Os Wolves das West Midlands vão voltar a disputar o Championship, nove épocas após a última subida, e depois de uma temporada em que a despromoção pareceu anunciada desde muito cedo. Se Vítor Pereira não começou bem a época, o galês Rob Edwards também não conseguiu restabelecer os níveis de motivação e criar uma identidade vincada na equipa do Molineux.
Para 2026/27, a direção dos Old Gold volta a apostar num técnico português para conseguir a subida ao primeiro escalão. Paulo César Silva Peixoto, de 46 anos, foi o escolhido após uma época muito bem conseguida ao serviço do Gil Vicente.


O técnico vimaranense levou os galos de Barcelos ao sexto lugar da Primeira Liga, a segunda melhor classificação de sempre depois dos quintos lugares alcançados em 1999/00 e 2021/22. Muito fiel aos seus princípios de jogo, César Peixoto implementou no Gil Vicente um modelo em que imperou a solidez defensiva, sem necessidade de manter um bloco excessivamente baixo. Num posicionamento em 4-2-4, a primeira linha mostrou-se eficiente na pressão, dificultando desde logo a primeira fase da construção adversária.
No momento ofensivo, as ideias do novo treinador dos Wolves pautam-se pela versatilidade e adaptação ao adversário. A leitura de jogo é o aspeto chave que define um equilíbrio entre construção paciente, transições rápidas ou mesmo bolas longas que permitam surpreender um adversário com a linha defensiva mais subida.
César Peixoto tem potencial para fazer do Wolves mais um exemplo de uma equipa que consegue a promoção à Premier League por tratar bem da bola, como foram os casos recentes do Burnley de Vincent Kompany ou do Leeds de Daniel Farke.
Peixoto vai ser o quarto técnico português do Wolverhampton na última década. Com Mateus Mané, Toti Gomes, Rodrigo Gomes e José Sá já como parte do plantel, é previsível a chegada de mais elementos portugueses ao emblema britânico, mantendo a tendência criada pela relação entre a direção do clube e a Gestifute (agência de Jorge Mendes).
Para o ataque ao título do segundo escalão, o Wolves apostou, para já, na experiência. O regresso do mexicano Raul Jimenez e a chegada do internacional inglês Kieran Trippier foram já anunciados e serão seguramente contratações chave para a próxima temporada.
Com uma pré-época inteira e uma direção que, tal como a do Gil Vicente, parece estar disposta a alinhar a política de contratações com os ideais da equipa técnica, os adeptos dos Wolves têm motivos para acreditar numa época dominante. No meio do caos e imprevisibilidade que muitas vezes caracterizam o Championship, a presença de um modelo de jogo bem definido pode ser o fator diferenciador que transporta uma equipa para o topo da tabela.
Apesar de ter como objetivo claro o regresso à Premier League já na próxima época, a aposta em César Peixoto não deixa de ter a sua quota parte de risco. Será a primeira experiência do técnico português numa equipa estrangeira e num campeonato com características bastante diferentes em relação aos dois primeiros escalões de Portugal.
Num histórico do futebol inglês, detentor de três títulos da primeira divisão (pré-Premier League) e quatro Taças de Inglaterra, Peixoto vai sentir uma pressão acrescida. As declarações do técnico dão a entender que está preparado e motivado para assumir o desafio, comprometendo-se a praticar um futebol que faça justiça à história do Wolverhampton Wanderers.

