O mercado de transferências voltou a mexer com os principais clubes portugueses e trouxe para a Primeira Liga jogadores com perfis e objetivos muito diferentes. Entre contratações de impacto imediato, apostas com elevado potencial de valorização e jogadores à procura do contexto certo para dar o salto, há vários nomes capazes de alterar o rendimento das suas novas equipas.
Para esta lista, não está apenas em causa o nome ou o valor da transferência. O encaixe tático, as características técnicas, o rendimento estatístico recente, a margem de evolução e, sobretudo, a capacidade de cada jogador para responder às necessidades do novo clube foram fatores determinantes.
Eis a lista:
1.


João Palhinha (Benfica) – A peça que pode dar equilíbrio ao Benfica de Marco Silva. O regresso de João Palhinha a Portugal é, acima de tudo, uma contratação de impacto imediato. Aos 31 anos, o médio chega ao Benfica depois de passagens por Fulham, Bayern Munique e Tottenham, trazendo consigo experiência ao mais alto nível e, sobretudo, uma característica que pode ser determinante para Marco Silva, a capacidade para proteger a equipa sem bola.
Palhinha é um médio de contenção clássico, mas muito mais do que um simples recuperador. A sua maior qualidade está na capacidade de ler o espaço à frente da defesa, antecipar linhas de passe e atacar o portador no momento certo. É agressivo no duelo, forte fisicamente e particularmente competente a defender para a frente.
Os números ajudam a explicar a reputação. Na Premier League 2025/26, pelo Tottenham, registou 106 desarmes e 28 interceções, além de 183 duelos ganhos. Na mesma época, participou em 33 jogos de campeonato.
Há ainda outro detalhe importante, Palhinha não precisa de tocar muitas vezes na bola para influenciar um jogo. A sua importância está muitas vezes no que impede o adversário de fazer. Ao ocupar corretamente o espaço central, permite aos restantes médios assumirem posições mais adiantadas e pode libertar jogadores criativos para receberem entre linhas.
No modelo de Marco Silva, pode funcionar como o equilibrador do meio-campo. Dá segurança à perda, protege os centrais e permite ao Benfica subir mais jogadores sem ficar tão exposto às transições.
2.


Issa Doumbia (Sporting) – Potencial desportivo e financeiro numa só contratação. A contratação de Issa Doumbia representa uma aposta diferente. O Sporting investiu 20 milhões de euros, mais até 6 milhões em objetivos, num médio italiano de apenas 22 anos, contratado ao Venezia e com contrato até 2031. A cláusula de rescisão ficou fixada nos 80 milhões de euros.
É precisamente esta combinação que torna Doumbia tão interessante, qualidade presente e margem de crescimento.
Fisicamente, é um médio poderoso, com capacidade para cobrir terreno e aparecer em diferentes zonas. Não é um jogador preso a uma única função. Pode atuar como médio interior, assumir responsabilidades na construção ou chegar mais perto da área, oferecendo presença física e capacidade de progressão.
Na temporada 2025/26, pelo Venezia, registou 8 golos e 5 assistências em 3.120 minutos de Serie B, números que demonstram que não é apenas um médio de trabalho. Tem também capacidade para acrescentar produção ofensiva.
Tecnicamente, destaca-se pela condução, capacidade de transportar a bola e pela disponibilidade para atacar espaços. É um jogador que pode ajudar o Sporting a variar o ritmo da circulação, sobretudo quando o adversário fecha o espaço interior.
O mais interessante é a possibilidade de alterar o próprio comportamento coletivo do Sporting. Doumbia pode oferecer uma dimensão mais vertical ao meio-campo, seja através da condução, seja através das suas movimentações sem bola.
3.


Rodrigo Zalazar (Sporting) – Este é craque. Zalazar chega ao Sporting depois de construir no Braga um estatuto de jogador de enorme importância no futebol português. E talvez seja precisamente isso que torne esta contratação tão interessante: não é uma aposta baseada apenas em potencial — é um jogador que já provou o que consegue fazer na Primeira Liga.
Na temporada 2025/26, os números foram particularmente fortes: 17 golos e 5 assistências na Liga Portugal, segundo os dados oficiais da competição.
Mas reduzir Zalazar aos números ofensivos seria injusto. O uruguaio é um jogador extremamente versátil. Pode atuar como interior, médio ofensivo ou partir de zonas mais exteriores. Tem capacidade para receber entre linhas, conduzir, acelerar o jogo, cruzar e aparecer na área. O seu pé direito permite-lhe procurar constantemente o último passe ou o remate.
Os dados da temporada passada reforçam essa dimensão: esteve no percentil 76 em xG+xA sem penáltis, no percentil 76 em assistências e no percentil 81 em cruzamentos acertados entre jogadores da sua posição. Também ficou no percentil 77 em dribles bem-sucedidos.
Isto explica a sensação de que Zalazar pode jogar em praticamente qualquer zona do meio-campo para a frente sem deixar de ser útil.
No Sporting, a questão será perceber onde Rui Borges conseguirá retirar mais rendimento dele. Como interior, pode acrescentar chegada e criatividade; partindo da direita, pode procurar movimentos para dentro e explorar o seu cruzamento e remate; mais perto do avançado, pode funcionar como o jogador que liga o meio-campo ao último terço.
4.


João Rêgo (Casa Pia) – O contexto certo para finalmente mostrar tudo o que tem. João Rêgo é provavelmente a escolha mais diferente desta lista. Não chega ao Casa Pia com o mesmo estatuto de Palhinha ou Zalazar, mas pode acabar por ser um dos reforços mais interessantes precisamente por aquilo que pode ganhar com esta mudança.
Aos 21 anos, Rêgo foi formado no Benfica e já acumulou experiência entre formação, equipa B e equipa principal. O Benfica confirmou o empréstimo ao Casa Pia até ao final de 2026/27. Na sua formação sénior, o atacante foi construindo números interessantes: 42 jogos e 7 golos em 2023/24, 37 jogos e 6 golos em 2024/25, além de já ter marcado pela equipa principal
Na época 2025/26, participou em 10 jogos pelas várias competições do Benfica. O principal desafio de Rêgo nunca pareceu ser apenas a qualidade individual. É sobretudo encontrar um contexto onde possa ter minutos, responsabilidade e continuidade.
Tecnicamente, é um jogador capaz de atuar em zonas exteriores e interiores, com capacidade para conduzir, combinar em espaços curtos e atacar o último terço. A sua inteligência para encontrar espaços entre linhas pode ser particularmente importante numa equipa como o Casa Pia, onde terá provavelmente mais oportunidades para assumir protagonismo.
O empréstimo permite-lhe sair do ambiente altamente competitivo do Benfica e entrar num contexto em que cada boa sequência de jogos pode acelerar o seu desenvolvimento.
5.


Santiago Giménez (FC Porto) – O avançado que chega ao Dragão para voltar a ser goleador. Santiago Giménez é talvez o reforço desta lista com maior potencial para transformar diretamente o rendimento ofensivo da sua equipa. O internacional mexicano, de 25 anos, chega ao FC Porto por empréstimo do AC Milan até junho de 2027, com opção de compra de 18 milhões de euros, mais 2 milhões em objetivos. A opção pode tornar-se obrigatória mediante determinadas metas desportivas.
A contratação surge também num contexto muito específico: Samu está lesionado e só deverá regressar em novembro, pelo que Giménez chega para assumir responsabilidades imediatas na frente de ataque.
E há uma razão muito forte para acreditar que pode funcionar em Portugal: antes da passagem pelo Milan, Giménez apresentou números de enorme qualidade no Feyenoord. Em duas épocas e meia nos Países Baixos, marcou 65 golos em 105 jogos, tornando-se um dos avançados mais produtivos da Eredivisie.
O seu perfil técnico encaixa particularmente bem numa equipa que queira atacar a profundidade. É um avançado potente, veloz e agressivo nos movimentos sem bola, capaz de atacar as costas da última linha e aparecer rapidamente em zonas de finalização. O próprio Giménez identifica o golo como a sua principal mais-valia e destaca precisamente a velocidade, a potência e a capacidade para explorar a profundidade.
Mas não é apenas um jogador de área. Tem capacidade para sair da zona central, associar-se com os colegas e participar na construção, embora seja no último terço que a sua presença pode fazer mais diferença.
Outro ponto interessante é a sua capacidade para atacar diferentes tipos de cruzamento e segunda bola. A combinação entre potência física, timing de desmarcação e agressividade dentro da área torna-o particularmente perigoso quando a equipa consegue instalar-se no último terço.
A passagem pelo Milan foi, contudo, abaixo das expectativas. Em 37 jogos oficiais pelos italianos marcou sete golos e fez cinco assistências, numa passagem condicionada por problemas físicos.
É precisamente aí que reside a grande questão desta contratação: consegue o FC Porto recuperar o Giménez que impressionou no Feyenoord? Se a resposta for sim, o mexicano pode tornar-se um dos melhores finalizadores da Liga e uma das armas mais importantes dos dragões.

