Assim SIUUU! | Portugal 5-0 Uzbequistão

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A semana fora difícil, cheia de peripécias, a que passou Portugal. Depois do tristonho empate frente à República Democrática do Congo, a Argentina desenvencilhara-se da Áustria, a França passara a ferro o Iraque e à Noruega não custara assim tanto derrotar o Senegal. Messi bisara, Mbappé fizera o mesmo e idem para Haaland.

Se as críticas à exibição portuguesa meteram em polvorosa o campo mediático, criando intensas movimentações nas redes sociais, o peso da comparação com outros favoritos e protagonistas meteram em xeque a equipa portuguesa e, inevitavelmente, como líder desportivo e institucional, Cristiano Ronaldo.

Seria o Uzbequistão de Fabio Cannavaro capaz de provocar os mesmos problemas e acentuar a crise portuguesa?

Havia essa intenção, ao organizarem-se em bloco profundo e arrumado em 5-4-1. Mas cedo se percebeu que na comitiva portuguesa houve brio na preparação, que se olhou como deve ser para os principais erros cometidos na primeira jornada: a energia duplicou, apesar do igual golo madrugador, e a intensidade imposta a todo o relvado anteviu desde logo o desfecho completamente diferente. Substituiu-se o passe lateralizado pela intenção plena de ataque à baliza adversária, com jogo vertical sempre que possível e exploração constante da profundidade, sobretudo por Nuno Mendes e João Cancelo.

A manta uzbeque puxava dum lado e destapava do outro, apesar da muita vontade. Tão ou mais aguerridos que os congoleses e o mesmo atrevimento. Com o mesmo Portugal da primeira jornada, teria sido tarefa hercúlea, que Khusanov liderava bem atrás e a dupla do Istanbul Basaksehir, Shomurodov e Fayzullaev, estava bem coordenada na saída rápida. Mas era um Portugal diferente, ciente da borrada que tinha feito e pronto a emendá-la, apressado em limpar a imagem.

Depois do primeiro golo, a procura incessante pelo segundo – Diogo Costa já não temporizava depois de encaixar, lançava rápido aproveitando o balanceamento adversário. A Selecção só descansou ao quarto golo.

Nuno Mendes Vitinha Portugal Jogadores
Fonte: FPF

O apagão frente ao Congo jogou para os ombros de Ronaldo a maioria da responsabilidade. Os 41 anos serviram de argumento às críticas. O mundo, por momentos, parecia desabar sobre a cabeça do capitão. «Foi uma semana negra, parecia que eu já estava retirado do futebol» dizia no rescaldo, já aliviado pelo bis. Uma das suas irmãs insinuara, servindo como advogada de defesa, que certos colegas desaprendiam perto do irmão, além de outras coisas tão ou mais animadoras; Rúben Dias enfrentara os jornalistas numa conferência de imprensa, Diogo Dalot admitira que «alguns não querem que Portugal ganhe» uns dias depois; o clima aqueceu tanto que se perspectivava já uma catástrofe como a de Saltillo.

Mas em Houston não houve outro “problem”, antes o murro na mesa tão necessário à pacificação entre adeptos e equipa. Ronaldo marca aos seis, aos 17’ abre as pernas em frente à barreira e permite a Nuno Mendes apanhar desprevenido o guarda-redes uzbeque (aliás, não marcou nenhum livre directo…), bisando aos quarenta. Além dos golos e da virtual assistência, o oportunismo de surgir em posição flagrante três outras vezes. Para quem meteu em causa o seu futebol e a sua influência, aí ficou a resposta…

Primeiro jogador de sempre a marcar em seis mundiais consecutivos e melhor marcador de sempre das Quinas na competição, ultrapassando Eusébio. Mais dois recordes batidos. Pode isto alimentar a ideia de que, muitas vezes, interessariam mais os seus objectivos que os da própria equipa? «Muito feliz, mas para mim o mais importante é o trabalho que a equipa fez, a confiança que tivemos. Levámos muita porrada durante a semana, sabíamos que isso iria acontecer. A equipa trabalhou bastante bem, melhorámos bastante. Há males que vêm por bem, como se costuma dizer. Falando de mim, os recordes é sempre bonito batê-los mas o meu objetivo é poder ajudar a seleção a alcançar os seus objetivos».

Agora, três dias para planear o embate contra a Colômbia, com muito mais silêncio e tranquilidade nas areias de Palm Beach

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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