Prestes a rubricar a sua renovação de contrato até 2028, Rui Borges tem sido um dos nomes mais falados nos últimos tempos, em plena fase conturbada para o Sporting.
Após terem sido eliminados dos quartos de final da Liga dos Campeões, os verdes e brancos não têm conhecido o sabor da vitória (embora tenham alcançado a tão desejada final da Taça de Portugal), tendo falhado o objetivo de revalidar o campeonato pela terceira vez consecutiva após um desaire frente ao Benfica (2-1), em Alvalade, e um empate inesperado frente ao já despromovido AVS (1-1).
Que a caminhada de Rui Borges de leão ao peito tem sido repleta de momentos de magia, isso é certo, mas o treinador dos verdes e brancos tem sofrido de um autêntico ‘calcanhar de Aquiles’ nas competições nacionais: os jogos grandes. Desde dezembro de 2024, altura em que abraçou o projeto leonino, o técnico mirandense soma apenas quatro triunfos em embates diante do Benfica, FC Porto e Braga, habituais candidatos às competições existentes.


No universo do futebol, há quem defenda que o campeonato se ganha frente aos grandes e o Sporting de Rui Borges espelha exatamente isso: na presente temporada não conheceram o sabor da vitória perante os emblemas já mencionados, um fator que poderá ter feito a diferença naquilo que são as contas finais da atual edição da Liga Portuguesa.
O padrão verde e branco nos jogos grandes: da pressão à retirada do “pé no acelerador”
Com dois desaires e três empates protagonizados frente a SL Benfica, FC Porto e SC Braga, na temporada 2025/26, os leões de Rui Borges mostraram uma tendência: uma entrada forte, mas um certo adormecimento à medida do passar do jogo. No Estádio da Luz, em dezembro de 2025, o Sporting entrou possante e adiantou-se no marcador na passagem do 12 minuto, por intermédio de Pedro Gonçalves. Desde então, a turma de Alvalade baixou o ritmo de jogo, não procurando por oportunidades para voltar à vantagem na partida (os encarnados marcaram 15 minutos depois).
A autêntica ‘malapata’ do conjunto lisboeta, na presente temporada, debruça-se sobretudo na segunda parte das partidas. Frente ao SC Braga, o Sporting perdeu quatro pontos, já nos instantes finais dos duelos, após golos sofridos por parte do adversário. Os verdes e brancos controlam, mas abrandam a pressão e o ritmo de oportunidades, o que dá espaço para que os clubes rivais ganhem asas para sonhar.


Uma tendência que se estendeu para outros jogos dos leões na Liga Portuguesa e também na Taça de Portugal. Em Barcelos e na Vila das Aves, o Sporting acabou por perder a vantagem por margem mínima (1-0) e levou ainda três partidas a prolongamento para a prova rainha. Na partida da 26.ª jornada, disputada na passada quarta-feira, 29 de abril, os verdes e brancos sofreram novo azar, perdendo uma vantagem por 2-0, para 2-2, após dois golos apontados pelo Tondela, já nos descontos.
Além-fronteiras, os verdes e brancos são sonhadores
Se frente aos rivais diretos, os verdes e brancos mostraram uma certa apatia na segunda parte das partidas disputadas, na Europa o caso é algo diferente. O Sporting viveu uma caminhada de sonho na Liga dos Campeões, caindo apenas para o Arsenal, nos quartos-de-final da competição, num trajeto que foi marcado por reviravoltas e surpresas.


Em Alvalade, o registo na prova milionária foi praticamente perfeito: seis partidas disputadas e apenas uma derrota, com vitórias protagonizadas diante do Marselha e do gigante europeu, Paris Saint Germain. Fora de portas, os leões viram-se em desvantagem em Bilbao (3-2) e diante do Bodo Glimt (5-3, total da eliminatória), mas nem isso demoveu os verdes e brancos, que se mostraram ligados à corrente, contrariando a tendência protagonizada em embates para as competições nacionais.
Rui Borges, a cara do projeto que aponta a reverter tendência
Com uma dobradinha alcançada na temporada transata, Rui Borges é, aos olhos da direção do Sporting, o homem certo na posição certa. O repto está dado e o timoneiro vai ser a cara de mais uma temporada dos verdes e brancos nas diferentes competições onde habitualmente estão inseridos.


Com um mercado de verão à porta, onde vão certamente sair peças elementares do Sporting, o treinador prepara-se para uma nova faceta dos verdes e brancos, onde vai querer contar com o plantel todo à disposição (algo que ainda não aconteceu desde que abraçou o projeto) e investir em segundas linhas, para não contar com as constantes ondas de lesões que tem encarado de leão ao peito.
Assim, o sentimento que se vive em Alvalade, é a de proporcionar a Rui Borges as peças que este precisa para o Sporting estar na máxima força para os capítulos que se seguem. Ainda colocando a mira na presente temporada, os leões querem ainda alcançar o segundo lugar e levantar a 20.ª Taça de Portugal da história, mostrando que mesmo em caso de falta de inspiração, que a atitude não falte.

