Diogo Boa Alma comentou o caso na seleção de Portugal entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. Excerto de uma entrevista ao Bola na Rede.
Diogo Boa Alma falou em exclusivo com o Bola na Rede e abordou a polémica na atualidade da seleção nacional, após a rutura entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo, que terminou com o abandono do estágio por parte do capitão.
«Penso que não haverá, infelizmente, espaço para uma continuidade. Deve-se é tentar que o final seja bem melhor e de acordo com a grandiosidade do Cristiano e com tudo o que ele fez por mais de 20 anos na seleção. É o maior símbolo do futebol português e tem de ser tratado como tal. É uma pena tudo isto acontecer para a imagem do próprio país. Mais do que o Cristiano, o mister Jorge Jesus ou qualquer um dos envolvidos, é Portugal e é a maior bandeira de Portugal no mundo. Nós andamos no estrangeiro e toda a gente a quem dizemos que somos portugueses fala logo de Cristiano Ronaldo. Temos de ter memória e ter essa gratidão e saber fazer um final digno para o Cristiano como o Messi vai ter na Argentina. É disso que falamos. São símbolos do país e do futebol do seu país», começou por afirmar o dirigente desportivo.
«Sobre o caso em si, acho que, infelizmente, as pessoas radicalizam muito entre os pró e os contra Cristiano Ronaldo. Devemos olhar para as coisas de outra maneira. Acho que o lugar dele é intocável. Em termos desportivos, e eu sou daqueles que há muitos anos diz que a utilização do Cristiano Ronaldo deveria ser diferente, porque acho que temos de olhar para o rendimento. O rendimento de outros jogadores tem sido superior e justifica mais tempo de utilização de outros atletas em detrimento do Cristiano. Mas isso é outra questão. A forma como as coisas foram feitas, não foram bem conduzidas. Falta, sobretudo, comunicação, falta estar alinhados. É por isso que dizia que nos clubes o trabalho do diretor é fundamental neste aspeto, para evitar este tipo de conflitos. É conseguir sanear e colocar as pessoas todas dentro do mesmo objetivo e não deixar que exista uma situação resolvida entre duas pessoas. É um problema. Pode extremar posições e vir a ter finais como este. Espero que se resolva, que o Cristiano tenha a homenagem e a despedida que merece e que continue ligado à Federação e à seleção de alguma maneira, como embaixador de futebol que vai ser sempre no mundo», apelou Diogo Boa Alma.
Diogo Boa Alma olhou ainda para o novo ciclo de Jorge Jesus, no pós-Ronaldo, e falou do impacto que toda esta situação pode ter no grupo.
«Que Portugal tenha um novo ciclo de sucesso com Jorge Jesus. A geração que temos e as gerações futuras, e vimos os sub-21 a apurar-se para o Europeu com uma grande geração, as gerações que aí vêm são muito boas. Os sub-17 foram campeões do mundo e da Europa. Temos um potencial muito grande para vir a ser uma seleção ganhadora e continuar a ganhar. Não vejo o dramatismo que se vê muitas vezes de que Portugal era uma coisa antes do Ronaldo e agora é outra coisa. É verdade, objetivamente, mas há uma evolução como um todo do futebol português, que se teve ao longo dos últimos 20/30 anos. Foi um trabalho de fundo que foi feito, não centrado apenas no jogador», clarificou Diogo Boa Alma.
«Isso depende de muitas coisas. Não sei a ligação que existia entre o Cristiano e os outros jogadores. Acredito que tenham uma boa relação, mas não sei até que ponto uns vão sentir as dores dos outros. Depois, depende muito da gestão do caso que é feita pelos responsáveis da Federação. Desde ontem, a justificar o que aconteceu e explicar claramente ao grupo o que aconteceu. É importante quando acontece algo relevante que o grupo veja resolvido tudo em família. Que a verdade seja dita à frente de todos e seja logo esclarecido o que se sucedeu e porquê, para que se ponha uma pedra e se possa olhar para o futuro. Acho que muitos jogadores poderão ter mais espaço e libertar-se de alguma maneira. É normal que aconteça. Na Argentina, era normal que a bola passasse mais pelo Messi e vai ter de passar por um novo ciclo com uma saída onde não vai ter a tendência de procurar a referência. Portugal também teve muitos anos a procurar a referência, que era o Cristiano Ronaldo, e vai ter de se adaptar a isso, mas também vai trazer novas soluções à seleção. Pode trazer e libertar muitos jogadores a assumir um papel de relevância e liderança», concluiu o dirigente.


