

O octógono mais famoso do mundo protagonizou um evento sem precedentes num dos palcos mais icónicos da política mundial: a Casa Branca. Este “UFC Freedom” não foi apenas uma noite de lutas, mas um marco comercial e cultural sob a nova era da Paramount+.
Ilia Topuria vs. Justin Gaethje
O duelo pelo cinturão peso-pena colocou frente a frente o domínio técnico de Topuria e a resiliência lendária de Justin Gaethje.
Gaethje, que entrou como o “underdog”, deixou uma performance e um momento digno de um filme do Rocky Balboa. A maioria já contava a luta como favas contadas, as casas de apostas, os fãs de MMA, e o próprio Topuria, que na noite anterior, deu um jantar para 100 pessoas, celebrando a “vitória”.
Mas o MMA é o melhor desporto do mundo precisamente por isto.
Topuria começou melhor, materializando o favoritismo, mas Justin quando acertava, deixava marca, e logo cedo o espanhol começou a ficar com cortes e sangramento.
E esses golpes singulares e dano foram acumulando, ao ponto do espanhol ficar com a visão comprometida, recebendo o não à continuação da luta pelo médico entre o 3º e 4º round (decisão diferida pelo árbitro, que decidiu continuar a luta), e foi aí que o americano conseguiu sobressair e dominar, causando ainda mais dano.
Sentado no banco antes do 5º round, Topuria viu o seu irmão anunciar que a luta não poderia continuar mais, e a coroação de Justin Gaetjhe como campeão linear dos pesos-leves, o campeão mais velho da história da categoria.
Uma autêntica história de redenção, após tentativas falhadas em lutas pelo título, após nocaute brutal viral, e contra todas as odds, Justin viu a sua mão erguida num dos maiores momentos do MMA.
Nota Performance: 10/10
Alex “Poatan” Pereira vs. Cyril Gane
Alex “Poatan” Pereira subiu ao octógono carregando o peso de uma narrativa histórica: o sonho do terceiro cinturão em divisões diferentes.
Frente a ele, Cyril Gane, um peso-pesado com a agilidade de um peso-médio, representava o teste final de elegância técnica contra a força bruta.
O que se viu foi um autêntico jogo de xadrez humano. Gane bailava, pontuando com o seu kickboxing cirúrgico, mantendo o brasileiro à distância e frustrando o seu tempo de reação. Poatan, como sempre, mantinha-se estoico, como um caçador à espera do erro.
Apenas o primeiro round foi suficiente para tornar visível a diferença entre os dois, Poatan estava com muito peso, e mais lento, até os seus leg kicks que são conhecidíssimos por serem difíceis de telegrafar, estavam a ser evitados com facilidade pelo francês.
No segundo round, Gane apanhou a investida de Poatan com um jab de encontro, que fez o brasileiro tombar, e iniciou-se uma sequência Pereira tentava evitar o inevitável, mas uma saraivada de cotoveladas e mais uns socos, foram o fim do sonho do triplo campeonato.
Um balde de água fria nas expectativas dos fãs que ansiavam ver a história ser feita.
Nota Performance: 8/10
O evento contou com mais 5 lutas, todas com finalizações: Sean O`Malley nocauteou Alemann Zahabi no segundo round.
Josh Hokit nocauteou Derrick Lewis e voltou a mencionar Poatan no pós-luta.
Maurício Ruffy praticamente reformou Michael Chandler, porque não vejo futuro ao americano na divisão, e o registo de derrotas só aumenta.
Bo Nickal e Diego Lopes venceram as suas respectivas lutas por nocaute, para ditarem o ritmo do evento.
Um dos melhores, talvez o maior e melhor evento da história do UFC, uma autêntica ode ao MMA, e será difícil ser batido.
NOTA EVENTO:10/10

