Este sábado, João Noronha Lopes deixou fortes críticas a Rui Costa durante a Assembleia Geral da SAD do Benfica.
Oito meses depois de perder as eleições presidenciais do Benfica, João Noronha Lopes marcou presença na Assembleia Geral deste sábado. O antigo candidato deixou fortes críticas ao mandato de Rui Costa, começando por abordar a ausência de títulos nos últimos anos:
«Caros consócios, O que sempre fortaleceu este clube foi a capacidade de ouvir, aprender e corrigir, porque todos queremos a mesma coisa: um Benfica mais forte. Falo-vos como um entre milhares de sócios. O passado pertence ao passado, mas o futuro exige que aprendamos com ele. No ano passado voltámos a falhar. Não foi um acidente; foi mais um capítulo de um ciclo desastroso que não pode continuar. Quando o maior clube de Portugal vive este ciclo, a resposta não pode ser a normalização. Tem de ser a exigência, a análise e a correção. A legitimidade desta Direção não está em causa. Foi escolhida pelos sócios e deve cumprir o seu mandato. Mas sejamos claros: a legitimidade ganha-se nas eleições, a competência e a exigência conquistam campeonatos. Os clubes vencedores não são os que melhor se justificam; são os que aprendem mais depressa. A humildade de saber ver o que correu mal nunca enfraqueceu o Benfica, sempre o tornou mais forte. É dessa humildade que o Benfica precisa hoje e é isso que os sócios esperam desta direção: que nos explique que lições retirou das últimas épocas e o que será diferente para melhor na próxima. O Benfica não precisa de mudar de identidade, precisa de voltar a encontrá-la».
João Noronha Lopes refletiu também sobre a falta de aposta na formação:
«Apostar na formação não é apenas lançar jovens na equipa principal. É protegê-los quando erram, dar-lhes tempo para crescer e não transformar cada erro numa sentença. Não podemos lançar jovens em contextos de enorme exigência e, se o início não é perfeito, passam rapidamente de promessa a problema e de problema a mais uma venda. É fundamental que se consolide uma política desportiva».
De seguida, afirmou que o Benfica tem vindo a ser prejudicado pelas arbitragens:
«Mas importa também dizer que não fomos campeões apenas por culpa própria; fomos também escandalosamente prejudicados pelas arbitragens. O Benfica não pode viver de desculpas, mas também não pode aceitar injustiças. Não basta reagir, é preciso antecipar e liderar. Continuo a defender mudanças para uma arbitragem mais independente, mais transparente e mais responsável. As propostas que apresentei no ano passado continuam à disposição do clube e espero que contribuam, juntamente com outras, para uma posição do clube nesta matéria. E que depois seja o clube a liderar a apresentação de um plano para a transformação da arbitragem em Portugal. Porque, como a questão dos direitos televisivos mostrou, se esperamos pelos outros, começamos logo a perder».
João Noronha Lopes falou também sobre a presença de participações minoritárias na SAD dos encarnados:
«Há ainda uma questão em que aguardamos esclarecimentos da direção e que tem que ver com as participações minoritárias na SAD. A decisão de bloquear a entrada destes investidores americanos foi acertada, mas continua por explicar qual é a estratégia para o futuro. Que perfil de investidores queremos para a SAD? Que mais-valias devem trazer ao Benfica, para além do capital? Como vamos garantir que servem os interesses do clube e não apenas interesses financeiros? A pergunta que os sócios merecem ver respondida é esta: vamos finalmente definir uma estratégia para este tema ou vamos deixar ficar tudo na mesma?».
Por fim, deixou uma mensagem a Rui Costa e Marco Silva:
«Senhor Presidente, não se deixe embalar pelos elogios dos presidentes dos nossos adversários. Estamos fartos de paternalismos. O respeito não se pede, impõe-se. Os nossos adversários querem um Benfica que reaja; os benfiquistas querem um Benfica que lidere. Por isso lhe digo: vá à luta, antecipe, fale grosso quando for preciso. Porque quando um Presidente defende o Benfica, os benfiquistas defendem o seu Presidente. Termino desejando que, com Marco Silva, esta seja finalmente a época da mudança de ciclo. Da ambição. Da exigência. Do Benfica campeão. Que venha de lá o 39 e a conquista da Liga Europa!»

