Às 16h deste sábado, Jorge Jesus e Renato Veiga marcam presença na conferência de antevisão do Noruega x Portugal.
Após a vitória no arranque da ‘nova era’ da Seleção Nacional, Portugal prepara-se para enfrentar a Noruega na segunda jornada da Liga das Nações. Jorge Jesus e Renato Veiga realizam a antevisão da partida em conferência de imprensa, a partir das 16h. Fica com todas as declarações.
Renato Veiga foi o primeiro a responder às questões da imprensa:
«O meu pai já me tinha contado algumas histórias sobre o mister, de uma forma positiva, atenção (risos). É notório e gostou muito do tempo com o mister, assim como eu quero aproveitar ao máximo».
«Dicas de Rúben Dias sobre Erling Haaland? Não, não falamos sobre o avançado da Noruega ainda. Falámos sim sobre a equipa, porque vamos jogar contra a Noruega. Sabemos que é um avançado de topo, mas eles têm várias qualidades e são uma equipa muito dinâmica e vertical. Portanto, estamos focado no nosso trabalho e naquilo que o mister pede e, acima de tudo, como os vamos parar e atacar como equipa».
«Titularidade indiscutível na Seleção? Acima de tudo, trabalho todos os dias para dar o melhor de mim. Indiscutível ninguém é. Foco-me muito no presente e na evolução diária, fazer aquilo que me pedem e dar o melhor por mim e pelos meus: a minha seleção e o meu país».
«Diferenças entre Roberto Martínez e Jorge Jesus? Tivemos pouco tempo para trabalhar com o mister (Jorge Jesus). No pouco tempo que tivemos, o mister focou-se muito no trabalho defensivo, especialmente na última linha, que onde eu me posiciono. Uma ideia muito clara, mas ainda são os primeiros passos. Só queremos seguir aquilo que o mister pede e tentar evoluir coletivo».
«Duelo com Erling Haaland? Já o defrontei na Champions League. Obviamente que ninguém está aqui a decredibilizar ninguém. (Jorge Jesus intervém: ‘Confiança’). É um avançado de top, mas também têm outros jogadores de topo. Há que ter confiança naquilo que é o nosso trabalho e qualidades. Temos de estar focados em tentar ganhar o jogo de amanha, porque Portugal entra em todos os jogos para ganhar. Há coisas mais importantes na vida que me tiram o sono».
«Mudanças no eixo defensivo com Jorge Jesus? O Rúben (Dias) já tinha trabalhado com o mister e se calhar foi influenciado numa altura mais precoce da carreira. Eu não, por isso tenho alguns comportamentos que o mister acha que não são os melhores. Portanto, eu só tenho que melhorar. Neste caso era não afundar tanto, não é mister? (direcionado a Jorge Jesus). Ainda estamos no princípio e ainda há muito que trabalhar, melhorar e evoluir».
«Forma como Jorge Jesus lida com os jogadores? O mister tem uma forma muito apaixonada de viver os jogos e de encarar o futebol. Portanto, obviamente que quando se tem alguém com tanta paixão, só se pode levar para o lado positivo. Aquilo que podemos ver neste pouco tempo com o mister é que incidiu mais no processo defensivo, com ideias muito claras: Tar muito juntinhos e muito compactos. Não afundar tanto é estar mais coordenado com os meus colegas de equipa e mais à frente no jogo».
«Popularidade de Cristiano Ronaldo? Em todo os lugares no mundo onde vamos no mundo o Cristiano é popular e toda a gente o adora. Um dos melhores da história do jogo, por isso é um momento de orgulho para todos os portugueses quando se vai, por exemplo a Marrocos e se fala em Portugal e a resposta é: ‘Ah Cristiano’. É normal e estamos muito orgulhosos de ele ser português. Muito orgulhosos e agradecidos por tudo o que fez pela história do futebol».
«Como é viajar com Cristiano Ronaldo? Estamos habituados. Posso partilhar: Na primeira vez que vim com a Seleção Nacional, estávamos a chegar ao hotel à noite e ouço um barulho enorme. E perguntei: ‘O que se passa?’. E ele ri-se e diz: ‘Não é pra ti, é pra mim’ (risos). Já estamos todos habituados ao amor que o Cristiano recebe em qualquer lado».
De seguida, Renato Veiga passou a palavra ao selecionador nacional, Jorge Jesus:
«Pouco tempo de preparação? É difícil pela qualidade que têm coletiva e individualmente, como demonstrou no Mundial. Têm uma dupla de ataque das melhores da Europa, com o Haaland e o Odegaard, além de outros jogadores que conhecemos do campeonato português. Têm os seus trunfos e têm qualidade, mas nós também. Acredito muito no que vamos fazer amanhã. Não vou ter medo da Noruega e vou lançar uma equipa que até olho de forma mais ofensiva do que defensiva».
«Dicas de Rúben Dias sobre Erling Haaland? Não. Até agora, fizemos mais um trabalho em função do último jogo com o País de Gales, sobre o que fizemos bem e o que não fizemos tão bem. A partir do próximo treino de sala, vamos falar da Noruega, principalmente hoje no hotel. A Noruega tem processos muito claros. Fisicamente tem qualidade. É forte por cima, mas joga bem e tem jogadores com qualidade técnica. Tem uma ideia de jogo defensivamente com um pressing constante. Não param de correr e têm uma velocidade defensiva muito alta. Temos de estar preparados para isso, se não vamos perder muita bola na nossa fase de construção, que é um momento do jogo que me preocupa».
«Menos alterações do que tinha pensado antes do jogo com o País de Gales? É uma pergunta interessante. Nós treinadores podemos ter uma ideia, mas depois dos jogos é que temos mais certezas. Contra o País de Gales, entrámos com praticamente todos os jogadores fisicamente disponíveis, mas saímos com um problema complicado no Bruno Fernandes. Vamos ver até amanhã o que vai acontecer. A experiência que tenho como treinador diz-me que nem todos os jogadores conseguem recuperar ao terceiro dia e vou trabalhar num ou noutro jogador que eu perceba que ainda não recuperou. O jogador que pode entrar pode dar garantias e é nisso que me vou basear amanhã».
«Portugal vai corresponder às expectativas? Eu tenho uma ideia do que é o jogo. A Noruega é poderosa ofensivamente, mas não vou olhar para o jogo ao contrário. Não vou fazer uma escolha de jogadores porque são fortes ofensivamente. Eles são fortes? Eu também quero ser. O treino de hoje vai me dar algumas condições dos que estão limpinhos. Ou seja, os jogadores que estão recuperados fisicamente e que não estão tão carregados. A Noruega é uma equipa forte e com excelente jogadores, mas eu também trabalho uma equipa forte e com excelentes jogadores».
«João Palhinha titular? Erling Haaland é o melhor avançado do mundo? O Rúben Neves trabalhou comigo nos últimos dois anos (2023 a 2025), conheço-o como as minhas mãos. Ele tem uma forma de correr que, quando está a ficar cansado e já não está levezinho, eu já sei que está a baixar a intensidade de reação e velocidade defensiva. Não vou dizer qual é. Foi por isso que o João (Palhinha) entrou. Quanto ao Haaland, para mim é (o melhor avançado do mundo). É o mais poderoso fisica e tecnicamente, mas dentro da área. Fora da área, já não é isso tudo, apesar de ser um jogador de rápido. Dentro da área, o Osimhen e ele são os mais fortes, para mim».
«Situação clínica de Nuno Mendes e Bruno Fernandes? A equipa médica referenciou esses dois jogadores. O Nuno pode ser lançado no jogo. O Bruno tem a ver com o tratamento até amanhã e as horas que pode recuperar ou não. Vem com uma lesão do United e anda, disse ele, há uns três jogos a jogar com aquela dor. Foi um dos fatores pelos quais não jogou ao nível dele contra o País de Gales. Foi meu jogador e conheço-o perfeitamente. Já conversei com ele. Prefiro não arriscar neste jogo e tê-lo limpinho e com condições físicas para o jogo com a Dinamarca».
«Claro que sim. Os jogos vão ser a minha base. Dos selecionadores que entraram, já fui procurar quem é que ganhou (na estreia). Fui só eu e o da França (Zidane), mais nenhum. É nestes jogos que vou refletir e analisar o que fizemos e não fizemos bem. Estamos a trabalhar em cima de jogos a sério, não é pré-época, mas não é desculpa. Temos de acelerar o processo e sermos criativos. O que é o treino de sala? É complicado vocês perceberem. Tenho de recuperar o tempo e transfiro para o bocadinho de tempo que tenho no campo, sem poder treinar muito dentro de campo com oposição porque a equipa está em recuperação e vai jogar amanhã. São muitos anos de futebol, não me atrapalha».
«Bernardo Silva como médio-defensivo? É onde está a jogar atualmente no Real Madrid, um dos quais assisti em Madrid. Penso que é onde vai ser o futuro da posição dele. Um segundo médio ofensivo, a jogar ao pé do médio mais defensivo ou jogando por dentro numa ala, mas não sendo um extremo, conforme a ideia dos treinadores. Pode ser um terceiro jogador por dentro a ajudar aqueles dois jogadores contra um 4x3x3. Há várias formas para tirar rendimeto dos jogadores, pensando de maneira diferentes. No treino em que dividi defesas e avançados, tive de fazer um pré-aquecimeto. No dia do jogo, fizemos exatamente a mesma coisa».
«Mudanças no onze inicial e possível introdução de João Neves? Quando tenho de fazer algumas alterações num curto espaço, normalmente, se não for por lesão, eu atrás não mexo. Amanhã, penso que vai acontecer a mesma coisa. Quanto ao João Neves, veio com um problema do PSG. Falei com ele e fez uma ressonância. Já posso dizer porque o País de Gales já passou e disse-lhe ‘Não te lanço neste jogo, mas no jogo da Noruega lanço-te’ e amanhã vai jogar».
«Cristiano Ronaldo justifica a titularidade? Vamos começar pelo rendimento dele contra o País de Gales. Fizemos 15 remates dentro da área, dos quais sete foram do Ronaldo. Desses sete, dois foram à baliza. Teve sete intervenções de finalização. Comparando com os últimos jogos que ele jogou, foram muitas. Antes teve uma, duas ou nenhuma. Pode fazer melhor, como é óbvio. Esteve perto de fazer um golo. Ele jogou 65 minutos e ainda vou ver como é que ele está. Se lanço de início ou vai para o banco. O Cris, queiramos ou não, não é como o João Neves que tem 20 anos e pode jogar dois jogos seguidos de três em três dias».
«Redução de estrangeiros no Brasileirão? É uma pegunta interessante, normalmente fazem-me essa pergunta em todos os países que tenho treinado e em fóruns. Qual é a minha ideia em relação à redução de jogadores de estrangeiros em cada país? Em Portugal tenho uma opinião diferente. Não é reduzir de 9 para 5 que vai melhorar o jogador brasileiro. Dou sempre o exemplo de Portugal. É um dos países que melhor forma jogadores e, em Portugal, se quiserem podem jogar 11 estrangeiros. Temos sempre grandes jogadores e vamos continuar a ter porque esse não é o problema. O problema é a qualidade da formação e a calendarização. O Brasil têm uma boa calendarização e não sabe. Espero bem que nunca acabem com os campeonatos estaduais porque esse é um dos segredos do jogador brasileiro».
«Cristiano Ronaldo é muito popular na Noruega, será titular de novo? Ainda não sei se o Cris vai começar de início, mas se não for primeira escolha, será segunda ou terceira. Até amanhã, vou ver como é que o Cris está porque ele conhece o corpo dele melhor que eu. São muitos anos. O treino de hoje vai dar indicadores para depois falar comigo. É um fenómeno mundial pela história como jogador e ainda alimenta o recorde de fazer mil golos. É uma referência para estas novas gerações, mesmo que não sejam jogadores de futebol. Reparo que a maioria dos fãs são adolescentes e a maioria nunca o viu jogar ao vivo. É sempre um elemento muito importante para Portugal, jogando ou não jogando».

