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O FC Porto derrotou o Moreirense por 2-1 no Estádio do Dragão. Fica com o meu relatório tático do encontro da 5.ª jornada da Primeira Liga.
O FC Porto recebeu e venceu o Moreirense por 2-1, na 5.ª jornada da Primeira Liga. Segue o meu relatório tático dedicado à análise do encontro, com foco na identificação dos principais comportamentos coletivos e individuais apresentados por ambas as equipas ao longo do jogo.
Relatório Tático – FC Porto x Moreirense
1. Moreirense
Organização defensiva / Transição defensiva
- Estrutura: 5-2-3 em bloco médio/baixo, procurando proteger a largura e a profundidade, bem como limitar as ligações interiores do FC Porto, sobretudo através do controlo da dinâmica do terceiro homem e do homem livre.
- Primeira linha de pressão: Alexandre Duville, Manuel Mendonça e João Veloso formavam a primeira linha de pressão, com Manuel Mendonça e João Veloso a posicionarem-se mais por dentro para controlar simultaneamente os centrais e as linhas de passe para Alberto Costa e Francisco Moura.
- Orientação da pressão: Manuel Mendonça e João Veloso procuravam saltar na pressão aos centrais ou aos laterais do FC Porto de acordo com o lado da bola, procurando fechar simultaneamente a linha de passe exterior.
- Gatilho de pressão: a circulação entre os centrais do FC Porto funcionava como um dos principais gatilhos. Quando a bola entrava num dos centrais, João Veloso ou Manuel Mendonça iniciavam a pressão, procurando condicionar a progressão tanto por dentro como por fora.
- Controlo de Pablo Rosário: Alexandre Duville tinha como principal referência Pablo Rosário, posicionando-se à frente do médio do FC Porto para impedir a ligação direta. Esta orientação dificultava a participação de Pablo Rosário na ativação do terceiro homem, obrigando-o a recorrer à mobilidade e a timings específicos para escapar à referência individual.
- Pressão sobre os laterais: quando Alberto Costa ou Francisco Moura recebiam bola numa primeira fase, os extremos do Moreirense saltavam rapidamente à pressão, procurando evitar que o FC Porto pudesse progredir facilmente pelos corredores.
- Pressão alta: em determinados momentos da primeira parte, o Moreirense organizava-se num 3+4, com Duville, Mendonça e Veloso na primeira linha e Dinis Pinto e Landerson a projetarem-se para junto dos médios Nile John e Guilherme Liberato.
- Ajustamento dos médios: quando os médios interiores do FC Porto lateralizavam, ou quando o lateral recebia bola numa segunda fase de construção, o médio do lado da bola, entre Nile John e Guilherme Liberato, podia abandonar momentaneamente a estrutura interior para saltar à pressão no corredor. O objetivo era encurtar rapidamente sobre o portador e impedir que o FC Porto encontrasse um homem livre no exterior.
- Agressividade nos duelos: o Moreirense procurava aumentar a intensidade dos duelos para equilibrar a dimensão física do FC Porto, procurando ganhar o primeiro duelo e disputar imediatamente a segunda bola. Este comportamento permitia recuperar em zonas mais avançadas ou criar condições para acelerar as transições ofensivas.
- Ajuste na segunda parte: perante a maior largura assumida por Alberto Costa e Francisco Moura, Landerson e Dinis Pinto passaram a ser os principais responsáveis pelos saltos exteriores, projetando-se diretamente sobre os laterais do FC Porto e começando a desfazer a linha de cinco através dos alas.
- Alteração das responsabilidades: com os alas a assumirem a pressão exterior, Manuel Mendonça e João Veloso podiam manter uma posição mais interior e maior responsabilidade sobre Kiwior e Bednarek. Desta forma, o Moreirense deixou de depender exclusivamente da saída de um dos médios para pressionar no corredor lateral.
- Estrutura de pressão: esta alteração aproximava o Moreirense de uma estrutura de 3-4-3 no momento da pressão, com Landerson e Dinis Pinto projetados sobre os laterais do FC Porto e os dois médios a manterem maior controlo da zona interior.
- Recuperação dos alas: após os saltos de Landerson e Dinis Pinto, era fundamental que ambos recuperassem rapidamente a linha de cinco. A projeção dos alas aumentava a agressividade da pressão exterior, mas também podia abrir espaço nas suas costas caso a equipa não conseguisse recuperar a posição defensiva.


Organização ofensiva / Transição ofensiva
- Primeira fase de construção: utilização de uma linha de três, com Kiko mais baixo junto de Gilberto Batista e Maracás, enquanto Dinis Pinto assumia uma posição mais projetada no corredor direito.
- Estrutura: variação entre 3-2-5 e estruturas próximas do 3-4-3, com Landerson e Dinis Pinto a ocuparem os corredores exteriores e Manuel Mendonça e João Veloso a procurarem zonas interiores.
- Duplo pivô: Guilherme Liberato e Nile John assumiam a zona central, com Guilherme Liberato a baixar mais frequentemente para apoiar a primeira fase de construção.
- Mobilidade no corredor esquerdo: utilização de movimentos de dupla largura entre João Veloso e Landerson, permitindo alternar a ocupação do corredor e criar diferentes linhas de passe, mediante também o tempo que William Gomes demorava a reposicionar-se no 5-4-1.
- Transições rápidas: procura frequente das transições rápidas para os jogadores mais avançados, sobretudo quando o Moreirense conseguia ganhar o duelo inicial/segunda bola.
- Ataque às segundas bolas: a projeção dos três jogadores da frente, juntamente com Landerson e Dinis Pinto, permitia ao Moreirense colocar até cinco jogadores em zonas próximas da área.
- Exploração dos corredores: sobretudo na primeira parte, utilização dos espaços deixados pelos laterais do FC Porto quando estes estavam projetados, procurando acelerar o jogo através dos corredores exteriores.
- Fase final: utilização de Stepanovic entre linhas, procurando realizar movimentos de rutura entre os centrais do FC Porto e criar espaços através da movimentação.
Comportamentos-chave
- Manuel Mendonça e João Veloso: posicionamento mais interior na primeira linha de pressão, permitindo controlar simultaneamente os centrais e as linhas de passe para os laterais do FC Porto.
- Alexandre Duville: referência individual sobre Pablo Rosário (a marcar pela frente do médio da República Dominicana), procurando impedir que o médio do FC Porto recebesse com condições para ativar o terceiro homem.
- Agressividade nos duelos: comportamento coletivo orientado para ganhar o primeiro duelo e disputar imediatamente a segunda bola com vários jogadores próximos, procurando transformar recuperações em transições rápidas.
- Landerson e Dinis Pinto: projeção pelos corredores na segunda parte para assumir diretamente a pressão sobre Alberto Costa e Francisco Moura, permitindo ao Moreirense aumentar a agressividade exterior sem retirar os médios da sua zona interior.
- Variação da responsabilidade no salto exterior: na primeira parte, a pressão exterior podia ser realizada pelo médio do lado da bola quando os interiores ou laterais do FC Porto ocupavam zonas exteriores; na segunda parte, essa responsabilidade passou sobretudo para Landerson e Dinis Pinto, após o FC Porto aumentar a largura dos laterais.
- Recuperação após pressão: necessidade de Landerson e Dinis Pinto recuperarem rapidamente a linha de cinco após os seus saltos, evitando que a projeção exterior criasse espaços exploráveis nas costas.
- Ataque rápido após recuperação: quando conseguia ganhar duelos e segundas bolas, o Moreirense procurava acelerar imediatamente pelos corredores, aproveitando a projeção dos laterais do FC Porto.
Limitações
- Pressão sobre Pablo Rosário: na primeira parte, a pressão esteve muito bem controlada; na segunda parte, a maior mobilidade do médio e a sua capacidade para atrair a referência individual antes de libertar outros jogadores criaram mais dificuldades.
- Pressão sobre os laterais: quando Alberto Costa e Francisco Moura passaram a receber mais abertos, as distâncias entre Manuel Mendonça e João Veloso aumentaram, dificultando a coordenação da pressão.
- Espaço nas costas dos alas: a projeção de Landerson e Dinis Pinto na segunda parte aumentava a agressividade exterior, mas também exigia uma recuperação rápida para a linha de cinco após a pressão.
- Exploração dos corredores na segunda parte: quando o Moreirense passou a deixar uma estrutura de 3×3 atrás, com a projeção de Landerson e Dinis Pinto para pressionar, o FC Porto encontrou mais espaço exterior para Pepê e William Gomes, aumentando as situações de cruzamento e finalização.
- Bola parada defensiva: incapacidade para travar o empate, na sequência do cruzamento de William Gomes, na cobrança de um livre, para o golo de Jan Bednarek.


2. FC Porto
Organização defensiva / Transição defensiva
- Estrutura: 4-4-2 em pressão alta, alternando para 5-4-1 ou 5-2-3 em bloco mais baixo.
- Primeira linha de pressão: Pepê e André Silva assumiam a primeira linha, procurando orientar a construção do Moreirense para o seu lado esquerdo.
- Orientação da pressão: Pepê pressionava de fora para dentro, procurando condicionar a ligação entre Gilberto Batista e André Ferreira e encaminhar a construção para o lado esquerdo do Moreirense.
- Bloco médio/alto: em 4-4-2, Pablo Rosário baixava para a linha defensiva como central direito, Kiwior assumia o corredor esquerdo e Francisco Moura subia para médio esquerdo.
- Bloco baixo: transformação para uma linha de cinco, com Francisco Moura a regressar à posição de lateral e o FC Porto a procurar proteger melhor a última linha.
- Compactação: procura de manter o bloco curto entre linhas, reduzindo os espaços para o Moreirense explorar a presença interior de Manuel Mendonça, João Veloso e dos dois médios.
Organização ofensiva / Transição Ofensiva
- Construção perante o 5-2-3: utilização de diferentes movimentos de Victor Froholdt e Gabri Veiga para sair das referências defensivas e procurar os espaços exteriores disponíveis na estrutura do Moreirense.
- Exploração dos corredores: os movimentos dos médios para zonas exteriores permitiam ao FC Porto atacar o espaço lateral do 5-2-3, sobretudo quando os extremos do Moreirense estavam mais concentrados por dentro.
- Passe longo: utilização frequente do passe longo para Pepê e William Gomes como solução perante momentos de dificuldade para progredir pelo corredor central.
- Gabri Veiga: movimentos verticais para atacar a profundidade e esticar a linha de cinco do Moreirense, obrigando Nile John a decidir entre acompanhar a movimentação ou manter a sua posição.
- Laterais mais abertos: ajuste ao intervalo, com Alberto Costa e Francisco Moura a assumirem posições mais largas, aumentando as distâncias de pressão de Manuel Mendonça e João Veloso.
- Exploração da largura: a maior largura dos laterais permitiu ao FC Porto criar linhas de passe exteriores e dificultar a coordenação da pressão do Moreirense.
- Movimentos de fora para dentro: na primeira fase de pressão, Alberto Costa e Francisco Moura procuravam, em determinados momentos, movimentos de fora para dentro para serem solução na dinâmica do terceiro homem.
- Alberto Costa: utilização de um posicionamento mais diagonal no corredor direito para criar uma linha de passe que não estivesse diretamente bloqueada por João Veloso.
- Pablo Rosário: perante a marcação direta de Alexandre Duville, o médio procurava utilizar a mobilidade para escapar à referência ou, em determinados momentos, atrair Duville para libertar espaços noutros setores.
- Pablo Rosário como isco: subida do médio em determinados momentos para arrastar Duville e criar condições para explorar o espaço libertado através da diagonal de Alberto Costa.


Comportamentos-chave
- Kiwior e Bednarek: utilização dos dois centrais como principais responsáveis pela circulação inicial, procurando ter paciência para encontrar o momento certo para superar a primeira linha de pressão.
- Gabri Veiga: liberdade para alternar entre movimentos exteriores e verticais, procurando manipular as referências do Moreirense.
- Froholdt e Gabri Veiga: capacidade para lateralizar e retirar Nile John e Guilherme Liberato das suas posições, criando espaços para progressão interior.
- Pablo Rosário: mobilidade para responder à marcação individual de Duville e participar na ativação do terceiro homem.
- Alberto Costa e Francisco Moura: maior largura na segunda parte para aumentar as distâncias entre os jogadores responsáveis pela pressão exterior do Moreirense.
- William Gomes e Pepê: maior influência nos corredores na segunda parte, beneficiando do espaço criado pela estrutura mais aberta do Moreirense em 3-4-3.
- Gabri Veiga–Pepê: combinação entre as roturas verticais de Gabri Veiga e a ocupação exterior de Pepê, com o médio a atrair referências para dentro e a libertar espaço no corredor esquerdo.
- Transição ofensiva: procura imediata dos corredores após recuperação, sobretudo quando os laterais do Moreirense estavam projetados.
- Bola parada ofensiva: capacidade para aproveitar o livre de William Gomes para o golo de Jan Bednarek e restabelecer a igualdade num momento importante do encontro.
Limitações
- Progressão interior: dificuldades na construção e ativação da dinâmica do terceiro homem perante o 5-2-3 compacto do Moreirense e a concentração de jogadores por dentro.
- Primeira parte: menor capacidade para ganhar duelos e controlar as segundas bolas, permitindo ao Moreirense criar condições para atacar rapidamente após recuperação.
- Transição defensiva: quando o FC Porto perdia a bola com muitos jogadores projetados, encontrava dificuldades para controlar os cinco jogadores que o Moreirense conseguia colocar em zonas ofensivas.
- Definição no último terço: apesar da capacidade para sair da primeira pressão, o FC Porto voltou a revelar dificuldades em transformar algumas situações de progressão em último passe ou finalização.
- Espaço exterior: na primeira parte, a menor largura dos laterais facilitava a pressão do Moreirense, que conseguia manter distâncias mais curtas entre o central e o lateral do FC Porto e o jogador responsável pela pressão.
Impacto competitivo
- Manipulação da estrutura do Moreirense: a mobilidade de Pablo Rosário, combinada com a maior largura dos laterais na segunda parte, obrigou o Moreirense a percorrer maiores distâncias e dificultou a manutenção das suas referências.
- Ajuste ao intervalo: a decisão de Francesco Farioli de alargar Alberto Costa e Francisco Moura foi determinante para aumentar as distâncias da pressão exterior do Moreirense e criar novas linhas de passe.
- Exploração dos corredores: quando o Moreirense passou a deixar uma estrutura de 3×3 atrás, o FC Porto encontrou mais espaço para Pepê e William Gomes receberem e atacarem os corredores, aumentando as situações de cruzamento e remate.
- Gabri Veiga como manipulador: as suas roturas verticais permitiram atrair referências defensivas para zonas interiores já numa terceira fase e libertar espaço exterior, sobretudo para Pepê.
- Pablo Rosário: a capacidade para utilizar a sua marcação direta como ferramenta de manipulação permitiu ao FC Porto criar espaços noutros setores. Ao subir e atrair Duville, o médio contribuía para libertar a diagonal de Alberto Costa.
- Evolução durante o jogo: o FC Porto teve maior dificuldade para controlar o jogo na primeira parte, sobretudo nos duelos e transições, mas os ajustes posicionais realizados no segundo período permitiram aumentar a largura, superar a primeira fase de pressão e encontrar mais espaço para atacar nos corredores.
Rodrigo Lima

