Os terríveis moldes do negócio Jesse Derry entre Chelsea e Sporting

- Advertisement -

O Sporting entrou na janela de mercado de verão plenamente consciente que a posição de extremo esquerdo necessitaria de um pelo menos um reforço, um elemento que conseguisse dar outro nível à posição, algo que Pedro Gonçalves não conseguiu fazer. Com Rui Borges no comando, as caraterísticas do internacional português não encaixam tão bem com o perfil desejado, alguém mais vertical e com uma capacidade bem acima da média no um para um. Não é necessário que tenha um perfil associativista ou que se transforme num clássico avançado interior.

Pedro Gonçalves tem esse perfil, que faria mais sentido na posição de médio ofensivo, que terá Rodrigo Zalazar como dono. O luso não tem espaço no plantel do Sporting. Não porque não tenha qualidade, mas sim porque já atingiu o seu auge e a relação parece algo esgotada. Souleymane Faye foi um claro erro de casting. Se no Granada os seus pontos fortes eram vistos regularmente, uma vez que os andaluzes jogavam com um bloco baixo e o senegalês liderava o contra-ataque, em Alvalade a realidade era distinta, com os verde e brancos a enfrentarem constantemente equipas com um bloco baixo. O extremo tampouco se adaptou bem e será complicado para os leões reaverem os seis milhões e meio de euros investidos, esperando que surja a hipótese de ceder o atleta a um sítio onde o mesmo se sinta feliz, um pouco à semelhança de Giorgi Kochorashvili.

Em abril/maio começou-se a cozinhar a ideia de que o Sporting teria de contratar dois extremos esquerdos e não apenas um. Defendia-se que um teria de ser um dos investimentos do mercado, com Yeremay Hernández a servir quase sempre de exemplo, já que o espanhol não deixará o Deportivo de A Coruña por menos de 40 milhões de euros. Já o outro, uma espécie de oportunidade de mercado, um atleta que soubesse de antemão que teria de suar para lutar pela posição, que, à partida, teria um titular indiscutível.

Chiquinho encaixaria neste perfil. Conhece o campeonato, já passou pelo Sporting e nunca teria um custo acima dois oito milhões de euros (falhou em ambientes de outra estirpe, como o Wolverhampton ou o Mallorca). No entanto, o jogador do Alverca não vai regressar ao lado verde da Segunda Circular.

Durante esta semana, Fabrizio Romano indicou que Jesse Derry seria o eleito do Sporting para ser o tal extremo esquerdo suplente. O tipo de negócio? Empréstimo sem opção de compra. Não está em causa a qualidade do jogador. O inglês tem 19 anos, já se estreou pela equipa principal do Chelsea e deixou boas indicações. A grande problemática aqui está na forma.

O Sporting não está num nível onde se possa aceitar receber empréstimos de jovens promessas sem cláusula de opção de compra. Estes tipos de negócios com atleta desde estatuto fazem sentido com conjuntos que não lutem pelo título. O máximo que os leões podem retirar de Jesse Derry será rendimento desportivo, sabendo que quem o vai aproveitar no futuro é o Chelsea.

O extremo não tem estatuto de estrela. Não estamos a falar de um caso como o de Pablo Sarabia, que chegou a Alvalade para relançar a sua carreira, ser quase titular absoluto e elevar o nível que existia na equipa. O espanhol tinha nome e seria um atleta que não viria para a Primeira Liga em outro tipo de moldes. Jesse Derry não tem essa capacidade, ainda que possa a vir top mundial dentro de poucos anos.

O Sporting deveria ter incluído uma opção de compra na negociação, ainda que a mesma fosse muito alta. Se o jogador mostrasse qualidade e se os leões daqui a um ano viverem um bom nível no aspeto financeiro, fariam um investimento elevado. Frederico Varandas já mostrou que não tem medo de pagar caro se o jogador tem qualidade. Neste caso, até seria um elemento que conheceria Alvalade já como a palma das suas mãos. Mesmo que o Chelsea colocasse uma opção de recompra, seria uma melhor negociação do que a que foi feita e apresentada por Fabrizio Romano.

A missão do Sporting será trabalhar Jesse Derry para que o mesmo se afirme no futebol sénior. Porém, não faria mais sentido os verde e brancos apostarem em Flávio Gonçalves neste contexto? Com a chegada do britânico, o português provavelmente somará poucos minutos, abrindo-se a porta a uma adaptação a número 10 e a um provável empréstimo a partir de janeiro. Flávio Gonçalves um ou dois patamares acima do Sporting B, onde Paulo Cardoso tem de ter margem para crescer.

O próprio atleta terá de ter na consciência que não chega a Alvalade com a posição de titular garantida, bem pelo contrário. O Sporting, como já referido anteriormente, quer um extremo esquerdo de outra tarimba, que seja uma das figuras do projeto desportivo. Jesse Derry não parte na pole position e, no caso de não conseguir obter muitos minutos, poderá ter o seu desenvolvimento afetado.

Se o Sporting queria um extremo esquerdo, seria mais correto uma aposta semelhante à do FC Porto com Oskar Pietuszewski ou o Benfica com Andreas Schjelderup: promessas em ascensão, que são estrelas em países secundários. Para estes atletas, uma vinda para Portugal é um passo para a frente, à entrada para a elite. Jesse Derry já está num clube de topo. Dado o interesse de equipas da Premier League e do Championship, não faria mais sentido para o seu crescimento permanecer em Inglaterra?

Por fim, a ligação entre Chelsea e Sporting. Os blues e os leões possuem boas relações, fruto das compras de Dário Essugo e Geovany Quenda. Porém, não fazem parte do mesmo grupo empresarial. O Estrasburgo é sim uma espécie de equipa B da formação inglesa. Normalmente este tipo de ligações traz mais frutos para o chamado ‘tubarão’ do que para as restantes equipas. Os próprios adeptos não são partidários das mesmas, uma vez que para estes a sua instituição tem de ser 100% independente. Caso Jesse Derry não consiga dar a sua contribuição da melhor maneira, o Sporting arrisca-se a comentários indesejados sobre uma eventual imposição do jogador.

Jesse Derry pode até mesmo brilhar com a camisola verde e branca, pode mesmo chegar a ser o melhor jogador da Primeira Liga. Dentro de campo, este seria o melhor cenário possível. Contudo, a partir do final da 34.ª jornada do campeonato, voltará a ser atleta do Chelsea. E quanto mais for estrela em Portugal, mais improvável é um retorno.

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

Subscreve!

Artigos Populares

Ausências no FC Porto: dupla falha estágio de pré-temporada

Diogo Costa e Eustáquio falham o estágio do FC Porto. Os dois atletas vão de férias após participarem no Mundial 2026.

Fabrizio Romano confirma: Jorge Jesus vai ser o novo treinador da Seleção Nacional

Jorge Jesus substitui Roberto Martínez na Seleção Nacional. O antigo treinador de Benfica e Sporting chega após vencer na Arábia Saudita.

Gianluca Prestianni a caminho do Trabzonspor avança imprensa argentina: Eis os valores do princípio de acordo com o Benfica

Gianluca Prestianni está prestes a deixar o Benfica para reforçar o Trabzonspor. A equipa turca paga 20 milhões de euros pelo argentino.

Fora dos planos de Marco Silva: jovem médio do Benfica desce à equipa B e prepara a saída

Rafael Luís treina com a equipa B do Benfica. O médio de 21 anos prepara a saída após empréstimo ao Estrasburgo.

PUB

Mais Artigos Populares

Surpresa no Dragão: Eis o adversário do FC Porto no jogo de apresentação aos adeptos

O FC Porto defronta o Aston Villa no jogo de apresentação aos adeptos. A partida antecede o duelo da Supertaça Cândido de Oliveira.

Adeus a Alvalade: Geovany Quenda apresentado no Chelsea com contrato até 2034

Geovany Quenda foi oficializado como reforço do Chelsea. O jovem português assinou contrato até 2034.

Mercado a ferver em Inglaterra: Manchester United garante contratação de Andrey Santos

O jornalista David Ornstein reporta que o Manchester United chegou a acordo com o Chelsea para a aquisição de Andrey Santos.