A WWE aterrou na semana passada na Europa (onde, relembre-se, vai fazer um house show em Portugal esta quarta-feira) e teve um premium live event em Turim, Itália, no domingo. O cartaz estava fortíssimo e as expetativas para um bom show eram altas, vamos ver se a WWE foi capaz de corresponder.
CODY VS. GUNTHER DESILUDE
O primeiro combate da noite via Cody Rhodes a defender o título da WWE contra o austríaco Gunther, com o público italiano a mostrar desde logo que vinha com toda a energia para esta noite pela forma como se foi manifestando. O combate em si teve a qualidade que se esperava dos dois wrestlers, com Gunther a usar chops e sleepers e Cody a usar Disaster Kicks e Cody Cutters, bem como mais alguns ataques habituais de ambos. Após pouco mais de dez minutos, Rhodes aplicou um Cross Rhodes e venceu, com o árbitro a não reparar que Gunther tinha o pé debaixo da corda, o que devia inviabilizar a contagem.
O combate teve apenas 12 minutos e já estavam a sprintar no início, por isso percebeu-se que isto ia ser mais ou menos como foi. Nesse sentido, foi desapontante, porque sabemos que podia ser muito melhor. O que tivemos foi bom, mas o final foi algo patético. Provavelmente este combate foi vítima das circunstâncias da ESPN, mas, se assim foi, não devia ter sido o combate de abertura. Vai obviamente haver uma desforra, mas isto ficou abaixo das expetativas.
Nota do combate: 3.75/5
RHEA E JADE TÊM BOA QUÍMICA NO RINGUE
Seguia-se a primeira de duas desforras da WrestleMania, com Rhea Ripley a defender o título feminino contra Jade Cargill. Depois de um período de domínio algo longo da heel, as duas começaram a ter boas sequências e a proporcionar um bom combate. B-Fab e Michin interferiram, com B-Fab (a custo) a colocar o pé de Jade na corda depois de um Riptide e o árbitro a expulsar ambas da zona de ringue. Charlotte Flair veio em auxílio de Rhea, colocando o pé da australiana na corda depois de um Jaded. No final, Rhea venceu com o Riptide.
Ambas deram muito boa sequência ao combate na WrestleMania. Para lá da falha de B-Fab (e para lá de mais dois rope breaks depois do primeiro combate), isto foi muito bem conseguido e se calhar até melhor do que o combate da Mania. Rhea ia sempre manter e parece que Jade vai ter uma feud com Charlotte, que deve ser boa para ela. Cargill tem melhorado no ringue, mesmo que seja mais contra mulheres grandes, e merece reconhecimento por isso.
Nota do combate: 4.25/5
A BESTA VENCE A DESFORRA
Tivemos depois mais uma desforra de um combate da WrestleMania, com Brock Lesnar a interromper a sua reforma para voltar a desafiar Oba Femi. O combate começou com Lesnar a todo o gás, a atacar Femi com vários F5 e a tentar fazer Femi desistir com o Kimura Lock. Quando isso não resultou, Brock fez um sexto F5 na mesa de comentadores, tentando vencer por contagem fora do ringue, mas Oba levantou-se, levando a uma cara de susto de Lesnar. Quando Oba tinha o combate sob controlo e ia para o Fall from Grace, Lesnar saltou por cima dele e aplicou um sétimo F5 para a vitória.
Só havia uma forma correta de fazer o booking da vitória do Lesnar e a WWE acertou em cheio. Oba levou todos os F5, não desistiu ao Kimura, levantou-se do F5 na mesa de comentadores e só perdeu com um sétimo F5. Lesnar leva uma vitória para o último combate e a primeira derrota de Femi já fica para trás. Eu preferia que Brock tivesse feito mais alguma coisa, como uns German Suplexes, mas é a única crítica (e por isso é que a nota é tão alta num combate curto).
Nota do combate: 4.75/5
SOL RUCA VENCE O PRIMEIRO TÍTULO
Seguia-se uma desforra a um combate do Saturday Night’s Main Event, com Becky Lynch a defrontar Sol Ruca, desta vez pelo título Intercontinental. O combate acabou por ser bom, tirando um Sasuke Special mal feito de Ruca. Mas a havaiana acabou mesmo por vencer, escapando a uma tentativa de Manhandle Slam e acabando nas cordas para um Sol Snatcher que lhe valeu a vitória.
Era difícil pedir muito mais tendo em conta o posicionamento deste combate no cartaz. O botch ao Sasuke Special foi pena, mas o resto foi bom e o Sol Snatcher desta vez foi bem executado. Jessika Carr voltou a ser a árbitra e voltou a ter os seus momentos com Lynch e essa feud está a ficar cansativa. Mantenho a ideia de que Ruca foi chamada demasiado cedo ao main roster, mas tem margem para melhorar. Para lá disso, Becky pode agora passar para o main event e Sol pode manter o título contra boas midcarders que o Raw tem.
Nota do combate: 3.75/5
O ÚNICO TRIBAL CHIEF
Por fim, numa desforra a um combate do Backlash, Roman Reigns defendia novamente o título mundial contra Jacob Fatu, desta vez num Tribal Combat. A meio do duelo, Reigns atacou a mão de Fatu com uma caixa de ferramentas, neutralizando o Tongan Death Grip. Depois disso, destaque para um spear de Reigns na barricada de proteção e para um spear de Fatu. Roman usou turnbuckles expostos para ganhar vantagem e venceu com um spear na mesa e outro spear para manter o título e adicionar Fatu ao seu grupo. Depois do combate, os MFT apareceram na zona do público a olhar para Fatu, enquanto este se dirigia para a Bloodline.
Mais um bom combate entre os dois, mas achei este pior que o do Backlash, apesar de ter mais tempo. O callback ao turnbuckle (que já tinha acontecido no Backlash) foi bem feito e o ataque à mão foi inteligente para limitar o Death Grip. Os stakes eram importantes, mas os comentadores não fizeram um grande trabalho a enfatizá-los ao longo do combate. Ainda bem que os Usos não interferiram, mas acho que o Reigns foi demasiado dominante no final. Quanto aos MFT, reduzem à partida o meu interesse nisto, mas vamos ver o que fazem.
Nota do combate: 4.25/5
No geral, acabou por ser um evento bem conseguido, com o primeiro combate a ficar abaixo das minhas expetativas, o segundo e o terceiro a superarem-nas e os dois últimos a serem mais ou menos o que eu esperava. Faltou outro booking no primeiro combate e algo mais no Tribal Combat para ser uma noite de um nível ainda maior (e faltou não haver pausas tão grandes entre combates, mas esta é uma era de anúncios), mas a WWE acabou por proporcionar um bom show.
Nota final: 92/100

