Kévin Boma terminou a segunda temporada em Portugal e ao serviço do Estoril Praia. O regresso aos relvados, depois de uma prolongada lesão, deu-se já no soar do bongo, mas não impediu o defesa de fazer o balanço dos anos passados em Portugal. Em entrevista exclusiva ao Bola na Rede, Kévin Boma traça as linhas gerais do que sente por jogar pelos canarinhos, olha para a confiança que Ian Cathro quis dar à equipa e explica o apelidou como o ‘cocktail’ perfeito no balneário.
Entrevista conduzida por Diogo Ribeiro e Ailton Pereira
«Queríamos fazer melhor, pensar além da manutenção e acho que o fizemos».
Kévin Boma
Bola na Rede: Como te sentiste por regressar de lesão no último fim-de-semana?
Kévin Boma: Senti-me bem. Passou muito tempo e sentia falta dessa sensação. Poder estar lá e sentir de novo o cheiro da relva e do campo num jogo oficial foi muito bom. Muito feliz por isso.
Bola na Rede: Qual é a parte mais complicada de estar fora devido a uma lesão?
Kévin Boma: Como jogador, quero sempre ajudar a equipa. Quero estar sempre lá e fazer parte do jogo, porque isso é essencial para um jogador. Foi muito frustrante. A kesão chegou num momento em que me sentia bem e a equipa também estava bem. Quando estás de fora é muito frustrante, mas é preciso ser paciente e trabalhar para voltar o mais cedo possível.
Bola na Rede: Nos últimos meses, o Estoril Praia sofreu com várias lesões no setor defensivo. É mais difícil estar de fora sabendo que a equipa precisa de ti?
Kévin Boma: Sim. Todos os jogadores querem ser opção para o treinador, ainda mais quando vês que os teus colegas de posição também passam por problemas. Claro que queria estar disponível e, como disse, ajudar a equipa o máximo que podia. Tive de aceitar.
Bola na Rede: Estamos a chegar ao final da época. Já fizeram um balanço da temporada?
Kévin Boma: Sim. Acho que todos sabemos quais eram as nossas expectativas e qual o nosso objetivo, o que fizemos de bom e o que não fizemos tão bem. Para ser honesto, nós sabemos. O treinador, a equipa, foi algo que fizemos. Sabemos o que fizemos bem e não.
Bola na Rede: O objetivo da próxima temporada é fazer melhor e tentar chegar a lugares europeus?
Kévin Boma: Sim. O nosso propósito é chegar mais longe, competir por mais do que conseguimos. Por duas épocas consecutivas, chegámos ao top-10. Não foi sempre feito no Estoril e nunca é fácil, pelo que temos de o valorizar, em primeiro lugar. Depois, temos de pensar mais alto e com confiança.
Bola na Rede: Nas últimas duas épocas, conseguiram escapar à luta pela manutenção. É um mérito e algo bom a levar?
Kévin Boma: Claro. É sempre algo bom para levar. Como eu disse, não era o nosso objetivo no início da época. Queríamos fazer melhor que isso, pensar além da manutenção e acho que o fizemos. Garantimos a manutenção cedo na época e, desde aí, quisemos fazer melhor.
Bola na Rede: Vão terminar a época diante do Benfica de José Mourinho. Quais as expectativas para o jogo?
Kévin Boma: Preparámos todos os jogos que disputámos esta época e todos os que disputaremos no futuro da mesma maneira. Preparamos para vencer.
Bola na Rede: Podem ser a primeira equipa a vencer o Benfica na Liga nesta temporada e no último jogo. É algo em que pensam?
Kévin Boma: Não. Estamos mais focados em nós, no nosso trabalho e no nosso plano. Se for mais uma motivação para nós, então é bom.
«O meu pai também é fã do Mangala e dizia para eu olhar para ele e me inspirar nele. É muito bom termos jogado na mesma equipa».
Kévin Boma


Bola na Rede: É a tua segunda temporada pelo Estoril Praia. Qual o significado que o clube tem para ti?
Kévin Boma: É a minha segunda temporada. Para mim, o clube é uma grande família. Trabalhamos todos com o mesmo objetivo de fazer a cidade orgulhosa. É com muito orgulho que faço parte disso.
Bola na Rede: Quando vieste para Portugal, o facto de haver uma comunidade de jogadores que falam francês como o Mangala, o Begraoui e o Guitane tornou a adaptação mais fácil?
Kévin Boma: Sim, acho que sim. Principalmente o Mangala, porque já tinha muita experiência na Liga Portuguesa e partilhamos a mesma posição, então ajudou-me muito. Mas não estava a tentar apenas falar com eles, mas com toda a equipa, com os portugueses, os que falam inglês e com todas as nacionalidades. Queria fazer parte do balneário e ajudaram-me muito.
Bola na Rede: Olhaste para o Mangala como uma inspiração? Pela mesma posição era uma referência que tinhas no Estoril?
Kévin Boma: Absolutamente. Quando eu era uma criança, olhava para a seleção francesa e via-o a jogar. É absurdo poder estar com ele, falar com ele. Sempre olhei para ele como referência. O meu pai também é fã do Mangala e, sendo muito honesto, dizia para eu olhar para ele e me inspirar nele. É muito bom termos jogado na mesma equipa. Tivemos uma relação muito forte e ainda a mantemos.
Bola na Rede: Quais os desafios de vir para Portugal e ter a primeira experiência longe de casa?
Kévin Boma: É algo diferente, mas aprendi muito com essa experiência. Sempre tinha jogado em França, em casa e sentia-me bem. Ao sair, descobres novas coisas, uma nova equipa, uma nova cultura e tens de te adaptar. É totalmente diferente, mesmo para lá do futebol. Mas é bom e fez-me melhorar muito.
Bola na Rede: O que esperavas da Liga Portuguesa e que avaliação fazes?
Kévin Boma: Acho que há muito boas equipas na Liga. Seria bom ter mais pessoas nos estádios. Criava uma atmosfera diferente nos jogos. Quando não jogamos contra os três grandes, é um pouco diferente. Queremos sentir essa atmosfera, é a sensação que queremos ter todos os fins-de-semana. Era o que gostaria de ver algo diferente.
«O Ian Cathro é muito bom e preocupa-se sempre com os jogadores, em como nos sentimos e tenta sempre ajudar-nos».
Kévin Boma


Bola na Rede: Como te sentes por ser treinado pelo Ian Cathro?
Kévin Boma: Bem. Para ser honesto, muito bem. É um ótimo treinador e uma ótima pessoa para lá do treinador. É muito bom e preocupa-se sempre com os jogadores, em como nos sentimos e tenta sempre ajudar-nos. Não apenas ele, tanto ele como a sua equipa técnica. Quando estás bem, ele diz-te que estás bem, mas quando não estás bem, ele tenta sempre ajudar-te a ser a tua melhor versão. Ele motiva-nos sempre e é um prazer trabalhar com ele.
Bola na Rede: Nas conferências de imprensa, fala sempre com muita honestidade e verdade. Como é a conexão e comunicação dele com os jogadores?
Kévin Boma: Ele conseguiu trazer essa mentalidade para o clube e para o balneário. Temos a mentalidade que ele evidencia nas conferências de imprensa. Queremos atingir tudo com ele. Sentimos que podemos competir contra qualquer um e é isso que eu gosto da sua mentalidade. Não temos medo de ninguém. É isso que quero enquanto jogar, ser sempre competitivo.
Bola na Rede: Quando chegaste, no início da última temporada, o Estoril Praia passou por um período difícil, com vários empates e derrotas. Depois, acabaram por ultrapassar essa situação e terminaram a época numa boa classificação, com bons resultados e um bom futebol. Aquele começo difícil foi um momento-chave para se unirem e ultrapassar o problema?
Kévin Boma: Sim, absolutamente. Chegámos todos por volta dessa altura. Houve uma grande diferença entre essa temporada e a anterior, com várias mudanças, muitos jogadores novos. É preciso adaptarmo-nos e conhecermo-nos uns aos outros. Foi um momento difícil, mas ao mesmo tempo aprendemos muito com isso. Foi um momento que nos fez melhorar mentalmente e como equipa, até fazer uma boa sequência na temporada. Fez parte do processo.
Bola na Rede: O Estoril Praia é uma das equipas que mais golos marca em Portugal. Como te sentes por jogar numa equipa que procura sempre jogar bom futebol?
Kévin Boma: É um prazer [risos]. É um prazer, mas ao mesmo tempo às vezes sofremos as consequências disso. Queremos provar que não temos medo de ninguém. Podemos jogar contra o Sporting, o Benfica, as principais equipas da Liga e vamos ter o mesmo plano. Não temos medo nem nos tentamos adaptar a ninguém. É muito bom.
«Gosto de perseguir o meu oponente, de o tentar apanhar. Não tenho medo disso».
Kévin Boma


Bola na Rede: Como defesa, como te sentes por ter tantas vezes a bola nos pés?
Kévin Boma: É diferente. Acho que é uma tendência do futebol em geral, não só do Estoril. É bom senti-lo, porque é preciso ser competitivo e saber como competir com a bola, mesmo como um defesa. Aprendo muito taticamente.
Bola na Rede: E como te sentes em jogar, muitas vezes, 50 ou 60 metros à frente da tua baliza, com muito espaço nas costas para cobrir?
Kévin Boma: É totalmente diferente do que estamos habituados. Pessoalmente, não me importo porque gosto disso. Gosto de perseguir o meu oponente, de o tentar apanhar. Não tenho medo disso. Mas exige muita energia [risos].
Bola na Rede: Mesmo quando o teu adversário é o Viktor Gyokeres, por exemplo, que foi um dos teus primeiros adversários em Portugal? Mesmo quando o adversário tem muita velocidade e fisicalidade, é um bom desafio?
Kévin Boma: Sim, é bom. Eu gosto de competir. Se é físico, então vamos ver quem tem mais físico. É a minha mentalidade. Não sei quem será o avançado adversário, mas esta será sempre a minha mentalidade.
Bola na Rede: Da tua experiência, qual o adversário mais difícil com que lidaste em Portugal?
Kévin Boma: Acho que há muito bons avançados em Portugal. Não sei dizer apenas um, mas obviamente que no caso do Gyokeres, o Sporting sabia como usá-lo na perfeição. É aquele que estava mais confiante contra nós.
Bola na Rede: Quais as principais exigências que tens como defesa ao lidar com avançados de topo? Tens uma preparação específica para esses jogos ou segues sempre a mesma mentalidade?
Kévin Boma: Tento manter a mesma mentalidade sempre que possível. Independentemente do avançado adversário, eu não vou mudar a forma como preparo todos os jogos. Obviamente que tento sempre ver alguns vídeos, analisar e conhecê-lo melhor para o perceber. Faz parte da minha preparação.
«Temos alguns jogadores com experiência e muitos jovens. É um bom mix, um bom cocktail».
Kévin Boma


Bola na Rede: Sentes que a ideia perfeita para um defesa é adaptar o teu jogo à equipa ou melhorar o teu jogo individualmente? Alguns defesas dizem que a melhor maneira de ajudar os outros é melhorar em si mesmo e, só depois, ver como melhorar com a equipa. Preferes melhorar com a equipa antes ou ver primeiro onde consegues melhorar e depois integrar isso na equipa?
Kévin Boma: Tento olhar para ambos. Estou mais focado em mim. Se encontrar a melhor versão de mim, conseguirei ajudar melhor a equipa. Estou mais focado em melhorar as minhas fraquezas e reforçar os meus pontos fortes para ajudar a equipa o máximo possível.
Bola na Rede: Há algum jogo que te lembres como a tua melhor exibição?
Kévin Boma: Lembro-me de um jogo contra o Famalicão na última temporada [Estoril Praia 2-1 Famalicão]. Acho que foi um dos meus melhores jogos.
Bola na Rede: Por alguma razão em especial?
Kévin Boma: Nesse jogo, senti-me mesmo bem. Estava muito confiante em campo e, às vezes, mesmo os teus companheiros conseguem senti-lo. Eles pensam “Este tipo está on fire hoje, estamos bem”. [risos]. Isto pode ajudar os outros, mesmo para os avançados quando sentem que a defesa está bem. Neste jogo tive essa sensação.
Bola na Rede: Quando fazes cortes ou conseguem evitar golos, sentes que isso ajuda a melhorar o espírito e a confiança da equipa no jogo?
Kévin Boma: Claro. É assim que uma equipa funciona. Todos têm de fazer a sua parte e o nosso objetivo é não sofrer golos e fazer da equipa o mais confiante possível. Queremos dar confiança aos avançados e, para isso, eles têm de sentir confiança na defesa, de sentir que ela está sólida. É o que tentamos fazer ao máximo.
Bola na Rede: Quando falas, é possível perceber o bom ambiente no grupo. Podes falar um pouco do ambiente do balneário?
Kévin Boma: Sim, temos um ambiente muito bom no Estoril. Um grande balneário, bons colegas, é incrível. Temos alguns jogadores com experiência e muitos jovens. É um bom mix, um bom cocktail. É um prazer trabalhar com eles. Todos se dão bem e querem a mesma coisa.
«O Pizzi é um grande jogador e fez muito pelo futebol português. Mesmo quando estava em França, já o conhecia, porque ele era muito famoso».
Kévin Boma


Bola na Rede: Pensando neste mix entre experiência e juventude, como te sentes por trabalhar com jogadores com muitos jogos, uma grande carreira e experiência noutras ligas? Quais as sensações que trazem ao balneário?
Kévin Boma: É incrível para nós, enquanto jovens jogadores. Eles são os jogadores em quem nos inspirámos quando eramos mais novos, e agora trabalhar com eles é um prazer. Não apenas como jogadores, mas mesmo como pessoas são incríveis. Às vezes não esperas isso. Achas que eles têm vários jogos, muita experiência, mas são todos muito simpáticos e tentam dar-te muitos conselhos. Esta liderança faz uma diferença grande no mais alto nível.
Bola na Rede: Se tivesses de descrever o teu papel no balneário, como o farias?
Kévin Boma: Sou um pouco dois. Às vezes sou engraçado, outras sou mais sério. Tento ser bom com todos e dar-me bem com todos. Quero conhecer todos, perceber todos para me comunicar melhor em campo. Na minha posição, tenho de comunicar muito, por isso tenho de me dar bem com todos.
Bola na Rede: Pensando na comunicação em campo, como te sentes por ser uma voz importante na linha defensiva? És a voz principal ou têm este papel repartido?
Kévin Boma: Não é apenas uma pessoa que fala. Há vários jogadores que falam em campo. Pela minha posição, tenho de falar muito porque eu vejo todo o jogo. É obrigatório para mim falar. Aceito esse papel que, para mim, é natural.
Bola na Rede: O Pizzi anunciou o final da carreira no fim da época. Como descreverias a sua personalidade, a tua experiência com ele e que mensagem lhe deixas?
Kévin Boma: Foi um grande anúncio e já vi as notícias. O Pizzi é um grande jogador e fez muito pelo futebol português. É um jogador brutal. Mesmo quando estava em França, já o conhecia, porque ele era muito famoso. Sento-me ao lado dele [risos]. É um prazer. Falamos muito. É um dos rapazes com muita experiência e que nos ajuda muito. Pessoalmente, ajuda-me muito. Queria desejar-lhe o melhor para o futuro e uma boa reforma.
Bola na Rede: Há um jogador do Estoril Praia que é o terceiro melhor marcador da Primeira Liga, o Yanis Begraoui. Qual o segredo dele para tantos golos?
Kévin Boma: Eu não sei, tens de lhe perguntar. [risos]. Se me puderes dar a chave, eu gostava de saber também. Ele é alguém que trabalha muito. Está sempre muito focado em como pode ser melhor, quer estar sempre a melhorar. Mesmo que ele marque dois golos, no final do jogo vamos falar e ele vai dizer “Podia ter marcado mais, três ou quatro”. Quer sempre fazer mais. É a mentalidade que o ajuda a estar sempre nesse nível.
Bola na Rede: Acredito que tenham vários duelos nas sessões de treino. Quem vence mais?
Kévin Boma: Não sei. Eu conheço-bem, por isso para mim é mais fácil. Vamos dizer 50/50.
«Nada vem de forma fácil e ninguém te vai dar o que queres. Todos queremos o mesmo, então temos de confiar em nós próprios».
Kévin Boma


Bola na Rede: Olhando para o futuro, tens expectativas em voltar à seleção nacional?
Kévin Boma: Claro que gostaria de voltar. Já passou algum tempo e temos grandes expectativas. Nem sempre tem sido fácil na seleção. Falhamos o apuramento para a CAN há dez anos e queremos regressar. Quero fazer parte da próxima qualificação, sentir-me importante e ter voz no balneário. Espero muito.
Bola na Rede: Como descreves o sentimento de jogar pela tua seleção nacional?
Kévin Boma: Acho que é o melhor sentimento para todos os jogadores. Representar o meu país orgulha toda a minha família. Ficam todos doidos quando me vêm a jogar com a camisola do Togo. É incrível, não o consigo descrever. Mesmo para as pessoas, elas adoram futebol e é um prazer representar a seleção.
Bola na Rede: Tens alguma Liga de sonho onde gostavas de jogar na tua carreira?
Kévin Boma: Não tenho uma liga específica. Gostava de jogar nas melhores competições da Europa e do Mundo e isso significa jogar nas principais ligas. Não tenho uma específica.
Bola na Rede: E vês alguma liga como o melhor encaixe para as tuas características e atributos como jogador?
Kévin Boma: Não. Não quero reduzir-me a apenas uma liga. Obviamente que, quando vês futebol, sentes que há ligas que se podem adequar mais que as outras. Se tiver de dizer uma, por que não a Premier League? Em Inglaterra o jogo é muito físico e acho que me integraria bem a jogar lá. Mas é como disse, não me quero reduzir a apenas uma liga. Se é uma das principais, será boa para mim.
Bola na Rede: Qual o objetivo do Estoril Praia para a próxima temporada?
Kévin Boma: É ser estável, enquanto clube que quer chegar à Europa. Queremos estabilizar-nos no top-10 durante a temporada e crescer como clube para chegar a estes lugares. Acho que o conseguimos fazer.
Bola na Rede: Se pudesses descrever o que sentes em jogar futebol, como o farias? Acredito que como criança era o teu grande sonho, qual conselho deixarias àqueles que agora o são?
Kévin Boma: Jogar futebol é a melhor sensação que tenho. É tudo. Desde que tenho cinco anos que jogo futebol, é a coisa que mais feliz me faz no mundo. Estou muito feliz e agradecido por ser profissional. O melhor conselho que posso dar é para confiarem em si mesmos e trabalhar duro. Nada vem de forma fácil e ninguém te vai dar o que queres. Todos queremos o mesmo, então temos de confiar em nós próprios. Ninguém vai confiar mais em ti que tu mesmo.

