Um filho de Guimarães decidiu dérbi para os bracarenses | Braga 1-0 Vitória SC

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Natural de Guimarães e com passagem pela formação vitoriana antes de se mudar para Braga aos 14 anos, Diego Rodrigues saiu do banco para marcar o único golo de um dérbi minhoto intenso e equilibrado.

Há jogos que parecem escolher o protagonista perfeito para contar a sua história. Num sempre apaixonante dérbi do Minho, foi precisamente um jogador com raízes dos dois lados da rivalidade a decidir. 

O Braga chegou ao dérbi ainda no 16.º lugar, com apenas um ponto, embora com dois jogos em atraso, mas com a confiança reforçada pelo apuramento para a fase de liga da Conference League, depois de eliminar o Áustria Viena. O Vitória SC, 11.º com três pontos, procurava dar continuidade à primeira vitória no campeonato, conseguida na jornada anterior diante do CD Nacional, depois de duas derrotas no arranque da prova.

A equipa orientada por Tiago Margarido entrou com uma ideia clara. Linha subida, pressão sobre a saída de bola adversária e tentativa de retirar conforto a um dos momentos mais fortes do conjunto orientado por Carlos Vicens. Óscar Rivas viu o primeiro amarelo logo aos 4’ numa tentativa do árbitro André Narciso querer passar logo bem cedo uma mensagem de autoridade aos jogadores.

O Vitória foi quem conseguiu o primeiro remate da partida, aos 10′, quando Gustavo Silva aproveitou uma perda de Tiknaz, embora tenha atirado muito longe da baliza.

O Braga demorou a encontrar soluções. A equipa vimaranense apresentou-se compacta, disciplinada e conseguiu durante boa parte da primeira meia hora manietar o habitual jogo de circulação dos arsenalistas. 

Gabriel Silva tentou romper em profundidade aos 14′, enquanto Mario Dorgeles encontrou Pau Victor dois minutos depois, mas um mau controlo do espanhol fez perder uma situação prometedora. Aos 19′, um passe errado de Dorgeles ofereceu a Samu uma oportunidade perigosa, com o capitão vitoriano a não conseguir aproveitar totalmente a desconcentração do adversário.

Com o passar dos minutos, o Braga começou finalmente a empurrar o rival para trás. Pau Victor assumia-se como o elemento mais perigoso dos arsenalistas, conduzindo aos 29′ um bom ataque que Gabriel Silva não conseguiu finalizar da melhor forma.

O encontro abriu ligeiramente e, aos 32′, Bernardo Fontes teve de sair corajosamente da baliza para impedir Ndoye de aproveitar uma perda no meio-campo bracarense. Um minuto depois, a melhor oportunidade da primeira parte: o Braga trabalhou muito bem a jogada de um flanco ao outro e Victor Gómez apareceu isolado, mas acertou no poste da baliza de Zych.

Também Vítor Carvalho (que encheu o campo), novamente adaptado ao centro da defesa, realizou uma primeira parte muito segura, confirmando a evolução que tem apresentado nesta função sob o comando de Carlos Vicens.

Na reta final, a superioridade arsenalista tornou-se mais evidente. Zych ainda protagonizou uma abordagem arriscada perante Gabriel Silva aos 38′, conseguindo corrigir antes de cometer uma eventual grande penalidade. Aos 42′, surgiu mais uma grande perdidater. Gabriel Silva cruzou da esquerda e Pau Victor, com a baliza praticamente à sua mercê, rematou fraco para uma defesa apertada do guarda-redes polaco. O avançado espanhol foi uma das figuras mais interventivas, mas também mais perdulárias dos primeiros 45 minutos.

O Braga regressou do intervalo disposto a assumir definitivamente as rédeas do encontro. Aos 52′, Strata travou Gabriel Silva perto da área e viu o cartão amarelo. João Moutinho assumiu o livre, mas a bola ficou na barreira. O lance prosseguiu, e o árbitro André Narciso assinalou grande penalidade por suposta  falta de Ndoye sobre Pau Victor, numa decisão posteriormente revertida após intervenção do VAR devido a uma posição irregular do avançado bracarense. O episódio incendiou particularmente o setor vitoriano e acrescentou ainda mais emoção a um dérbi já carregado de tensão.

Tiago Margarido foi o primeiro a mexer, lançando Mukendi e Oumar Camara aos 60′. Carlos Vicens respondeu quatro minutos depois com Milosevic para o lugar de Pau Victor. O sérvio esteve muito perto de inaugurar o marcador aos 73′, quando surgiu completamente isolado, mas encontrou pela frente uma excelente intervenção de Zych.

Antes disso, aos 71′, Vicens tinha feito mais duas alterações: Tommy Marqués (em estreia absoluta pela turma bracarense), substituiu Tiknaz e Diego Rodrigues entrou para o lugar de Mario Dorgeles. Uma substituição que acabaria por decidir o dérbi.

Aos 79’, Diego Rodrigues recebeu fora da área e disparou colocado para o fundo das redes. O remate saiu potente, embora tenha ficado a sensação de que Zych poderia ter feito mais para evitar o golo.

Tal como mencionado anteriormente, o médio português é natural de Guimarães, e começou parte do seu percurso de formação precisamente no Vitória SC. Aos 14 anos atravessou a rivalidade minhota e mudou-se para o SC Braga, onde prosseguiu a formação até chegar à equipa principal. Anos depois, foi ele quem saiu do banco para decidir um dos jogos com maior carga emocional para os dois clubes.

Carlos Vicens respondeu ao golo procurando proteger uma vantagem preciosa. Fran Navarro e Bajrami foram ainda lançados aos 85’ e o Braga assumiu uma postura mais pragmática na reta final. O Vitória tentou responder, mas não conseguiu criar qualquer ocasião verdadeiramente clara durante os sete minutos de compensação.

O 1-0 resistiu até ao apito final e permitiu ao Braga juntar uma importante vitória no campeonato ao recente sucesso europeu. O Vitória mostrou organização e conseguiu durante largos períodos retirar fluidez ao futebol adversário, mas foram os arsenalistas quem criaram as oportunidades mais claras.

Num dérbi decidido por detalhes, acabou por surgir um daqueles argumentos que só o futebol consegue escrever: um vimaranense, formado primeiro no Vitória e depois no Braga, decidiu de vermelho um dérbi entre as duas cidades que fazem parte da sua própria história.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: O Vitória foi capaz de incomodar a saída do Braga desde o início do jogo com uma pressão em 3+2 e Nogueira a acompanhar Dorgeles e depois a fazer linha de cinco na esquerda. Pergunto- lhe o que procurava com esta ideia e o que o fez mudar essa pressão na segunda parte.

Tiago Margarido:  Essa era a nossa ideia para a primeira parte. O nosso adversário era alguém que em questões do último terço, procurava muito a largura do lado oposto, nomeadamente pelo Victor Gómez e pelo Travassos. Colocamos ali o Miguel Nogueira a baixar na linha de cinco de forma a não criarem essa superioridade em largura. Depois na segunda parte, procuramos ser ambiciosos, e passamos para um 4-2-4 para ter quatro homens a pressionarem a zona de construção 3+2 do Braga e penso que tivemos sucesso nisso e estávamos a conseguir limitar bem a primeira fase de construção do Braga, estávamos com posicionamentos ofensivos ajustados daquilo que era a pressão homem a homem do Braga, e no nosso melhor momento, acabamos por sofrer o golo, e perdemos por um detalhe.

BnR: O Travassos entrou no onze inicial, com o Gabriel Silva mais avançado no terreno e com Dorgeles do lado contrário a baixar várias vezes em apoios. Pergunto-lhe o que procurou com estas mudanças no onze.

Carlos Vicens: No jogo contra o Nacional e contra o Sporting, tínhamos analisado que o Vitória tinha tido muitas dificuldades em controlar o jogador interior e um jogador fora do lado esquerdo, e pretendíamos dar uma saída mais curta em apoios com o Travassos, tendo um destro do lado esquerdo, jogando com o pé trocado, e com esse trabalho mais curto de Travassos, não deixar de ter a profundidade que o Gabriel Silva nos dá. Sabíamos que Pau Victor movimenta-se muito bem nessas zonas e sente-se muito à vontade quando desce para receber, e a perda de um elemento de meio-campo do lado esquerdo com o posicionamento mais adiantado do Gabriel Silva, conseguirmos compensar com esses movimentos do Pau Victor, e foi isso que pretendemos do nosso lado esquerdo com essa nuance táctica.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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