Arrancou mais uma edição do Campeonato do Mundo, organizado pela primeira vez em três países. Estados Unidos, Canadá e México são os anfitriões. E também pela primeira vez temos 48 seleções a discutir entre si quem será o novo rei do futebol mundial.
Sempre fui um pouco tradicionalista. Tenho vagas memórias de mundiais com 24 equipas, mas aqueles que acompanhei mais foram já com 32 seleções. Ou seja, desde o Mundial de França em 1998. E na minha opinião este era o número ideal. Ainda estou a estranhar um pouco esta nova fórmula.


E se com 48 equipas já acho que é a roçar o limite do aceitável, o que dizer de 64? Essa é a ideia que Gianni Infantino, presidente da FIFA, tem na cabeça para colocar em prática nos próximos anos. Aumentar ainda mais o número de participantes nos mundiais. Segundo ele, é para “envolver ainda mais o mundo do futebol”.
É um tema discutível a ser abordado noutro artigo. O problema foi o que disse a seguir. “Com 64 equipas, talvez a Itália se qualificasse. Poderíamos até ir para 228 equipas e ver se era possível”. Uma piada que os italianos não receberam, e com razão, de bom grado.
Gaetano Amato, membro da Câmara dos Deputados italiana, já veio a público repudiar essas declarações. Gianni Infantino representa o organismo máximo do futebol mundial. Nunca, em situação alguma, pode dar a entender que tem preferências por certas selecções.
Gianni Infantino tem de respeitar e tratar todas de igual forma, estejam ou não presentes nas competições. Gozar com a Itália, que falhou pela terceira vez consecutiva a presença num Mundial, é de uma mesquinhez que não me lembro de ver há muitos anos por um presidente da FIFA. Foi uma falta de respeito por um país com uma história enorme no futebol. É e vai continuar a ser uma das melhores selecções do mundo, já com quatro mundiais conquistados. Todas as equipas passam por fases menos boas, mas levantam-se. E não tenho dúvida que a Itália irá reerguer-se.
Aproveitar o mau momento do futebol italiano para fazer graçolas é como continuar a dar murros numa pessoa já sem defesa possível.


O mais engraçado é que Infantino tem raízes italianas. Nasceu na Suíça, mas é filho de pais italianos. Só o seu nome denuncia logo a origem. Todos sabemos que as suas palavras foram em tom de brincadeira e não são para serem levadas a sério. Quis dar uma de comediante e saiu mal na fotografia. Seria uma boa piada se não ocupasse o cargo onde está.
Mas se Gianni Infantino quiser envergar por esse caminho talvez o seu lugar não seja o gabinete da FIFA, mas o bar de stand up comedy mais perto da sua casa. Mas sabem qual é a melhor piada? É um Mundial com 64 seleções. Riam-se, riam-se…

