Perguntes a quem perguntares da nossa equipa, a quem convive connosco diariamente, muitas vezes nos jogamos pequenos dérbis, pequenos jogos aqui no treino durante a semana.

Bola na Rede: Pela exigência e competitividade?

Afonso Jesus: Pela exigência, pela competitividade pela concentração dos atletas. É um misto de coisas que neste momento estão a fazer com que o futsal do Benfica se apresente a um nível muito alto.

Bola na Rede: Havendo essa exigência toda, onde está o lado da descontração e da capacidade de relaxamento?

Afonso Jesus: Acho que já aparece. Felizmente nas redes sociais vai aparecendo um bocadinho a boa energia que se vive nesta equipa, o companheirismo, a maneira como nos damos diariamente. Ficou muito bem assente: quando é hora de trabalhar é hora de trabalhar, quando é hora de brincar é hora de brincar. Até nisso o mister teve um papel importante. Acho que é o culminar de uma equipa muito saudável.

Bola na Rede: Terem sido campeões o ano passado fez com que tivessem partido para esta época com um sentimento diferente, de maior descontração e menor pressão depois desse objetivo ter sido conseguido?

Afonso Jesus: Sou sincero. Acho que não. Desde o primeiro dia que nós voltámos da pré-época, depois desse título que queríamos há muito tempo conquistar, esteve sempre presente a mensagem de que o trabalho não estava feito por aqui. Não só pelo clube que representamos, onde seria obrigatório lutar por todos os títulos daí para a frente, mas acima de tudo pela mentalidade que se criou no Benfica do ano passado e a que demos continuidade este ano. A ideia é não parar, é continuar e é manter esta mentalidade, até para que, no dia em que nós sairmos do clube, essa mentalidade fique bem presente no futsal. Será, certamente, uma mentalidade vencedora.

«Param centenas e milhares de pessoas para ver jogos como este e há que saber jogar o jogo da melhor maneira e dar às pessoas o melhor futsal».

Afonso Jesus
Afonso Jesus Benfica
Fonte: André Eusébio / Bola na Rede

Bola na Rede: A mentalidade vencedora tem criado uma disputa pela hegemonia local, em Portugal, e também pela Europa e mundo fora, entre o Benfica e o Sporting, com dérbis muito acesos. Como vês esta rivalidade que se reviveu nos últimos tempos?

Afonso Jesus: É muito, muito bom para o futsal. É isto que vai elevar o nível do futsal, que vai elevar o nosso nível na seleção, que vai elevar o nível dos clubes, porque vão ser obrigados a investir mais e ir à procura de mais e melhor. Digo isto na nossa Liga, porque a realidade é mesmo essa para se poder acompanhar. Quanto ao Benfica e ao Sporting têm, na minha opinião, uma responsabilidade acrescida pelo papel que desempenham na Liga e lá fora na Champions. Esta responsabilidade também tem de estar presente todos os dias pela maneira como nos comportamos fora do clube, como nos comportamos em dérbis. Param centenas e milhares de pessoas para ver jogos como este e há que saber jogar o jogo da melhor maneira, sermos respeituosos uns com os outros e darmos às pessoas o melhor futsal, porque elas merecem isso.

Bola na Rede: Em dérbis tão equiparados, qual a importância que o detalhe tem e pode ter nas mudanças de um jogo para o outro?

Afonso Jesus: Muitas vezes, a olho nu, a grande diferença é a bola entrar ou não entrar. Muitas vezes fazem-se grandes jogos táticos, preparam-se jogos da melhor maneira e a bola não entra. Não entra e pronto. Muitas vezes não tem explicação, mesmo nós tentamos procurá-la e não a encontramos. Agora, que de dérbi para dérbi e de jogo para jogo seja contra quem for, nós arranjamos maneira de chegar aqui no dia a seguir, durante a semana, e procurar um detalhe, um canto, uma defesa para fazer uma alteração para o jogo seguinte, isso é uma realidade neste momento do Benfica.

Bola na Rede: No balneário do Benfica, onde é que te sentes? Há uma nova geração a surgir, o Kutcky, o Lúcio [Rocha], há também alguns pesos-pesados mais velhos, o André Coelho, o Pany Varela.

Afonso Jesus: Sinceramente, muito do lado dos miúdos. Tenho algum peso, até como capitão, e isso é inquestionável porque essa responsabilidade me foi dada no balneário. Os jogadores acreditam em mim. A juventude faz-me sentir ainda mais jovem. É um grupo muito saudável e os miúdos sabem perfeitamente a hora de brincar, a hora de trabalhar e os mais velhos igual. O Pany e o André Coelho se tiverem de brincar, vão brincar e estar envolvidos em todas as brincadeiras. Eu gosto mais de me pôr no lado dos mais miúdos, porque ainda me sinto muito jovem, mas é uma equipa muito saudável. Isso nunca será um tema.

«O Pany Varela é um líder pela maneira como trabalha. Muitas vezes, nem precisa de falar».

Afonso Jesus
Afonso Jesus Benfica
Fonte: André Eusébio / Bola na Rede

Bola na Rede: Como tens vivido o crescendo de responsabilidade que advém de seres capitão e já teres muitos anos de casa?

Afonso Jesus: Tem sido um desafio muito bom. Só tenho essa responsabilidade e esse papel porque me foi dado pelos jogadores que estão dentro do balneário. Poderia ter sido o Benfica a dizer: “O capitão vai ser o Afonso”. Mas se o balneário não sentisse que tinha de ser o Afonso, não me respeitasse e não me ouvisse, de nada serviria usar a braçadeira. Felizmente, volto a repetir, temos um grupo muito saudável e onde cada um sabe o seu lugar.  Respeitamo-nos muito e, acima de tudo, sabemos perfeitamente a hora em que podemos brincar uns com os outros e a hora em que temos de trabalhar.

Bola na Rede: Nos vídeos disponibilizados pelo Benfica, vemos muitas vezes os jogadores a cantar músicas do clube e entoadas pelos adeptos. Como está a relação entre os jogadores e adeptos num pavilhão onde o ambiente é sempre mais próximo e intenso?

Afonso Jesus: É engraçado.Em primeiro lugar, é preciso frisar que não é uma coisa que nós alimentemos diariamente. Foi uma coisa que foi crescendo. Mesmo os jogadores que foram aparecendo de fora, sentem a necessidade em quererem saber mais do clube. Nota-se pelas canções, pelo simples facto de saberem as músicas do Benfica que se cantam nos pavilhões e no estádio. É interessante perceber que foi uma coisa natural. Quanto à relação com os adeptos, somos uns felizardos. Vamos a qualquer ponto do país, vamos jogar fora e onde formos os pavilhões estão cheios e repletos de benfiquistas. As pessoas fazem questão de nos apoiar e deixar uma mensagem no fim. S caixas de mensagens das nossas redes sociais são inundadas de mensagens positivas quase diariamente. Só temos de agradecer o apoio que os benfiquistas nos dão e fazer o que temos feito e retribuir, acima de tudo, com muito trabalho.

Bola na Rede: Este ano fica marcado pela chegada do Pany Varela ao clube. Como viveram dentro do grupo a chegada de um jogador que já foi considerado o melhor do mundo e qual o impacto que ele trouxe dentro e fora de campo?

Afonso Jesus: O Pany é um símbolo muito grande, e sempre foi para todos nós. Independentemente de anteriormente estar no Sporting, já o era por ser um jogador de seleção e que se olhava com muito respeito pela maneira como trabalha e como encarava o desporto em si. Neste momento, somos uns felizardos por termos o Pany ao nosso lado e por podermos ouvir a palavra do Pany. Ele também intervém nos momentos em que tem de intervir. Acima de tudo, pela liderança dele. Ele é um líder pela maneira como trabalha. Muitas vezes, nem precisa de falar, é só a maneira como ele se apresenta e interage dia-a-dia. É muito gratificante ter o Pany aqui connosco.

«Uma das minhas maiores alegrias todos os dias é acordar e poder vir trabalhar para o Benfica».

Afonso Jesus
Afonso Jesus Benfica
Fonte: André Eusébio / Bola na Rede

Bola na Rede: Já falámos do benfiquismo que vai crescendo no balneário. O que é o Benfica para ti, um miúdo que cresceu a amar o Benfica e adepto do clube?

Afonso Jesus: Já o disse várias vezes. Neste momento, o Benfica é a minha vida. Sou realmente um sortudo. Acredito piamente que há muitas pessoas que sentem o Benfica como eu sinto e que, infelizmente, não tiveram a oportunidade que eu estou a ter. É sem dúvida nenhuma uma das minhas maiores alegrias todos os dias acordar e poder vir trabalhar para o Benfica. É das maiores alegrias que tenho.

Bola na Rede: Sentes, de alguma forma, que dentro do pavilhão és um representante de todas as pessoas que tinham esse sonho?

Afonso Jesus: Não sei se as pessoas o veem assim. Eu, pelo menos, sinto o que estou a dizer. Todas as vezes que entro em campo, que entro por aquela porta de manhã para ir treinar, tenho esse sentimento: a sorte que eu tive em poder estar a realizar o meu sonho, que também é o sonho de imensa gente.

Bola na Rede: Admitiste recentemente o sonho em ser presidente do Benfica um dia. Entre ser presidente do Benfica e ganhar uma Champions de Futsal, qual escolhias?

Afonso Jesus: Não sei, é muito difícil. Provavelmente, juntaria o útil ao agradável. Ser presidente do Benfica e, enquanto presidente, que quem tivesse no futsal do Benfica ganhasse essas Champions todas.

Bola na Rede: Os teus colegas brincam contigo sobre isso?

Afonso Jesus: Brincam, claro. É sempre um motivo de brincadeira. É, sem dúvida, um sonho meu e nunca o escondi de ninguém, mas hoje em dia é levado como brincadeira. Também é assim que tem de ser.

Bola na Rede: Já entra na tua cabeça no dia-a-dia? Olhas para situações e pensas: “se fosse presidente do Benfica faria assim” ou “Viveria desta maneira o clube”?

Afonso Jesus: Não de forma muito séria. Dou por mim muitas vezes a pensar na sorte que tenho em todos os dias acordar e poder entrar por aquela porta para vir treinar.

Bola na Rede: Já tens vários anos de futsal e de jogo em cima. O que sentes que mais mudou no jogo em si, nos últimos tempos.

Afonso Jesus: Intensidade, acima de tudo. A intensidade com que se joga em Portugal, especialmente, é muito grande. Muitas vezes as equipas podem não ter as mesmas armas a nível técnico e a nível tático, mas podem rapidamente equilibrar o jogo com os níveis de agressividade e intensidade. De modo geral, nos anos todos que tenho jogado futsal, é esta a diferença.

«A quantidade de horas que passamos aqui a analisar detalhes e coisas tão pequeninas é para que a tática possa superar a intensidade quando ela é tão próxima».

Afonso Jesus
Afonso Jesus Benfica
Fonte: André Eusébio / Bola na Rede

Bola na Rede: Com a intensidade a aumentar e um lado emocional cada vez mais forte, é fácil de conjugar isso com a parte tática, estratégica e de posicionamentos?

Afonso Jesus: É o que tentamos fazer. Muitas vezes para uma equipa como a nossa, para além da intensidade brutal que tem, aliar a isso uma boa técnica e uma boa tática será o ponto-chave para poder ganhar os jogos e fazer a diferença face às equipas que apostam tudo na intensidade. O nosso treino, a quantidade de treinos que temos, a quantidade de horas que passamos aqui a analisar detalhes e coisas tão pequeninas é para isso mesmo. É para que a tática possa superar a intensidade quando ela é tão próxima.

Bola na Rede: Durante o jogo consegues fazer essa separação ou já é algo muito intuitivo em que não pensas em fazer isto ou aquilo porque o tens de fazer?

Afonso Jesus: Felizmente, ao dia de hoje, nós temos uma equipa que já consegue fazer de forma intuitiva. São muitas horas de treino, neste momento. A maneira de trabalhar do Cassiano exige que aqui passemos muitas horas, que analisemos muitos vídeos, que trabalhemos muitas vezes sem muita intensidade, mas ao pormenor e ao detalhe. Isso tem feito com que toda a equipa consiga, nesses momentos, de forma intuitiva, apresentar o melhor rendimento.

Bola na Rede: A chegada de resultados acaba por comprovar esse método e fazer os jogadores acreditarem cada vez mais que é o método certo?

Afonso Jesus: Acho que sim. É uma coisa natural. Recorde-se que o ano passado, o primeiro título que conseguimos conquistar com o mister foi o último. Antes disso, acabamos por perder a Taça da Liga, a Taça de Portugal e não foi por isso que não continuámos a acreditar e a trabalhar. Essa é a grande mensagem que o nosso grupo tem sempre muito presente. Independentemente do que está a acontecer, acreditamos no processo, seguimos o nosso caminho e continuamos a trabalhar, porque certamente mais à frente as coisas vão acabar por surgir.

Bola na Rede: Nesse título, a final foi jogada a cinco jogos. Há diferenças entre jogar uma final a cinco jogos, que pode permitir um erro ou tropeço, e jogar finais a jogos únicos?

Afonso Jesus: É, sem dúvida nenhuma, muito diferente. Não tenho a menor dúvida. Não consigo dizer, com a quantidade de jogos que tenho e aos anos que jogo futsal, o que é mais difícil, se é vencer a cinco jogos ou vencer um. É efetivamente muito difícil porque acho que há prós e contras. Se dum lado, quando se joga a apenas um jogo, a margem é completamente mínima, mas se tudo nos sair bem naquele dia, podemos esconder coisas que estão erradas e ganhar. Do outro lado, temos cinco jogos. Dá mais margem para erro, mas tem de ser a verdadeira equipa, a equipa que mais está preparada para vencer os cinco jogos.

Bola na Rede: Há no futsal também uma crescente profissionalização das camadas jovens, tu próprio já és um produto com formação desde cedo. Como jogador de formação e comparando a jogadores que veem das ruas, há diferenças no vosso jogo?

Afonso Jesus: Engraçado, é uma pergunta interessante. Não sei responder ao certo, por acaso é uma coisa que nunca tinha pensado. Sei que, certamente, fará diferença daqui para a frente. É uma coisa que vou tomar mais nota. Antigamente jogava-se muito mais na rua e, certamente, traria alguma irreverência e algumas qualidades técnicas. Se calhar quem não vai ter a oportunidade de jogar tantas vezes na rua, não as terá. Acho que tudo assente na base de uma boa formação, onde os clubes trabalhem efetivamente o que é essencial para formar um atleta, poderá depois colmatar essa diferença. Espero eu.

«Todas as vezes que há uma convocatória para a seleção, ainda me vem um formigueiro à barriga e a pensar se vou ou não».

Afonso Jesus
Afonso Jesus Benfica
Fonte: André Eusébio / Bola na Rede

Bola na Rede: Quanto à seleção nacional, como te sentes por estar mais consolidado no grupo e pelo percurso feito por Portugal?

Afonso Jesus: Sinto-me bastante lisonjeado por ter feito os jogos que fiz pela seleção. Mas digo com toda a sinceridade que a seleção apresenta, neste momento, um leque de possíveis jogadores para a convocatória que todas as vezes que há uma convocatória para a seleção, ainda me vem um formigueiro à barriga e a pensar se vou ou não. Somos obrigados a estar ao melhor nível para poder representar Portugal e é assim mesmo que tem de ser. Só dessa maneira é que voltaremos a conquistar os títulos que conquistámos pela seleção.

Bola na Rede: Ajuda-te a ti próprio a competir contigo mesmo para ser melhor sob o risco de ficar de fora numa próxima convocatória?

Afonso Jesus: Sem dúvida nenhuma. Sabendo que esse trabalho é sempre no Benfica, é sempre no clube, se não me apresentar a um nível altíssimo no clube, jamais me vou apresentar na seleção. Isso obriga-nos diariamente a estar num nível muito alto de treino e de descanso e de todas as componentes que nos fazem ao fim-de-semana ter um rendimento altíssimo e, depois, poder sonhar com a convocatória para a seleção.

Bola na Rede: Como é que o núcleo da seleção tem visto crescer a quantidade e qualidade nas novas gerações?

Afonso Jesus: Acho que de maneira muito saudável. Muito saudável, mesmo. Vejo pela última convocatória a quantidade de jogadores que foram e não estão tão rotinados a ir ou que se estrearam. A forma tão natural como entraram na equipa e como realizaram aqueles dois jogos de forma brilhante, a nós enquanto grupo que vai mais vezes, ou como as pessoas queiram dizer, é motivo de felicidade.

Bola na Rede: É mais fácil entrar numa máquina oleada que numa máquina ainda a ser criada ou transformada?

Afonso Jesus: Acredito muito nisso. Sem dúvida nenhuma.

«Do nosso trabalho depende a alegria de muita gente. Para além da nossa, depende a de muita gente. Acho que toda a gente tem essa responsabilidade bem presente no Benfica».

Afonso Jesus
Afonso Jesus Benfica
Fonte: André Eusébio / Bola na Rede

Bola na Rede: Como é que dentro de campo se conjuga a responsabilidade com a diversão?

Afonso Jesus: Cada vez penso mais nisto e acredito mais nisto. Se durante a semana, se durante os períodos de treino todos que temos, houver uma responsabilidade muito grande no que se está a fazer, uma seriedade muito grande e um compromisso muito grande, ao fim-de-semana é a hora da alegria, de desfrutar e de pôr em prática o que tivemos meses e meses a fazer, semanas consecutivas a fazer. A seriedade vem sempre e seremos sempre muito sérios no nosso trabalho. Do nosso trabalho depende a alegria de muita gente. Para além da nossa, depende a de muita gente. Acho que toda a gente tem essa responsabilidade bem presente no Benfica. Se formos, efetivamente, muito sérios quando as câmaras não estão, quando as câmaras aparecem só temos de nos divertir e ser felizes.

Bola na Rede: Essa perspetiva foi mudando ao longo da carreira? Ao evoluir foste mais capaz de lidar com a pressão e a ansiedade?

Afonso Jesus: Sem dúvida nenhuma. O grande clique na maneira de abordar o jogo ao fim-de-semana que me aconteceu com a idade foi perceber efetivamente isso. Foi perceber que o que ia acontecer ao fim-de-semana era sempre consequência do que acontecia durante a semana.

Bola na Rede: E isso permitiu elevar o teu nível em campo?

Afonso Jesus: Sem dúvida. Aliás, vou retificar. Permitiu elevar o nível durante a semana e nos treinos e, consequentemente, aumentou durante o fim-de-semana.

Bola na Rede: Se tivesses de deixar uma mensagem a todos os adeptos do Benfica e de futsal, o que dirias neste momento da tua vida e da temporada?

Afonso Jesus: Acima de tudo, que continuem a apoiar muito o futsal e a encher os pavilhões. Da nossa parte, jogadores do Benfica, atletas do Benfica, equipa de futsal do Benfica, continuem a acreditar muito em nós. É como eu disse, durante a semana, enquanto ninguém nos vir e não houver uma única câmara e um único adepto vamos trabalhar até à exaustão para depois chegarmos ao fim-de-semana e podermos dar as maiores alegrias a toda a gente.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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