Bruno Pinheiro analisou o empate entre Benfica e Académico de Viseu na estreia na Primeira Liga 2026/27. Técnico respondeu ao Bola na Rede.
Bruno Pinheiro fez o rescaldo do empate entre o Benfica e o Académico de Viseu por 2-2 na primeira jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve no Estádio da Luz e, em conferência de imprensa, teve a possibilidade de colocar uma questão ao treinador da formação que regressou ao principal escalão após 37 anos.
Infelizmente, não nos foi concedida a possibilidade de colocar uma questão a Marco Silva, treinador do Benfica.
Bola na Rede: Foi um jogo contra uma equipa com um poderio diferente do Académico de Viseu. Pensando numa época muito longa, o que pode ser retirado do ponto de vista tático, técnico, físico, mental para o crescimento da equipa ao longo da época e que possa ser assimilado para jogos em que o Académico tenha mais poderio e tempo de jogo com bola?
Bruno Pinheiro: Nós, em condições normais, não teríamos uma linha de cinco. Como sabíamos que havia muita capacidade de desequilíbrio nos corredores por parte do Benfica, tivemos de o fazer. Contra equipas do nosso campeonato, provavelmente teríamos uma linha de quatro e não iríamos necessitar tanto. Foi uma alteração que fizemos hoje para o jogo. Tivemos de compactar mais, de pedir ao avançado para deixar a equipa compactar e ajudar a fechar o médio defensivo até à equipa estar organizada e então sim tentar ativar pressões. Nem sempre foi fácil, mas basicamente em termos de jogo e adversário superior, tivemos esta adaptação que, em condições normais, para este jogo, contra uma estrutura semelhante à do Benfica, acredito que teríamos feito um 4-2-3-1 e hoje tivemos de fazer uma linha de cinco. De resto, e honestamente, foi um dos fatores que mais me fez querer o Académico de Viseu quando se pôs essa possibilidade e comecei a analisar os jogos. Esta equipa tem algo diferente na capacidade de sacrifício. Hoje é um exemplo disso. Foram tremendos na capacidade de trabalho. Essa foi a principal razão que me levou ao Académico de Viseu, identificar que este grupo era extraordinário na entrega. Hoje foi isso que aconteceu. Nem fizemos um jogo fantástico. Já vim ao Estádio da Luz jogar bem melhor e ser goleado a jogar olhos nos olhos com o Benfica, como foi por exemplo quando vim cá com o Gil Vicente. Aos 78 minutos estava 2-1 para o Benfica e nós acabámos por ser goleados. Hoje, sem essa capacidade ofensiva de jogo, acabamos por levar um ponto por uma qualidade que esta equipa tem e não acredito que irá perder. Os jogadores de facto são distintos. Já agora destacar, porque gosto muito disto e já trabalhei em Portugal e passei por isto no Estoril Praia. Gosto muito de ter o jogador português na Liga Portuguesa, de ter maioritariamente a língua portuguesa no balneário, porque nos dá isto. A dificuldade de hoje em dia no futebol, está numa multiculturalidade tremenda de línguas, de tudo, quando se vai às refeições há grupos de línguas. Não é que não se deem bem, mas é totalmente distinto. Este grupo fala essencialmente português, os jogadores estrangeiros como o Soufi [Messeguem], o Kahraman, o Gohi percebem perfeitamente o português. O Soufi fala português que é um encanto para uma pessoa estrangeira. É uma das forças deste balneário, o jogador português, jogadores que sofreram para chegar à Primeira Liga. Hoje fico muito contente que se tenham estreado e muito satisfeito mesmo pelo grupo de trabalho.

