Jorge Jesus fez a análise ao encontro entre Portugal e Noruega, referente à 4.ª jornada da Liga das Nações.
Jorge Jesus marca presença na sala de imprensa para fazer a análise ao Portugal x Noruega, a contar para a 4.ª jornada da Liga das Nações. Confere as declarações do Selecionador Nacional.
«Cristiano Ronaldo? Vamos começar por aí, não pelo jogo nem pelo apuramento de Portugal. Eu não sei o que o Cris pode decidir. Tenho a dizer o que já disse. No princípio nunca foi um caso. Achava normal como treinador, ter um jogador como símbolo para o país ou seleção. Não houve nada que fosse ao inegociável, nada de especial quanto à minha autoridade. Para mim, o Cris na próxima convocatória será, caso esteja a jogar no Al Nassr, um jogador convocável se ele quiser regressar à seleção. Não pode quebrar uma amizade de uma ano numa situação que não dá para entender. Só porque foi ele, criou-se um problema. Aquilo acontece com todos os jogadores. Quantos jogadores aqueceram e não entraram hoje. Foi um problema porque é um símbolo. Se quiser e estiver a jogar, na próxima convocatória vai estar dentro. Podemos falar antes da próxima convocatória, o Cris é que vai decidir».
«Conversa com Ronaldo? Concordo, mas isso não passa por mim. Para se ter um acordo entre duas pessoas, têm de ser duas pessoas a falar e acordar».
«Espaço para mudanças na convocatória? Foi a única pergunta em que não falámos do tema. Voltamos a falar do importante, de Portugal ganhar a uma das melhores seleções da Europa, com a melhor dupla de primeiro avançado e segundo avançado do mundo, o Haaland e o Odegaard. Sem fazer um jogo de nota artística, ao contrário da Dinamarca. Mas podíamos ter. Quando o Francisco Conceição foi expulso, a equipa da Noruega era partida, só alguns defendiam. Íamos fazer golos. Senti-os mais cansados, com seis jogadores a jogar quatro jogos consecutivos. São grandes e fortes, não extraterrestres. A expulsão do Francisco complicou o jogo. O importante era a vitória. Foi uma boa vitória. Na próxima convocatória vamos ver. Vou escolher em função do que os mais jovens possam fazer nos clubes. Se não jogarem nos clubes, é mais difícil serem convocados. Não direi uma certeza, mas é um pensamento que tenho».
«Palavras de Bruno Fernandes sobre Cristiano Ronaldo? Concordo a 100%. Ouvir os jogadores? Não. O que o Bruno disse concordo completamente. Também era a minha ideia. Uma das coisas que disse ao Cris foi que não podia acabar com a seleção a perder e a chorar. Tinha de acabar a jogar na seleção. Calhou o primeiro ser em Alvalade, jogou, era para jogar hoje aqui. Face ao que aconteceu, tudo foi diferente. Está tudo dito. Isto não tem nada a ver. Sou selecionador e convoco quem quero. Não pergunto a ninguém quem quero, quem vai jogar. Há momentos e princípios inegociáveis como treinador. Mais claro que isto não posso ser».
«Avaliação dos quatro jogos? Fomos aproveitando os jogos como treinos. Como não tivemos tempo para treinar, aproveitei os jogos para trabalhar em cima do que a equipa poderia e deveria fazer. Não tínhamos muito tempo para treinar a prática. A prática é o critério da verdade e tive de passar para a teoria. Fiz vários treinos de sala com a equipa, corrigindo e falando com os jogadores, principalmente da ideia defensiva. Melhorámos contra a Dinamarca o ataque posicional. É o mais difícil dos cinco momentos, na minha opinião. Vamos crescer. Com mais tempo para treinar, vamos crescer mais. Esta equipa tem muito talento e só assim se cria uma jogada do Nuno Mendes para o Cancelo. Estratégia do treinador? Nunca treinei aquilo, eles é que viram, decidiram e criaram. Jogadores com muito talento vêm coisas à frente».
«Jogar no Dragão? Tenho uma carreira de treinador de 36 anos, joguei vários jogos no Dragão, ganhei e perdi. A carreira de jogador não é ganhar sempre, mas eu ganho mais do que perco. Foi um objetivo atingido hoje, a vitória e o apuramento. Falei do passado enquanto treinador do Benfica, nesse caso. Você é benfiquista? É, é».
«Mensagem às famílias e crianças sobre Ronaldo? Também partilhei ao longo de um ano o que é o símbolo, a marca, o jogador Cristiano. É uma referência mundial. O Cris só não volta se não quiser. Para mim não se coloca. O tema foi precipitado. Houve pessoas que se meteram no caso, não sei, que fizeram que se parecesse a um tema ou problema. Não houve problema nenhum. Foi um treinador que meteu um jogador a aquecer e não entrou. Acham que é motivo para acabar na seleção de um momento para o outro? Ele sabe que vai acabar, isto não dura para sempre, mas gostava de acabar como ele quer. Ele é que vai decidir. Foi assim que falámos. Eu disse “Eu preciso de ti, jogando ou não jogando. Eu preciso de ti”. E preciso, novamente».
«O problema que gerou tudo foi o jogador aquecer e não entrar. Pedir desculpa a quê e a quem? Isso é mentira. Desculpa do quê? Qual era o tema para pedir desculpa?».
«Gonçalo Ramos? O Gonçalo Ramos, como todos os avançados, vive de golos. Feliz pelo que fez nos últimos quatro jogos. Além dos golos, também assistiu, como quando tabelou com o Cancelo na Dinamarca. É um jogador que quando começou no Benfica, eu era treinador e conheço-o. Hoje está muito mais jogador. Estava à espera do desempenho. Jogou a maioria dos jogos. Vai ajudar muito o Milan do meu colega Ruben [Amorim]. Está a crescer e vai crescer ainda mais».
«Noruega? É verdade que perdeu três jogos consecutivos, mas não é por isso que não é uma excelente seleção. No Mundial, mostrou-o. O selecionador norueguês tem mais conhecimento que eu».

