Na próxima época desportiva o Académico de Viseu vai estar pela quinta vez na Primeira Liga, 37 anos depois da última presença em 1989/90.
Os beirões são uma das várias equipas em que investidores estrangeiros entraram e adquiriram a maioria do capital da SAD do clube. Neste caso foram os alemães da Hobra que investiram forte desde 2022/23 não só no reforço do plantel como em várias infraestruturas e departamentos para dotar o clube de uma face mais moderna e organizada.
O que é certo é que a mudança foi acontecendo aos poucos e quatro temporadas depois o Académico de Viseu e os investidores da SAD conseguiram o principal objetivo aquando da sua entrada no clube, a subida à Primeira Liga.
O sonho de todos os academistas realizava-se finalmente na última jornada da época e todos pensavam que finalmente o clube iria estabilizar e enfrentar a próxima época com otimismo.
Mas nem sempre as coisas acontecem como os sócios e adeptos do clube esperam e em meados de Junho, o herói da subida, o treinador Sérgio Fonseca foi informado pela SAD alemã que não iria continuar no comando técnico da equipa, o que causou grande impacto nos adeptos.
Na minha opinião, o treinador deveria continuar por mérito e pela magnífica época que fez, pegando numa equipa do Académico descrente no 15.º lugar e levou-a ao 2.º lugar conseguindo a subida.


Mas a SAD tinha outros planos, e é aqui que entra o futebol-negócio. Os investidores estrangeiros, virados naturalmente para o lucro, preferiram dispensar um homem da casa, antigo capitão e completamente identificado com o clube e ir buscar outro treinador de fora que terá de adaptar-se à cidade e ao clube e começar o trabalho praticamente do zero.
Ao Académico, esta temporada que está prestes a iniciar-se, aconteceu o que já aconteceu a vários clubes que atingem patamares mais elevados e até a outros que têm investidores estrangeiros que acabam por “impor” o treinador que pretendem ao clube e isso no decorrer da época acaba por nem sempre ser positivo.
Quem manda acaba por ser quem tem o dinheiro e isso acaba por desvirtuar a essência do futebol que o advento das SAD’s principalmente de empresas estrangeiras acabaram por trazer para o futebol português.
Há casos de sucesso como o Famalicão que já se tendo consolidado no escalão principal, é um dos projetos mais interessantes do escalão principal da atualidade.
Outros acabaram por revelar-se desastrosos para clubes históricos do nosso futebol como o Boavista ou o Beira-Mar.


É verdade que ainda estamos num período muito inicial da temporada. A pré-época começou em Viseu na última segunda-feira com os exames médicos e os primeiros treinos e o plantel só agora começa a desenhar-se.
Por isso, vamos esperar para ver quais serão os planos dos investidores alemães para esta época de regresso ao convívio dos “grandes” do Académico de Viseu, mas os primeiros sinais não são animadores.
Esperemos que as coisas estabilizem e os beirões possam fazer uma época que dignifique o clube e que no que se refere aos investidores estrangeiros, o caso do Académico possa ser de sucesso.

