Muito se debateu em torno da primeira convocatória de Jorge Jesus. Esperavam-se ares de mudança e uma ruptura com o status quo que assombra a seleção de Portugal. Lamento desapontar, mas foi precisamente isso que não se viu, o que tivemos foram escolhas repetidas, há muito questionáveis e que irão continuar, pelo menos para já.
A seleção nacional recebeu nomes menos habituais na convocatória para os jogos da Liga das Nações. Foram convocados jogadores num bom momento de forma, que apesar de não serem nomes frequentes, as suas inclusões não provocam choque. Fica a sensação que a convocatória poderia ter sido apresentada por Roberto Martínez, sem que exista um cunho pessoal de Jorge Jesus.
Neste sentido, apresentamos uma lista de cinco jogadores que foram surpresa na primeira convocatória com Jorge Jesus como selecionador nacional.
5.


Fábio Silva (Dortmund) – A inclusão de Fábio Silva surge como surpresa, tendo em conta que não era convocado há cerca de dois anos, devido aos altos e baixos que têm marcado a carreira do ponta de lança português. Esta época, ao serviço do Borussia Dortmund, Fábio Silva parece estar, finalmente, a corresponder às expectativas criadas desde o início da carreira. Cinco jogos com quatro golos e uma assistência, marcam o excelente arranque de época para o português. O avançado português traz características diferentes de Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos, com um perfil mais associativo, de construção de jogo, apesar da mais recente veia goleadora que será valorizada.
4.


Rafael Leão (Galatasaray) – Se Fábio Silva é uma surpresa pelo bom momento de forma, a inclusão de Rafael Leão não surge como espanto, porque era já esperada. O fator surpreendente da inclusão do extremo português, agora no Galatasaray, é a constante entrega de oportunidades a Rafael Leão, oportunidades essas que se têm revelado infrutíferas. O momento de forma do português é reflexo da sua entrega e dedicação, praticamente nulas, que já se arrastam há largas épocas. As provas são várias, quando a imagem de marca do português na seleção nacional consiste numa perda de bola e consequente “corrida”, a passo, para recuperar a mesma. A partir do momento em que certos comportamentos deixam de ser exceções e se tornam regras, torna-se difícil defender a convocatória de Leão.
3.


Nuno Tavares (Lazio) – O regresso de Nuno Tavares, depois de um longo período fora dos convocados, surge como surpresa, mas também como um reconhecimento merecido pela época que tem tido ao serviço da Lazio. O lateral português volta a ser chamado, desta vez pelas mãos de um selecionador que conhece bem as suas características, que vem como boa opção de recurso. A convocatória de Nuno Tavares segue a mesma linha de Fábio Silva, como um prémio de mérito por um início de época bem conseguido por parte de um jogador inconsistente, mas com qualidades evidentes quando num bom momento de forma.
2.


Samuel Soares – Com uma subida algo repentina dentro do plantel do Benfica, face às inconsistências de Trubin, Samuel Soares aparece como uma terceira opção lógica para assumir as redes da seleção nacional. O guardião do Benfica destaca-se pela saída dos postes e pelo bom jogo de pés, tendo-lhe valido até um golo de baliza a baliza. Esta convocatória marca a estreia de Samuel Soares na seleção principal das quinas com 24 anos.
1.


João Palhinha – A inclusão de Palhinha nesta lista pode causar estranheza. Noutros tempos, a presença do médio português seria uma certeza. A verdade é que Palhinha perdeu espaço na seleção, sob o comando de Martinez, uma decisão que nunca foi recebida com consenso. As qualidades do português são uma mais-valia para qualquer seleção. O jogador do Benfica é forte nos duelos, um verdadeiro “trator” no momento defensivo, com uma capacidade para cobrir terreno e cortar a iniciativa ofensiva dos adversários fora do normal. Contra seleções de vertente ofensiva, torna-se quase imperativo ter um jogador como João Palhinha, com raça e dedicação.

