Luzes, Câmara, Goleada: A nova versão do Braga já dá espetáculo

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A noite da primeira grande reunião de família na Pedreira dificilmente poderia ter tido melhor enredo. Depois do triunfo magro por 1-0 no sintético da Sérvia, que deixou no ar uma ponta de incerteza, o Braga regressou a casa para assinar uma prestação categórica e transformar a segunda mão da pré-eliminatória numa autêntica festa do golos frente ao Zeleznicar Pancevo. Perante os seus adeptos, a equipa de Carlos Vicens não se limitou a gerir a vantagem: dominou, goleou e deu as boas-vindas aos vários reforços. Foi o arranque perfeito em solo caseiro, pintado com a ambição de quem quer voltar a ir longe na Europa.

A saída iminente de Lukas Hornicek para a Premier League afastou o guardião da partida e poderia ter servido de desculpa, caso os eventos do jogo tivessem sido diferentes. O internacional chéquio foi uma das peças fundamentais da campanha do Braga em 2025/26 e a sua falta será certamente sentida. Para o seu lugar, Vicens apostou no reforço de verão, Bernardo Fontes, que regressou ao Braga depois de brilhar ao serviço do Tondela. Apesar de mostrar bastante nervosismo com bola durante a primeira parte, a confiança do brasileiro foi crescendo ao longo do encontro, acabando por assegurar um clean sheet na sua primeira presença.

Além da mudança na baliza, o técnico espanhol decidiu também introduzir três outros reforços no onze inicial. Sergio Barcia entrou para o lado direito do trio defensivo bracarense e não desiludiu, oferecendo uma grande fisicalidade nos duelos e qualidade na construção desde trás. No trio ofensivo, Denis Huseinbasic ocupou as zonas entre-linhas na meia direita, trazendo ainda muita intensidade na pressão. Contudo, quem deixou claramente a sua marca foi Gabriel Silva: o extremo brasileiro foi escolhido para o corredor esquerdo, ocupado por Gabri Martínez na primeira mão, acabando por estar envolvido nos dois primeiros golos do encontro. O ex-Santa Clara foi uma ameaça constante na profundidade, acrescentando um perfume diferente a nível técnico, em comparação com o espanhol, mas cumprindo a mesma função de dar largura ao jogo do Braga.

Gorby Baptiste, Gabriel Silva - Braga
Fonte: João Pedro Nunes / Bola na Rede

Desde cedo, o Braga foi capaz de tomar controlo do ritmo de jogo. Não propriamente pela forma como mantinham a posse de bola, mas sim pela agressividade na pressão à construção de jogo do Zeleznicar, que não se limitou ao jogo direto, mostrando coragem com saídas curtas ao longo de toda a partida. Contudo, a marcação individual no meio-campo executada pelos gverreiros acabou por anular a capacidade dos sérvios saírem de forma controlada, forçando vários erros nessa fase do jogo, que saíram caros aos visitantes. Alinhados em 3-4-1-2 na pressão à saída visitante, o Braga deixou um 3v3 na linha defensiva, criando uma igualdade numérica difícil de contrariar em todo o campo.

Perto da meia hora de jogo, Gabriel Silva subiu ao quinto andar para finalizar um cruzamento, mas a saída descontrolada do guarda-redes acabou por resultar num penálti para a equipa da casa. Desta forma, Ricardo Horta fez o gosto ao pé pela primeira vez em 2026/27, depois de uma temporada na qual somou 32 participações diretas em golos. Daí em diante, a turma de Vicens foi capaz de criar perigo em situações de bola parada, antes de Gabriel Silva voltar a aparecer perto do intervalo, desta vez para se estrear a marcar pelo Braga com um golaço de primeira, num lance que resulta da pressão intensa da equipa da casa.

Gabriel Silva, Braga
Fonte: João Pedro Nunes / Bola na Rede

Na segunda metade, os minhotos foram capazes de dar seguimento ao plano, refrescado com a entrada do único ponta-de-lança de raíz no plantel: Fran Navarro. Funcionando como referência ofensiva, o posicionamento e a agressividade do espanhol trouxe uma nova energia ao ataque do Braga e, em mais um erro do guardião do Zeleznicar, conquistou o segundo penálti da partida. Ricardo Horta não foi capaz de completar o bis, devido a duas enormes defesas de Zoran Popovic, mas Pau Víctor apareceu no sítio certo para voltar a dilatar a vantagem.

Com um modelo de jogo tão intenso a nível físico, Carlos Vicens continuou a renovar a equipa com a energia dos suplentes, com destaque para a estreia de Diogo Travassos, que entrou para o lugar de Gabriel Silva. Com o 7 nas costas, o jovem português adquirido ao Sporting alinhou no corredor esquerdo, algo que pode vir a tornar-se recorrente, visto que Victor Gómez mantém o estatuto de ‘titularíssimo’ no lado contrário. A goleada foi completada, mais uma vez, graças à pressão do Braga na primeira fase sérvia, recuperando a posse de bola numa zona favorável, onde executaram uma combinação de passes curtos em zona frontal. Pau Víctor encontrou Diogo Travassos em rotura, que rematou forte e forçou uma defesa exigente, mas incompleta, de Zoran Popovic, resultando no quarto golo, apontado por Fran Navarro.

Em suma, a primeira noite da época no Estádio Municipal de Braga deixou excelentes indicações. Mais do que garantir a qualificação sem sobressaltos, o Braga demonstrou uma identidade vincada, assente numa pressão sufocante e em dinâmicas ofensivas bem oleadas, dando argumentos aos adeptos para acreditarem na continuidade do novo ciclo de Carlos Vicens. Com os reforços a darem uma resposta imediata e a darem profundidade ao plantel, os Gverreiros do Minho deram o primeiro sinal de força da temporada. A fasquia europeia está elevada, mas esta exibição categórica mostra que o Braga tem fome de ir longe.

Braga jogadores
Fonte: Fonte: João Pedro Nunes / Bola na Rede

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Braga foi muito agressivo e eficiente na pressão à primeira fase de construção do Zeleznicar com uma marcação individual no meio campo. Que detalhes mudaram relativamente à primeira mão, que fizeram com o resultado seja também tão diferente?

Carlos Vicens: Como disse anteriormente relativamente à semana passada: fomos capazes de chegar aos sítios mais cedo, porque temos mais uma semana de treinos e de preparação. A forma física estava um pouco melhor que na semana passada e também um pouco mais adaptados ao terreno de jogo, porque não jogámos em sintético desta vez. Tudo isto beneficiou-nos, comparando com a semana passada. Além disso, já tínhamos a experiência de ter jogado contra eles e penso que isso acrescenta sempre nos detalhes. O esforço da equipa na semana passada foi alto, não quero dizer que o esforço foi maior. O que foi maior foi o desempenho, porque estás com mais uma semana de trabalho. Mas, no geral, não mudámos muitas coisas, foi uma questão de assumir um papel na pressão que era exigente, com mais preparação.

Bola na Rede: O Zeleznicar tentou a saída de bola curta desde o início do jogo, mas acabou por sofrer golos depois de perder a bola em zonas comprometedoras. O que entende que falhou nesta fase do jogo?Bola na Rede: O Zeleznicar tentou a saída de bola curta desde o início do jogo, mas acabou por sofrer golos depois de perder a bola em zonas comprometedoras. O que entende que falhou nesta fase do jogo?

Radomir Kokovic: Ótima pergunta. Definitivamente, vou saber o que falhou quando voltar a olhar para o jogo e fizer uma análise. Parte do plano de jogo era construir desde trás e procurar manter o controlo. Porque se te limitas a defender contra equipas como o Braga será complicado ser perigoso no ataque. A ideia passava por estabelecer algum tipo de controlo a construir a partir do guarda-redes. Como disse, o Braga faz marcação individual, deixam 3v3 na frente, além de serem muito dominantes fisicamente. Por isso, sabendo que eles têm 3v3 atrás, o único homem livre na fase de construção é o guarda-redes. E quando pressionam o guarda-redes, alguém fica livre. Isso é parte da nossa identidade, é o que tentamos fazer durante a época e um dos valores que define o nosso modelo de jogo: Coragem. Ao jogarmos sob pressão, eu considero esse valor muito importante. Não vamos alterar jogo a jogo, queremos ser corajosos e mostrar a nossa identidade, independentemente do adversário. Porém, hoje poderíamos ter feito melhor. As pequenas alterações do treinador do Braga, comparado com o jogo em Pancevo, e levou-nos a uma adaptação ao intervalo. Mas resumidamente, sofremos dois golos, devido a dois erros. Portanto, é algo que temos de melhorar no futuro.

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