Há sempre uma primeira vez para tudo na vida. Que o digam Crystal Palace e Rayo Vallecano. Os dois clubes disputaram uma final europeia pela primeira vez nas suas histórias. Levou a melhor o emblema inglês, que conseguiu ser quase sempre superior aos espanhóis durante os 90 minutos. Aqueles que esperavam um bom espetáculo de futebol com muitos golos saíram algo desapontados. O único tento da partida acabou por fazer a diferença na qualidade das duas equipas, e foi dessa forma que o Crystal Palace conquistou a Conference League.
Na Red Bull Arena, em Leipzig, Crystal Palace e Rayo Vallecano entraram em campo com esquemas táticos diferentes. O conjunto orientado por Oliver Glasner apresentou-se num 3-4-3, enquanto Iñigo Pérez utilizou o 4-2-3-1 do lado da equipa do bairro de Vallecas. E cedo se percebeu que o Crystal Palace queria assumir o controlo dos acontecimentos. A pressão inicial dos ingleses fez-se notar com os três homens da frente. Jean-Philippe Mateta, Yeremy Pino e Ismaila Sarr pressionaram a saída com bola dos defesas da formação espanhola.
E apesar da tática inglesa indicar que os ataques poderiam surgir mais pelos flancos, foi notório que muito do jogo construído pelo Crystal Palace era feito pelo meio. As incursões de Daichi Kamada para ligar jogo aos avançados revelou isso mesmo. O médio japonês foi o melhor do Crystal Palace nesse sentido e muito do jogo passava pelos seus pés. Mesmo com maior pendência ofensiva, as águias de Londres tardavam em chegar a golo. Muito por culpa do Rayo Vallecano, que nunca se desmontou por completo e conseguiu parar todos os ataques contrários. Nota positiva na forma como defendeu e soube sofrer em momentos de maior aflição.
O Rayo Vallecano equilibrou a partida a partir dos 20 minutos. Ia alternado a sua forma de jogar entre o contra ataque e a saída em posse. Os espanhóis chegaram mesmo a ganhar o meio-campo ao Crystal Palace, o problema foi quando a bola chegava à grande área, onde não havia ninguém capaz de criar perigo. O ponta de lança Alemão parecia algo perdido lá na frente. A primeira parte acabou com uma excelente oportunidade para o Crystal Palace inaugurar o marcador, mas Tyrick Mitchel falhou na cara do guarda-redes Augusto Batalla.
O início do segundo tempo trouxe um Crystal Palace a entrar com tudo para cima do Rayo Vallecano, e trouxe aquilo que todos os que pagaram bilhete para ver esta final desejavam. Golos. E foram os adeptos ingleses os primeiros e únicos a serem contemplados com esse pedido. Mateta aproveitou da melhor maneira uma recarga vinda de um remate de Adam Wharton, melhor em campo desta final, que teve tempo e espaço para alvejar a baliza espanhola. A avalanche ofensiva londrina foi tal que logo a seguir podia ter sentenciado, em dois momentos, praticamente o encontro. Primeiro foi o poste, ou melhor, os dois postes a salvarem o golo quase certo de Yeremy Pino. E na jogada seguinte Batalla nega com os pés o bis a Mateta.
Este aperto fez com que o técnico do Rayo Vallecano efetuasse as primeiras alterações. Iñigo Pérez queria dar um abanão na sua equipa depois desta entrar a “dormir” na segunda parte. Alargou a frente de ataque com uma linha de quatro jogadores na esperança que isso trouxesse resultados. Só que o problema nunca foi a forma como o Rayo Vallecano trocava a bola, porque isso fê-lo bem. A maior dificuldade foi sempre a maneira como terminavam as jogadas bem elaboradas do conjunto espanhol. Sempre inconsequentes. Até mesmo de bola parada as coisas não correram bem. Mesmo com o recuo natural do Crystal Palace e a dar a iniciativa de jogo, não conseguiu marcar e acabou a partida apenas com um remate à baliza.
O Crystal Palace levantou o troféu de forma justa. Foi a melhor equipa, apresentou melhores argumentos e teve as melhores oportunidades, mesmo que não tenham sido muitas. E isso já diz muito sobre o que foi esta final. Sem muita chama e sem a emoção de outras finais europeias que ficaram para a história. A formação do sul de Londres acaba por ter um ano mágico, pois junta a Liga Conferência à Taça de Inglaterra e à Supertaça inglesa, conquistadas em 2025. Quanto ao Rayo Vallecano foi um digno vencido. Lutou com as armas que tinha, perdeu apenas por um golo e no final só tem que estar orgulhoso pelo trajeto que fez na prova.

