Com a recente queda dos atletas mais famosos do MMA, e com alguns tendo a sua imagem arranhada, o UFC encontra-se numa crise de marca.
Ilia Topuria e Alex Pereira brutalmente dominados
À entrada para o UFC 250 Freedom, era unânime que o espanhol Ilia Topuria, e o brasileiro Alex Poatan eram os atletas com mais ímpeto da organização.
Ambos estavam num rumo, que caso tudo corresse bem, os colocaria na disputa pelo título de GOAT. Alex Pereira seria campeão de três categorias no UFC (feito inédito) e teria uma dominação num período tão curto de tempo que é inigualável.
Já o espanhol estava invicto e tinha uma aura de invencibilidade que o tornava quase intocável com 70 kg, e tudo indicava que iria bater recordes de defesas na categoria e acabar a carreira invicto.
Mas o que se passou surpreendeu todos, Ilia foi dominado pelo atleta mais velho a ser campeão dos pesos-leves (e o maior “underdog” nas casas de apostas), e Alex Pereira pareceu estar ligas abaixo de Ciryl Gane, e embora tenha queixas justas de golpes ilegais, esses golpes apenas adiantaram o inevitável.
Ilia Topuria que até já tinha uma série com a HBO, e era a maior estrela do MMA europeu, sendo uma grande porta de entrada para a organização no mercado do velho continente, vê a sua carreira parada pelo menos em 180 dias devido às lesões (isto sem sequer puder treinar). Voltar ao ritmo de luta, marcar outra luta e fazer “camp”, estamos a falar provavelmente de um ano sem o espanhol.
Poatan também já se viu que não pertence ao topo dos pesos-pesados, então a maior luta que se podia fazer para a divisão, Tom Aspinall x Alex Pereira, também cai por terra e deixam-se de fazer milhões e conquistar novos espectadores.
E o pior foi que nestas ocasiões, não houve uma passagem de “hype” do derrotado para o vencedor. Ciryl Gane saiu odiado (no pior sentido), por ser novamente conhecido como um lutador sujo, e Gaethje embora tenha proporcionado um dos maiores momentos do MMA, sai maior mas também está com os dias contados. Então, o UFC tem pouco tempo para capitalizar nesse hype e não dá para superar isto, é só daqui para baixo.
Islam Makhachev já não é tão bicho-papão do UFC
Embora tenha vencido Ian Garry e tenha batido o recorde de vitórias consecutivas de Anderson Silva, a aura do lutador do Cáucaso sai arranhada. Ficou claro para alguns que o domínio dos pesos-leves já não é o mesmo, embora o frame de Islam seja compacto e maciço, nos pesos meio-médios a conversa é diferente.
O próprio Dana White disse na conferência pós-luta que na opinião dele, o Ian Garry ganharia se tivesse um pouco mais de “killer mentality” para arriscar mais e ser mais agressivo.
O último suspiro de Conor McGregor
O que se viu no UFC 329 foi o último prego no caixão para o legado do irlandês, outrora o apogeu do MMA.
Toda a expectativa sobre a luta demonstra o quão grande ele é, era uma luta entre um lutador que não lutava há anos e vinha de derrotas consecutivas, contra um lutador que estava no topo das divisões dos pesos-penas e pesos-leves (história em que McGregor já esteve no seu auge).
Mas vimos algo que mais pareceu um ritual de humilhação público, a maior estrela do MMA, no chão, indefeso, completamente “washed” e com o corpo a não corresponder. Talvez o culminar de todas as lesões e exageros do seu lifestyle.
E porque é que isto é um problema para o UFC?
Nesta nova era “Paramount”, em que o UFC entrou num mercado e plataforma onde compete com entretenimento “cinemático”, nota-se um posicionamento da organização de enveredar por esse aspecto, de priorizar o entretenimento. E para isso são precisos atletas fora de série, e com personalidades extraordinárias.

