Tottenham 1-3 Benfica: Bifes? Peanuts!

- Advertisement -

camisolasberrantes

Há noites que não se esquecem. Um primeiro beijo. Uma estúpida bebedeira. Uma boa “conversa” de cama. A morte de um familiar próximo. O adeus a um amigo que segue para o estrangeiro. Um fantástico jogo de futebol. Hoje vivemos e respirámos um desses. Um desses jogos que, de tão fantásticos, superam mesmo o conceito de “noite” e alongam-se no tempo de forma incomensurável.

Um pouco como o jogo que o Benfica levou para Inglaterra. A bem ou a mal, Jorge Jesus pegou mais uma vez neste plantel e espremeu-o de tal forma que o tornou infinito e pau para toda a obra. Aliás, as surpresas ao início foram prova disso mesmo: Oblak permaneceu na baliza, Sílvio deixou mais uma vez no banco um antigo e recorrente europeu André Almeida, Rúben Amorim preencheu o meio em detrimento de Enzo Pérez, Sulejmani deu descanso ao mágico Gaitán e Cardozo voltou à titularidade para se juntar a Rodrigo no ataque.

Começa a partida e começam também os cânticos dos Diabos Vermelhos e No Name Boys, que só se renderiam ao silêncio aquando do apito final. Um apoio de outro mundo. Benfiquistas à Benfica. E um Benfica que ameaçava não se render à casa cheia dos Spurs, que ainda andavam mal do estômago depois dos quatro golos encaixados no fim-de-semana contra o Chelsea. Adebayor, no entanto, vinha a jogo para dar trabalho a Luisão e Garay, coisa que felizmente só aconteceu nos primeiros minutos. Porque mal o Tottenham tirou o pé do acelerador foi tempo de o meio-campo encarnado rodar bola, puxar os ingleses para a frente e, com muito jeitinho, abrir espaço nas costas. E, coincidência ou não, aos 29 minutos, um lutador Rúben Amorim pega na redondinha, leva árbitro e dois adversários à frente e inventa – literalmente – um passe que é três quartos de golo. Rodrigo, com uma arrancada à Bolt, deixa o pobrezinho Naughton para trás e, da esquerda para o meio, faz um remate a fugir ao guarda-redes da casa. Sem espinhas.

Um colocadíssimo primeiro golo  Fonte:
Um colocadíssimo primeiro golo
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica (Isabel Cutileiro)

Ainda antes de acabar a primeira parte, o extremo esquerdo Eriksen puxa de um cruzamento que só Garay consegue travar e está dado o mote para aquele que seria o restante jogo: Benfica contra Eriksen (com a ajuda lá pelo meio de Lennon, na direita, e Kane, ao meio). Apito do árbitro e um primeiro tempo com um conjunto encarnado cheio de simplicidade e disciplina, trunfos que valiam (e justificavam) o adiantamento no marcador num jogo que o Tottenham queria claramente ganhar…mas não sabia como.

Pontapé na bola e vamos aos últimos 45 minutos. O Benfica precisava de muita cabeça e de muito auto-controlo para poder voltar a Lisboa dono e senhor desta eliminatória…e foi exactamente isso que faltou logo três minutos depois de se retomar a partida. Sem se perceber muito bem como, Luisão deixa em jogo Adebayor que sozinho e em excelente posição atira, da forma mais infantil e incrédula de sempre, o esférico para as ervas daninhas ao lado da baliza do jovem Oblak. “Mais dessas”, pedi eu aqui em casa, isto depois de atirar um copo à parede por causa da paragem cerebral do nosso capitão. Mas o Girafa quis redimir-se. Nem dez minutos depois, Rúben Amorim – que jogo enorme do português – roubou a bola a um distraído Kane e atirou para a defesa da noite. Não contente voltou a agarrar na bola, cobrou o canto para o Glorioso e Luisão fez o dois a zero com uma gloriosa cabeçada. Não fossem os festejos encarnados nas bancadas e ouvir-se-ia o ranger de dentes de Sherwood, homem que promete mudanças para o ano vindouro…arriscando-se a ser ele mesmo a maior de todas. Faltava o último prego no caixão.

O capitão Luisão assinou um bis  Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica (Isabel Cutileiro)
O capitão Luisão assinou um bis
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica (Isabel Cutileiro)

Mas não. Porque o Benfica é assim. E porque benfiquista que é benfiquista tem de sofrer até ao fim. Depois de uma enorme arrancada pelo lado esquerdo, um inconformado Eriksen é rasteirado por um apagado Sílvio. Livre perigoso para os ingleses e um golo teleguiado. Oblak talvez pudesse ter feito mais, mas a concretização é de facto notável. O Tottenham reduzia a desvantagem numa altura em que o Benfica tinha o jogo controlado. Peito cheio de Eriksen, o único que, cheio de coração, não parou de remar contra a maré. Mas maré que é maré leva tudo consigo. E assim foi este Benfica, que não quis voltar nervoso a casa. Crédito para Jorge Jesus que tira os dois jogadores mais desaparecidos da noite, Sulejmani e Cardozo, dando espaço a Gaitán e Enzo, dois “desbloqueadores” natos. Ou vai ou racha!

E era para rachar mesmo. Rodrigo ia fazendo o terceiro depois de um erro enorme do guarda-redes Lloris e é o recém-entrado Gaitán – de prever, certo? – que minutos depois arranca a falta ao tal pobre Naughton. Conversão e Garay a atirar de cabeça para a defesa do guardião da casa, quando na recarga surge um Luisão ponta-de-lança com uma “pastilha” enorme que ainda vai à barra, mas que acaba nas redes dos Spurs.

Hora de apanhar o avião. E o resto é conversa. Ou peanuts.

 

A(s) Figura(s)
Luisão e Rúben Amorim – Hoje quebro as regras e elejo dois senhores do futebol encarnado. Dois que já cá andam há muito, muito tempo. Um deles merece mais. E prova-o todas as vezes que pisa o relvado. Se Luisão foi enorme, Amorim foi genial. Ela por ela. Taco a taco. E por isso um pódio repartido.

O Fora-de-Jogo
Tottenham – Perdoem-me a falta de criatividade na escolha, mas ou é o Benfica que merece estar na Champions ou é este Tottenham que não merece sequer estar numa competição além-Inglaterra. Please come back, Villas-Boas?

Tiago Martins
Tiago Martins
O Tiago tem uma doença incurável que o afeta desde o momento em que nasceu: a paixão pelo Benfica. Gosta de ver bom futebol, mas a sua maior alegria é comer um coirato à porta do Estádio da Luz.                                                                                                                                                 O Tiago não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Mikel Arteta comenta despedimento de Thomas Frank e elogia Viktor Gyokeres: «Acho que tudo melhorou e agora está a dar certo»

Mikel Arteta fez a antevisão do Brentford x Arsenal. Técnico falou de Viktor Gyokeres e de Thomas Frank.

Irmão de Paul Pogba aborda estado físico do internacional francês: «É frustrante, não só para ele»

O irmão de Paul Pogba abordou o estado físico do médio francês e confessou as dificuldades sentidas na recuperação.

Matheus Reis já está na Rússia e tem número de camisola e data de arranque de trabalhos no CSKA Moscovo definidos

Matheus Reis já está na Rússia e prepara-se para assinar com o CSKA Moscovo. Defesa vai usar o número 2.

Francisco Conceição volta aos treinos na Juventus e dá bons sinais na recuperação da lesão

Francisco Conceição poderá ser opção para o Inter Milão x Juventus. Extremo português voltou aos trabalhos com o grupo.

PUB

Mais Artigos Populares

Real Madrid pondera vender jogador que ainda nem comprou por propostas de 80 milhões de euros

Nico Paz vai ser repatriado pelo Real Madrid, mas pode nem sequer voltar a jogar pelos merengues. Espanhóis abertos a venda choruda.

FC Gaia x Sporting de Andebol adiado devido ao mau tempo e já com nova data

O Sporting viu o seu jogo contra o FC Gaia adiado por culpa do mau tempo. Partida de andebol já foi reagendada.

Casemiro recorda os melhores golos da carreira e destaca um ao serviço do FC Porto: «Colocaria no meu top-5»

Casemiro recordou um dos melhores golos da sua carreira com a camisola do FC Porto, num encontro frente ao Basileia.