Santiago Giménez chega ao futebol português com uma matriz de jogo perfeitamente catalogada, é o clássico avançado de grande área, desenhado para transformar volume ofensivo em golos com o mínimo de toques possível. Aos 25 anos, o internacional mexicano procura no Estádio do Dragão resgatar a veia goleadora que o projetou no Feyenoord, deixando para trás um ciclo discreto e taticamente amarrado na Serie A ao serviço do AC Milan. Trata-se de um jogador talhado para definir nos últimos metros e dar agressividade imediata à zona de tiro.
Com 1,80 m e cerca de 76 kg, Giménez não é um ponta de lança de imposição física pura ou de choque prolongado contra os defesas centrais, mas compensa essa característica com uma mobilidade curta muito eficaz. A sua maior virtude assenta no instinto e no sentido de oportunidade dentro da grande área. O mexicano ataca o espaço com inteligência, antecipa-se com facilidade ao primeiro poste em lances de cruzamento e tem uma frieza notável perante o guarda-redes.
Esquerdino de raiz, finaliza sem hesitar e com recurso a ambos os pés, necessitando de muito poucas ocasiões para fazer balançar as redes, além de apresentar um jogo aéreo competente pelo bom cálculo do tempo de salto nas bolas paradas.
No momento sem bola, Giménez oferece um compromisso defensivo que agrada a estruturas de pressão alta. É um avançado agressivo na reação à perda, disponível para saltar aos defesas centrais adversários e dificultar a primeira fase de construção contrária. Esta disponibilidade física na primeira linha de contenção permite à sua equipa manter as linhas subidas e encurtar o campo no momento da recuperação da posse.
As suas limitações prendem-se sobretudo com a fraca vocação associativa. Giménez não é um avançado talhado para recuar no terreno, participar na gestação de jogadas entre linhas ou efetuar conduções verticais desde o círculo central. O seu rendimento está fortemente indexado à produtividade coletiva da equipa e à qualidade dos cruzamentos e passes de rutura colocados na grande área. Caso o jogo ofensivo não chegue com fluidez ao último terço, o mexicano arrisca-se a ficar isolado e a passar ao lado da partida.
Em suma, o FC Porto recebe um finalizador de raiz, focado na eficácia e na ocupação cirúrgica da grande área. Se estiver bem alimentado pelos corredores e pelo meio-campo, e com a confiança restabelecida através da continuidade competitiva, Giménez reúne os atributos necessários para ser a referência letal que desbloqueia jogos fechados e decide eliminatórias no futebol português.

