José Mourinho explicou os motivos do regresso ao Real Madrid. O técnico detalhou o seu lema de balneário e a filosofia para gerir as superestrelas.
Em entrevista ao programa Bet it drive show, o treinador do Real Madrid, José Mourinho, abordou as razões do seu regresso ao clube espanhol e revelou os pilares da sua filosofia de trabalho, focando-se na gestão humana do balneário e nas exigências da profissão.
Mourinho explicou a abordagem da direção merengue no final da temporada passada, que o levou a aceitar o convite e a deixar a Luz:
«Regresso porque o clube queria que eu voltasse, mas também influenciou a forma como falaram comigo (…) Disseram-me: ‘Conhecemos-te, conheces-nos; conheces o clube, a cultura e as pessoas. Sabemos como trabalhas. Queremos que reconstruas a equipa. Precisamos que reconstruas e inicies de novo uma década prodigiosa como a que o clube viveu’. Estava feliz no Benfica, feliz em Portugal, mas o Real Madrid é o Real Madrid».
O técnico português enfatizou a dimensão humana e o diálogo constante no balneário:
«Gosto sempre de manter uma grande comunicação com os jogadores. Pergunto-lhes: “Sentem que podem fazer isto por mim? Se não, deem-me a vossa opinião” (…) Como dizia um dos meus professores na universidade: “não treinas futebolistas, treinas homens”. Depois o homem é futebolista, mas antes de tudo é um homem».
Sobre a disciplina pessoal fora das quatro linhas, Mourinho deixou avisos claros quanto ao profissionalismo:
«Não me traias. Quando digo ‘não me traias’, falo, claro, de futebol. Não me traias e estarei sempre lá para ti, aconteça o que acontecer. És futebolista 24 horas por dia (…) Se consideras o futebol um ‘hobby’, estás acabado. Se te consideras futebolista apenas durante um par de horas por dia, não vais chegar ao topo».
Mourinho fez uma distinção clara entre o comportamento fora e dentro de campo:
«Há regras que não são negociáveis. E há outras que adoro que os jogadores infrinjam. Se há que apresentar às nove em ponto, é às nove para todos, mesmo que sejas uma superestrela. Mas durante o jogo, se um jogador , graças ao seu talento, criatividade ou intuição, quebrar a norma e arriscar algo diferente, a mim acontece-me o mesmo (…) Dentro do campo, há que quebrar as regras».
A fechar, o treinador comentou a gestão de figuras num balneário de topo:
«Àqueles a quem eu realmente chamo superestrelas nunca têm problemas de ego, porque aqueles que geram problemas com o seu ego, para mim não são superestrelas. Para mim, uma superestrela é um conjunto completo, em que o ego é proporcional ao talento, mas chega um momento em que sabem quando parar».



