Pepa e Carlos Carvalhal lançam o Estrela da Amadora x Famalicão: «É encarar o jogo como o mais difícil das nossas vidas»

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Pepa e Carlos Carvalhal realizaram a antevisão ao duelo da 5.ª jornada da Primeira Liga, entre Estrela da Amadora e Famalicão.

O encontro da quinta jornada da Primeira Liga entre Estrela da Amadora e Famalicão está agendado para as 15h30 deste sábado, dia 5 de setembro. Em antevisão à partida, Pepa afirmou que, apesar do arranque invicto, os tricolores não podem relaxar:

«Sempre que acaba um jogo e a exibição é boa, e o resultado também acompanha a exibição, há aquele velho ditado que diz que estamos mais próximos de ganhar o próximo jogo, por causa dessa confiança, desse astral. Mas já temos experiência mais do que suficiente para perceber que isso é passado, é história. A entrada foi boa, o último jogo foi bom em termos de resultado e exibição, mas são coisas diferentes. Tivemos uma semana boa, competitiva internamente, portanto é encarar o jogo como o mais difícil das nossas vidas por ser o próximo. É essa a mentalidade que queremos aqui».

De seguida, o técnico do Estrela da Amadora acrescentou:

«Quando estamos [a trabalhar] em cima de um resultado positivo, é descer à terra, não há euforia de nada, há sim responsabilidade e ambição. Não entramos em euforias nem estamos em bicos de pés, não há hipótese. São jogos muito difíceis, todos, e este é dificílimo. Sabemos o que está do outro lado e temos de estar no nosso limite. Se não estivermos, esteja quem estiver no outro lado, passamos dificuldades. Mas se estivermos no nosso melhor… aí acreditamos que é possível somar os três pontos seja onde for contra quem for. E é esse o nosso foco, estarmos no nosso limite».

Pepa deixou ainda elogios ao plantel do Famalicão e ao treinador, Carlos Carvalhal:

«É uma equipa muito forte, o que não corresponde em nada ao que tem de pontos neste início, mas também é muito precoce e as coisas vão andando. Acredito que possa existir ansiedade do outro lado, é natural, são uma equipa jovem, mas que já está junta há algum tempo. Têm muita qualidade e um treinador experiente. Mas o mais importante, independentemente do Famalicão, é olharmos para nós e perceber o que podemos fazer».

O técnico reforçou ainda a importância do apoio dos adeptos:

«Temos de ser fortíssimos, principalmente em casa, criando essa sinergia com os nossos adeptos. Sabemos que vai estar um dia muito quente, com muito calor. Para os adeptos não vai ser muito difícil porque não vão ter de correr [risos], para os jogadores vai, mas estamos preparados para isso. Vai estar um dia apelativo para virmos todos ao futebol. Isso é o mais imporante, criar um bom espetáculo e ter a ajuda dos nossos adeptos. Com eles fica um bocadinho menos difícil».

Sobre o facto de ter sofrido dois golos em cada jornada, Pepa referiu:

«O ideal era não sofrer golos e marcar mais sempre mais do que o adversário, bastava marcar um, mas faz parte do crescimento, do trabalho, há mérito do adversário, circunstâncias do jogo… claro que trabalhamos muito para evitar esse tipo de situações, mas o mais importante é que a equipa nessas mesmas situações, se olharmos para os últimos três jogos, teve um equilíbrio emocional muito grande e isso deixa-nos satisfeitos para continuarmos a insistir nessa vertente, para mantê-la e melhorar».

Por fim, o técnico abordou a reta final do mercado de transferências:

«O maior elogio que posso fazer ao mercado, e não sei o que vai acontecer, é o grupo de trabalho que temos. Se não há cão há gato, se não há gato há fisga… [risos]. Gosto e gostamos muito deste grupo de trabalho. O mais importante é que não saia ninguém das principais opções, do grosso do grupo. Saiu um ou outro, mas faz parte. É blindar o grupo e tê-lo coeso, para que continue para lá da meia-noite».

Carlos Carvalhal Famalicão
Fonte: Duarte Rêgo / Bola na Rede

Do lado do Famalicão, Carlos Carvalhal começou por analisar a evolução da equipa desde o arranque da temporada:

«Começámos a época com um problema de sofrer golos, golos até estranhos, era urgente estancar e estabilizar o processo defensivo. Era uma emergência grande. Pensámos que essa será a base para dar passo à frente para ganhar. Esperávamos com o Gil ter conseguido ganhar, esse objetivo não foi alcançado, mas outros objetivos sim. Vimos uma equipa mais agressiva, que não sofreu golos, não permitiu oportunidades frente a um adversário que vinha com 9 oportunidades por jogo. Na perda, o Gil estava muito equilibrado, não permitimos que o fizesse. Na minha ótica demos um passo à frente na construção da equipa. Temos de olhar e perceber quais são as prioridades para a equipa evoluir. Tocámos em dois pontos fortes, agressividade e organização defensiva, mas falta muito trabalho. Mais passes progressivos, criar oportunidades, fazer golos. É o trabalho que temos pela frente. É uma equipa nova, gente que não conhece o futebol português e leva tempo».

O técnico abordou o bom momento do Estrela da Amadora, deixando elogios a Pepa:

«Esperamos um jogo difícil. O Estrela começou bem o campeonato, tem um bom treinador. Trabalhámos bem, temos tudo identificado, identificámos bem o que pode ser a vulnerabilidade da equipa. Vamos ser agressivos, sólidos defensivamente, temos que dar passos na progressividade, caminhar mais para a baliza, ter mais audácia para chegar o golo».

Carlos Carvalhal refletiu também sobre o impacto dos erros defensivos nas primeiras jornadas:

«Temos que ser realistas. Os erros defensivos fizeram a equipa ficar descompensada defensivamente. Olhámos e vimos que estávamos a falhar no sentido de recuperar organização, não adiantava estar a trabalhar sobre o processo ofensivo. Tínhamos que estancar o que estava atrás. Foi o princípio de uma reconstrução da equipa. Dizer que a equipa esteve equilibrada, há posicionamentos que foram retificados e que vão permitir subir linhas com os jogadores do meio-campo, já corrigimos isto durante a semana. Dentro destas correções, é melhor o que fizemos bem defensivamente e melhorar o que podemos fazer isso do ponto de vista defensivo».

O técnico confirmou a ausência do lesionado Tom Van de Looi e revelou que Marcos Peña ocupará a posição, na base do meio-campo:

«(Marcos Peña) Vai jogar. O Tom não está. Tem ainda para algum tempo. Foi diagnosticada uma lesão, tem para algum tempo, não deve voltar antes da paragem das seleções. Se acontecer será surpresa. Marcos desempenha bem a função, controla bem o jogo, tem aquela vibe dos espanhóis daquela posição de não perder a bola. Muda bem o centro de jogo, é agressivo quando não temos a bola. Joga numa posição específica, o Paulo também pode jogar ali. A posição natural no desenho que temos é o Tom. Não está, avança o Peña».

De seguida, Carlos Carvalhal falou sobre a variabilidade tática do Famalicão, abordando a dinâmica dos extremos e a saída a três:

«Já está encontrada, se calhar melhor nos treinos do que nos jogos. Esperamos que melhore no jogo. Estamos no fundo a trabalhar na identificação, jogadores saberem onde estão os colegas, isto demora até atingir um estado em que jogadores identificam claramente o sistema, colegas. É um processo natural para treinadores novos com jogadores jovens e que não jogavam. Temos variabilidade para jogar num 4-3-3 a 2+1 ou 1+2 no meio-campo, a sair a 3, a equipa cada vez funciona melhor. Os jogadores mais de linha, sem dúvida que é o Gil, gosta de jogar aberto, e o Roméo, gostam de jogar abertos. O Sorriso e o Aranda podem jogar por fora, mas têm características mais de interiores. Sorriso mais na verticalidade, não tem tido chegada porque a equipa também não te conseguido. O Aranda jogando por dentro é perigosíssimo. Tem capacidade fora dentro, já jogou a ponta-de-lança, conhece as zonas interiores».

O técnico refletiu também sobre as contratações de Víctor Rofino e Patricio Salas:

«Já não vem mais ninguém, isso é seguro. O Rofin era a opção número 1 desde que chegámos. Tínhamos dois jogadores séniores e duas promessas. Desde que cheguei com o André [Vilas Boas, diretor-desportivo] e com o presidente e manifestei vontade de ter um mais preparado e um joker. Três séniores e um aspirante. Nesse sentido, o Rofino foi a primeira opção. Muito seguro, jogador de elevada capacidade e não tenho dúvidas que vai ser para muitos anos aqui no Famalicão. Tem condições pra despontar e ir embora também, É muito firme, via estar convocado. Não há dúvidas relativamente a ele. Sobre o Pato, diferente. Vem de um continente diferente, clima, alimentação, equipa. Tudo novidade, vai demorar o seu tempo. O que traz? Traz o que não tínhamos, link entre meio-campo e ataque, pé esquerdo, joga a ponta-de-lança, a segundo avançado. Sendo esquerdino tem capacidade e leitura de jogo, último passe e é finalizador. Necessitávamos de ter um jogador com estas características, ficámos algo órfãos de jogadores assim com a saída do Gustavo. Está convocado, a documentação não está toda, independentemente de ir para o banco ou não, vai connosco para se ambientar».

Por fim, Carlos Carvalhal revelou quem será a quarta opção do Famalicão para o eixo defensivo:

«A realidade é que temos dois jogadores que têm potencial grande. O Mattara, tendo a sua oportunidade, vai corresponder, e o Vojin [Serafimovic], que é um jogador que, tendo uma grande capacidade de construção, tem algumas coisas a retificar, principalmente quando tem de defender a profundidade, nos timings. Será o Vojin a estar nos sub-23 a ganhar o que lhe falta, tem qualidade, e o Mattara mais com a equipa sénior».

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