Dobradinha europeia com toque de mestre | PSG 1-1 Arsenal (4-3 g.p.)

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O impensável aconteceu entre PSG e Arsenal. Em Budapeste, duas equipas entraram na Puskas Arena com duas estratégias bem definidas, diferentes entre si, mas com um único objetivo: sagrar-se vencedor da Champions League. Luis Enrique venceu a batalha contra Mikel Arteta e conquistou a dobradinha ao serviço dos parisienses. 

Luis Enrique revolucionou, por completo, a estrutura e projeto do PSG numa aposta em jogadores de futuro, sem egos, dispostos a morrer em campo pelo emblema que envergam ao peito. Rescindiu com o estatuto, com o estrelato e com a falta de dedicação. O vídeo viral onde o espanhol confronta Mbappé pela sua falta de esforço em campo é demonstrativo das mudanças impostas no clube. O próprio Luis Enrique admitiu, em entrevista, que conseguia controlar muito mais a equipa com a saída do francês. 

O nome e estatuto dos jogadores não são relevantes para o espanhol. Donnaruma é visto como um dos melhores guarda-redes do mundo, ainda assim, Luis Enrique sentiu que o italiano já não entrava para os planos do clube. Foi esta mudança de mentalidade, a juntar o excelente trabalho de Luis Campos como diretor desportivo com contratações certeiras, que o PSG fez história com a dobradinha e conseguiu estabilizar-se com um projeto sólido e entusiasmante. 

Voltando ao jogo, este não começou de feição para a equipa parisiense, com um golo madrugador de Kai Havertz, uma grande finalização do alemão, diga-se de passagem. Após o golo, estava exposta a estratégia de Arteta, com o Arsenal a baixar as linhas. A equipa londrina, desde cedo assumiu a sua postura para o jogo, com uma bela homenagem a José Mourinho. A partir do golo, estava estacionado o autocarro, com o Arsenal a ter apenas 26% da posse de bola, um dado que pode ser visto como irrelevante, já que a posse de bola não vence jogos. Para que se tenha uma ideia, entre o minuto 45+6’ e os 120’, o Arsenal criou os apenas 0.01 de xG, o que para uma equipa que pretende ganhar a Liga dos Campeões não é suficiente. 

Daí, o debate prolongado antes do embate, onde o futebol ofensivo e entusiasmante de Luis Enrique se opunha ao anti-futebol de Arteta, com as redes sociais a ocuparem os dois lados da barricada com opiniões bem vincadas acerca de quem merecia ganhar. 

O jogo nunca esteve controlado por nenhuma das equipas, o PSG dominou ofensivamente, teve mais bola, porém encontrou obstáculos na chegada ao último terço face ao bloco compacto do Arsenal. Já o Arsenal, nunca assumiu as rédeas do encontro, limitou-se a reagir ao invés de agir. Apesar do jogo ter ido a grandes penalidades, foi uma exibição pobre da equipa londrina, que se mostrou eficaz defensivamente, o que não é suficiente. Raya voltou a mostrar que é o melhor guarda-redes da atualidade, Rice mostrou-se em bom plano, limitado pelo resto da equipa e Havertz foi o ponta de lança que Gyokeres não conseguiu ser durante os minutos finais de jogo.

Já o PSG, foi um retrato da época. A equipa parisiense já mostrou que está talhada para vencer, mesmo que as exibições não sejam perfeitas, as vitórias parecem inevitáveis. Os protagonistas da equipa voltaram a aparecer, sem recuar de um bom desafio, mesmo que complicado. Dembelé mostrou frieza na hora de marcar a grande penalidade, Kvaratskhelia sempre energético, lançava dores de cabeça à defensiva arsenalista, o que lhe valeu a conquista do penálti. No outro lado, Doué fez o habitual, forte no 1×1, a partir para cima da oposição.

Os portugueses de Paris também não desiludiram, Nuno Mendes voltou a ter uma boa exibição, quase como uma sombra de Bukayo Saka, que pouco ou nada lhe foi permitido. João Neves fez o trabalho sujo no meio-campo, o algarvio parecia omnipresente, sem medo dos duelos, ao todo foram dez duelos ganhos num total de 13 efetuados. Vitinha, ainda que não tenha feito uma exibição exímia, foi uma presença forte e segura, tendo lhe valido a distinção de “Melhor em Campo”.

Seguiram-se os penáltis, um momento de sonho para uns, de pesadelo para outros, onde se constroem os herois, bem como os vilões. Do lado do PSG, apenas Nuno Mendes vacilou perante um Raya imponente com a lição bem estudada com o auxílio de Kepa. Já do lado do Arsenal, Eze não foi clínico o suficiente, Gabriel assumiu o papel de vilão, Marquinhos consolou-o mas a festa já tinha começado e Paris estava ao rubro. 

Arteta sai derrotado. Apesar de tudo, o Arsenal fez uma grande época com a conquista da Premier League e com uma excelente campanha europeia, o tradicionalismo de Arteta deu frutos, não chegou foi para voos mais altos.

Luis Enrique fez história, é o segundo treinador com mais títulos da Liga dos Campeões conquistados. Resta saber até onde pode ir com esta equipa. A renovação está à porta. O ADN vitorioso encontra-se a circular pela equipa parisiense, nada parece abalar a confiança e a mentalidade do PSG. E isso é o que os torna aquilo que são, uma equipa assustadora de enfrentar, que não precisa de ser perfeita para vencer títulos.

José Vale
José Vale
Estudante, 22 anos. Licenciado em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. Atualmente em mestrado em Ciências da Comunicação com especialização em Jornalismo, na Universidade do Minho.

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