Israel e a Irlanda defrontam-se na Liga das Nações. O jogo está a ser marcado por tumultos dentro da seleção irlandesa e Gavin Bazunu recusou-se a ir a campo.
O momento é delicado. O Israel x Irlanda da Liga das Nações realiza-se esta noite, mas não contará, desde logo, com Gavin Bazunu. O guarda-redes irlandês recusou-se a ir a campo e explicou a decisão nas redes sociais.
«Tomei uma decisão difícil. Sou um homem de fé forte e dou o meu melhor para ser uma pessoa de caráter e princípio. Por isso, sinto que seria errado participar nos próximos jogos com Israel. A minha decisão é baseada puramente na minha crença pessoal de que matar inocentes é errado. A minha posição não é contra o povo israelita ou a comunidade judaica, mas contra as atrocidades na região. Há poucas vezes na vida em que tens oportunidade de marcar uma posição por algo maior e acredito fortemente que este é um desses casos», escreveu o guarda-redes.
A expressão da vontade de Gavin Bazunu expôs uma rutura no seio da Federação Irlandesa de Futebol. Fontes da Federação revelaram que foi feita uma votação dentro do grupo para avaliar se a seleção iria ou não a jogo, sendo a maioria «significativa».
A votação, que Brian Kerr, jornalista irlandês, garante ter sido 14-8 a favor da entrada em campo, foi questionada. Segundo múltiplas fontes da imprensa irlandesa, Gavin Bazunu não teve o seu voto contabilizado. De resto, a soma de votos contabiliza apenas 22 jogadores, faltando quatro votos serem (incluindo o do guarda-redes).
O assunto tem marcado o dia-a-dia na República da Irlanda onde já mais de 17 mil pessoas assinaram uma petição que apelava ao boicote no jogo. Na antevisão da partida, Heimir Hallgrimsson, selecionador irlandês, explicou a posição da Federação.
«Ao jogarmos, não estamos a aceitar a situação atual. Quando um jogador entrar em campo, não está a aceitar o que se está a passar em Gaza. Se me posso permitir partilhar o sentimento dos atletas, eles sentem que estão a agir mal ao disputarem este jogo pela Irlanda. É um sentimento desagradável. Queremos deixar claro que não apoiamos de forma alguma o que se passa em Gaza. Vamos disputar este duelo porque faz parte do regulamento da competição. Não estamos a jogar com o genocídio, estamos a jogar contra o genocídio. Estamos a jogar contra Israel, não estamos a jogar com Israel», clarificou o selecionador.
Ainda assim, o ambiente deixa no ar uma sensação de desconforto, desde logo pela escolha pelo terceiro guarda-redes, obrigatório pela regulamentação da UEFA. Jimmy Dunne, defesa do QPR, foi inscrito como terceiro guarda-redes de forma a cumprir as regras.
A acrescentar, a seleção irlandesa já confirmou que entrará em campo com braçadeiras pretas nos braços. Não haverá espaço a formalidades institucionais, como a habitual troca de galhardetes, e os jogadores recusarão os cumprimentos, acrescentou a Federação Irlandesa de Futebol.
Uma incógnita – outra delas – passa ainda por Finn Azaz. Titular no último jogo, o avançado irlandês tem descendência israelita. A presença no jogador no plantel é apontada pela imprensa irlandesa como um dos fatores de instabilidade e divisão no grupo.
Será, portanto, no meio de um ambiente de cortar à faca que se disputará o Israel x Irlanda, a partir das 19h45 desta noite, 27 de setembro. O jogo da Liga das Nações realiza-se em Debrecen, na Hungria.
Recorde-se que, no motivo de toda a polémica, está o conflito entre Israel e a Palestina, que se arrasta desde os finais do século XIX. A Guerra de 1948 iniciou um conflito em larga escala que, desde 2023, teve um novo acentuar de acontecimentos e mortes. Desde 7 de outubro de 2023, já morreram em Gaza, palco principal do conflito, 74.016 pessoas vítimas do exército israelita, de acordo com os dados do Ministério da Saúde Palestiniano.

