O jornal espanhol AS analisou o grande sucesso das academias portuguesas na formação de jovens talentos de elite mundial.
O jornal espanhol AS analisou o sucesso da criação de talentos em Portugal, dando grande destaque à evolução tática e à mentalidade dos jovens.A imprensa espanhola concluiu que esta autêntica fábrica de talentos assenta em três grandes pilares: a adoção precoce do sistema tático 4-3-3, a valorização da inteligência cognitiva dos jovens em detrimento da força física, e uma cultura de exigência extrema incutida pelos clubes. Para explicar esta realidade, a reportagem baseou-se nos testemunhos de vários técnicos portugueses com passado na formação.
Renato Paiva detalhou o modelo de sucesso do Benfica comparando-o à famosa academia do Barcelona:
«Todo o futebol de formação do Benfica tem a mesma forma de trabalhar. Tal como a La Masia. Todos dentro de uma mesma estrutura. Dava-se prioridade ao 4-3-3, dava-se prioridade à rotação dos jogadores em diferentes posições».
A importância deste sistema foi corroborada por Hélder Cristóvão:
«A grande virtude dos portugueses é começarem a jogar muito cedo no 4-3-3».
O técnico explicou ainda que o que define os talentos nacionais é a inteligência em campo, algo que Renato Paiva ilustrou com um episódio de Bernardo Silva aos 10 anos, quando questionado sobre como lidava com adversários muito maiores fisicamente:
«Mas senhor, a questão é que eu não procuro o contacto. Eu procuro estar sozinho, porque sei quem sou, sei o que sofro, então, se me posicionar bem em campo, estarei sempre sozinho e passar-me-ão a bola».
Já no Olival, João Brandão sublinhou o ADN exigido para vingar no FC Porto, dando o exemplo de talentos como Vitinha e Rodrigo Mora:
«A visão do clube é inegociável. É um clube vencedor. À entrada do nosso centro de treinos há uma frase que diz: ‘amamos aqueles que detestam perder’ e isso é a base de tudo».
A concluir, o técnico portista deixou um alerta fundamental sobre os tempos e a individualidade de cada jovem:
«É possível criar mais jogadores como ele, mas Vitinha só há um; Rodrigo Mora só há um; Rúben Neves também é único. Acho que a originalidade é o que precisamos de compreender e é perigoso querer que um miúdo seja uma cópia da outra».
Brandão recordou ainda que não há prazos definidos para o sucesso:
«O desenvolvimento de um jogador nem sempre é contínuo e ascendente. No caso do Vitinha, aos 17 e 18 anos, ele não jogava muito nas equipas de formação do FC Porto. Foi para o Wolves e, quando regressou, estava pronto para tudo (…) Cada um amadurece de uma forma diferente».

