Thomas Tuchel reconheceu que errou na meia-final do Mundial frente à Argentina e assumiu a responsabilidade pela eliminação da Inglaterra.
Thomas Tuchel reconheceu que errou na meia-final do Mundial 2026 frente à Argentina, durante o documentário da Federação Inglesa de Futebol Reflections: England’s World Cup Journey.
Numa conversa com Daniel Sturridge, antigo internacional inglês e atual comentador, o selecionador explicou as decisões tomadas durante a derrota por 2-1 e admitiu que a mudança de mentalidade aconteceu demasiado cedo:
«Podem tentar matar-me pela eliminação, mas a cicatriz é minha. Eu é que tenho de viver com ela, não vocês. Eu é que estou no comando. Se tivéssemos tido mais posse de bola, eu não teria mudado a estrutura. Se teria feito substituições mais ofensivas? Esse tipo de raciocínio pode torturar-te. Pensar, se eu tivesse feito uma substituição diferente, teríamos ganho o jogo».
Thomas Tuchel explicou depois o momento em que sentiu que a Argentina estava a crescer no jogo e admitiu que um lance defensivo acabou por influenciar a mentalidade da equipa demasiado cedo:
«Estava feliz ao intervalo e marcámos pouco depois, mas senti que a Argentina estava a crescer, estava mais livre e a encontrar melhores soluções. Quando houve aquele corte fenomenal do Djed Spence sobre o Giuliano Simeone, mexeu comigo e com os jogadores, o que fez mudar a nossa mentalidade demasiado cedo. Começámos a jogar como se faltassem 4 minutos, mas faltavam 30 ou 40 minutos».
O selecionador inglês explicou ainda que a equipa poderia ter explorado mais a zona de Lionel Messi antes de alterar a estrutura:
«Faltou-nos construir de forma mais pausada na zona do Lionel Messi, que era menos ativo na pressão, para depois variar para o lado contrário e obrigá-los a sofrer física e mentalmente. Mas eles começaram a jogar um futebol extremamente ofensivo, em 3-1-6, e na pausa para hidratação pensei: «não vamos sobreviver assim». Não estávamos a defender bem no nosso 4-4-2 e mudei para 5-4-1, à espera de mais cruzamentos».
Por fim, Thomas Tuchel admitiu que o desgaste acumulado ao longo do Mundial também pesou nas decisões tomadas durante a partida:
«Mudámos de mentalidade demasiado cedo, estávamos cansados do jogo com a RD Congo, da altitude contra o México e do prolongamento contra a Noruega. Não errámos assim tanto, mas foi um acumular de situações contra o nível de loucura da Argentina que fez substituições ofensivas uma atrás da outra. Eu tentei arranjar uma solução para resolver o problema. Não foi uma questão de ego, estava apenas a tentar ajudar».
